É #FAKE que máscaras são inócuas e podem causar infecção na garganta

Selo #FAKE — Foto: G1
Selo #FAKE — Foto: G1

Compartilhado no Facebook, o texto diz: “Você sabia que os buracos em um tecido são um bilhão de vezes maiores do que um vírus? Sabia que um tecido na cara e nada é a mesma coisa para a passagem de vírus?”

Segundo médicos entrevistados pela CBN, as máscaras de tecido, produzidas artesanalmente em meio à pandemia, embora não sejam recomendadas para profissionais de saúde, que estão em contato direto com o vírus, são, sim, eficazes para proteger as pessoas que vão à rua, usam transporte público e circulam em locais fechados.

Elas servem como barreira física para elementos que carregam o vírus, como gotículas eliminadas na fala e os aerossóis (espirros e tosse), e constituem uma forma de conter a propagação do vírus por quem está infectado. E os médicos lembram que as máscaras não fazem qualquer mal à saúde.

Mauro Schetcher, professor titular de infectologia da UFRJ, ratifica a recomendação pelo uso da medida de proteção. “O vírus não é transmitido ‘solto’, ‘flutuando’ no ar, mas dentro de gotículas expelidas pela tosse e espirro de pessoas infectadas. As máscaras, variando de acordo com o material de que são feitas, reduzem a probabilidade de que gotículas contendo vírus e expelidas por pessoas infectadas atinjam as mucosas respiratórias de quem as use”, esclarece.

“Sim, os vírus são extremamente pequenos. Mas o uso das máscaras caseiras são uma medida de proteção coletiva. Ao falar, eliminamos gotículas de saliva. Se estamos contaminados, essas gotículas estão cheias de vírus. A máscara de pano serve como uma barreira para reduzir a dispersão desses perdigotos. Mas não é a única medida que a gente conta para se proteger. Temos que manter 2 metros de distância dos outros e higienizar as mãos”, pontua a médica.

De acordo com Rômulo Neris, virologista doutorando pela UFRJ, pouquíssimas máscaras são eficientes, de fato, para filtrar totalmente o vírus. A mais eficiente, dentre as vendidas comercialmente, é a N95, capaz de reter até 95% das partículas. Mas Neris ressalva que a orientação para a população em geral de se usar máscaras caseiras está correta.

“É verdade que nas máscaras em geral o poro é muito maior do que o vírus. As recomendações da OMS para uso de máscara pela população em geral é no sentido de reduzir a disseminação. Como a gente não consegue mais traçar quem está infectado e quem não está, pela subnotificação, pela falta de testes, recomenda-se que todos usem máscara, porque quando um indivíduo infectado usa, fica reduzida a propagação das gotículas de saliva e aerossóis. Ou seja, fica reduzido o espalhamento dos elementos que carregam os vírus. Eles ficam retidos na máscara, mesmo que seja de pano”, explica Neris.

Ele lembra da importância de se pensar coletivamente. “As pessoas que usam máscara protegem a população à volta dela. Com todos usando, a gente consegue reduzir consideravelmente a propagação de partículas virais pelo ar.”

José Rodrigues, pneumologista da Beneficência Portuguesa de São Paulo, ressalta que estudos já mostram que a utilização de máscara, incluindo a artesanal, combinada ao distanciamento de dois metros entre as pessoas, reduz a chance de contágio a praticamente zero.

“As máscaras artesanais são válidas, sim, e devem ser usadas. Pessoas leigas ou mal intencionadas vêm divulgando esse tipo de informação falsa. As máscaras caseiras servem para bloquear gotículas maiores, e o vírus está nas gotículas. O vírus por si só é menor do que o tecido, só que ele não está ‘solto’ no ar e, sim, dentro da gotícula ou aerossóis, que são as microgotículas. Então a caseira protege numa situação de conversa, para a pessoa circular no supermercado, no contato interpessoal”, afirma Rodrigues.

Com o intuito de reforçar a tese de que as máscaras caseiras são dispensáveis, a mensagem falsa que vem sendo compartilhada questiona ainda: “Sabia que roupas laboratoriais antivírus são quase tão pesadas quanto roupas de astronautas?”

Só que a máscara caseira nunca foi recomendada para profissionais de saúde ou outras categorias que lidam com o vírus diretamente. Estes utilizam máscaras mais vedadas, como a N95, e também aventais, óculos de proteção e outros itens. “O uso de ‘roupa de astronauta’ é para locais em que há grande exposição ao vírus, como ambiente hospitalar e laboratórios de pesquisa”, explica Patricia Canto Ribeiro.

Fonte: Roberta Pennafort, CBN

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