Caminhões têm idade média elevada

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Caminhoneiros autônomos dirigem veículos que, em média têm 18 anos de fabricação. São caminhões que nem sempre passam por manutenção preventiva, poluem mais e costumam se envolver em mais acidentes, muitas vezes motivados por falhas nos freios e pneus.
Pesquisa da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) divulgada no final do ano passado revelou que, dos 2,32 milhões de caminhões que circulam no Brasil, 1,07 milhão pertencem a motoristas autônomos. A maior parte (1,25 milhão) está nas mãos de transportadoras, e é mais nova: tem 10,2 anos, em média.
Além de transtornos, como congestionamento motivado por quebras, queda na produtividade do motorista por causa desconforto do caminhão e baixo desempenho do veículo, o que mais preocupa são os elevados índices de acidentes com modelos comerciais mais velhos.
De acordo com dados do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), em 2010 os caminhões se envolveram em metade dos acidentes registrados em estradas federais, apesar de representarem apenas cerca de 5% da frota total circulante.
Enquanto veículos de passeio estiveram envolvidos em cerca de 160 mil acidentes, caminhões envolveram-se em aproximadamente 80 mil colisões, conforme o Dnit.
Panorama
 
Com a recessão da economia, a demanda por frete cai. Consequentemente, a idade da frota circulante tende a aumentar. Como comparação, em 2013, caminhões pertencentes a profissionais autônomos tinham média de 17,2 anos, enquanto a frota das transportadoras registrava 8,3 anos. Na época, a média geral era de 12,1 anos.
“Mais que o de carros, o mercado continua dramático. O setor de caminhões sofre influência direta da queda nos financiamentos e ainda temos as difíceis situações econômica e política no País”, diz o vice-presidente da Associação dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Marco Antonio Saltini.
No caso de automóveis, a frota nacional é jovem, com média de 6,9 anos e mais nova do que a de países desenvolvidos, como Estados Unidos e Japão. No segmento de transportes, a situação se inverte. Na Alemanha, por exemplo, esse tipo de veículo tem 8,8 anos.
“Não dá mais.” Parado em um enorme congestionamento na Rodovia Régis Bittencourt, nas imediações da cidade de Miracatu (SP), o caminhoneiro Venéreo Pelegri, de 62 anos, diz que pretende vender seu Scania 1995 e abandonar a profissão: “Não dá mais”, garante. “Se eu conseguir pagar as dívidas que tenho com o dinheiro da venda do caminhão, já está bom”, diz.
Há sete anos, Pelegri perdeu um de seus filhos, também caminhoneiro, em um acidente, na mesma estrada. O outro ainda continua na profissão.
Com a economia em crise, a demanda por frete caiu. A consequência, segundo ele, é que o valor do frete não aumenta “há dez anos”. Para transportar uma carga de açúcar de Jacupiranga, no sul de São Paulo, até Teodoro Sampaio, no oeste do Estado, num trajeto de cerca de 900 quilômetros (entre ida e volta), Pelegri afirma que recebe R$ 700, tirando despesas com combustível e pedágios.
De acordo com o caminhoneiro, o trabalho já não compensa: “Até 1993, 94, ainda dava (para ganhar dinheiro), mas de lá para cá as coisas só pioraram”, diz o profissional, que é autônomo e está na estrada há 42 anos.
O caminhão, que vai completar 21 anos de idade, demanda manutenção. Mas a situação não permite a troca por um mais novo: “Estão pagando no máximo 78 reais pela tonelada transportada”.

Por outro lado, Pelegri diz que as despesas não param de subir: “Minha esposa gasta cerca de R$ 900 no mercado em um mês e a conta vai para R$ 1 mil no seguinte, para comprar as mesmas coisas”, afirma.

Fonte: Jornal O Estado de S. Paulo

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