Os caminhões cromados do serralheiro Gilberto Martins

Gilberto chegou a vender 34 caminhões para uma pessoa, que mandou 6 modelos para os Estados Unidos

Gilberto Martins dos Santos usou sua criatividade para fazer o que viria a se tornar uma fonte de renda (Foto: arquivo pessoal)

Ele faz arte com as mãos. Gilberto Martins dos Santos, 48 anos, usou sua criatividade para fazer o que viria a se tornar uma fonte de renda. Há 13 anos, o filho, Yan Kenedy de Moura Martins estava prestes a completar dois anos de idade. Sem condições para comprar um presente, o serralheiro decidiu fazer por conta própria o brinquedo do filho.

Do limão, a limonada

Funcionário de uma metalúrgica, Gilberto observou alguns pedaços de ferro que sobravam da produção e pediu autorização ao chefe para utilizar o material para confeccionar o presente. “Ele falou que eu poderia fazer o brinquedo em meu horário de almoço e depois de pronto deveria avisá-lo para eu sair com o brinquedo da empresa.”

O presente do filho e primeira peça de Gilberto foi um ônibus. “Meu filho gostou bastante. Ele mostrava para todo mundo e contava que eu havia feito para ele.” Com essa divulgação espontânea, as pessoas começaram a gostar e elogiar o trabalho de Gilberto, que decidiu criar novos modelos.

Segundo Gilberto, o material usado para a confecção dos caminhões é encontrado em lojas de serralheria

Das 40 janelinhas para a boleia

Decidido a mergulhar na nova empreitada, Gilberto saiu do trabalho e passou a se dedicar apenas na fabricação das peças. ”Depois do ônibus, eu comecei a fazer caminhões menores. Eu fazia meia dúzia e ia a eventos, procurava lugares para expor, mas nunca tive a chance de um lugar bom. Então comecei a levar as peças para vender na Avenida Aricanduva, em São Paulo (SP), onde fiquei por muitos anos e consegui vender bastante.”

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“Mão na massa”

Segundo Gilberto, o material usado para a confecção dos caminhões é encontrado em lojas de serralheria, como chapas, ferros, tubos e rolimãs, produtos que fazem de sua invenção “o caminhão 100% ferro”, como ele gosta de destacar.

Após a montagem, o caminhão é levado para ser cromado, processo caro, que pode chegar a R$ 380 e acaba tornando o produto final mais caro. Em diversos modelos, os caminhões variam de R$ 580 a R$1260, que seria uma carreta completa.

Gilberto chegou a vender 34 caminhões para uma pessoa, que mandou 6 modelos para os Estados Unidos

Para o Brasil e para o mundo

No início, as vendas bombaram. Gilberto chegou a vender 34 caminhões para uma pessoa, que mandou 6 modelos para os Estados Unidos. Fãs de caminhões mandam fotos dos brutos e o serralheiro reproduz com seu material. Em outros casos, as pessoas o levam até sua garagem, mostram o caminhão e com apenas uma olhada Gilberto faz o modelo. “Eu vejo o caminhão, registro a imagem na cabeça e faço”, afirma.

Cada produto dura em média sete dias para ficar pronto. Com cerca de 150 caminhões pequenos e 80 grandes vendidos, para Gilberto, o modelo mais difícil de fazer foi um Peterbilt devido à quantidade de detalhes. Entre a produção de caminhões, ele ainda criou helicópteros, lanchas e iates, mas afirma que o foco agora é nos caminhões. Os outros modelos são produzidos apenas por encomenda.

Vacas magras

Com a chegada da crise, a procura pelos caminhões caiu e Gilberto se viu obrigado a voltar a trabalhar como serralheiro. A produção ficou para as horas vagas. “Agora pretendo levantar um capital com esse trabalho e passar a fazer de 50 a 50 unidades, porque se eu pegar 50 peças e levar no cromo sai mais barato do que levar uma por vez. O mesmo vale para a compra de material para eu fabricar os caminhões, pois o custo de apenas uma unidade fica alto”, afirma, esperançoso de que a nova fase para seu trabalho chegue logo.

Fonte: Portal das Estradas

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