Live Chico da Boleia: Dra. Patricia Canto fala sobre o coronavírus

Pneumologista da Escola Nacional de Saúde Pública esclareceu dúvidas e alertou sobre perigos da doença

A primeira Live Chico da Boleia contou com a participação de Patrícia Canto, pneumologista da Escola Nacional de Saúde Pública, da Fiocruz.

Durante a entrevista, transmitida pelas redes sociais do canal, a especialista falou sobre questões relacionadas à saúde dos caminhoneiros e caminhoneiras, além das formas de prevenção e combate à pandemia de coronavírus.

Patrícia, que atua em pesquisas na área da saúde pública, alertou que a Covid-19 é uma doença com características muito específicas como a alta taxa de contágio e seu potencial de agravamento.

“Com bastante frequência, os acometidos pelo coronavírus podem desenvolver pneumonia viral. As pessoas que desenvolvem a forma grave da doença também podem ter insuficiência respiratória e, por isso, precisam de internação imediatamente na UTI e uso de respiradores mecânicos”, destacou.

Fonte: Ministério da Saúde e Fiocruz

Patrícia também falou sobre uma questão muito importante: os sintomas da doença. O caminhoneiro Adriano Couto dos Santos, de 45 anos, perguntou durante a Live se os sintomas da Covid-19 aparecem todos de uma vez.

Patrícia respondeu que não necessariamente e que eles podem aparecer gradualmente. Há muitos casos, inclusive, que os contaminados ficam assintomáticos por um tempo.

“A pessoa acometida pode começar sentindo um mal estar, dor no corpo, dor de cabeça, de garganta. Também pode aparecer perda de paladar, e também a pessoa pode parar de sentir cheiro. E não precisa ter tudo ao mesmo tempo. Os sintomas vão aparecendo aos poucos”, respondeu a médica.

Patrícia ainda alertou sobre as medidas de isolamento social e de higiene constante. Para ela, essas são as medidas mais efetivas de prevenção e combate ao vírus e, se não forem seguidas à risca, os números de contaminados podem piorar.

“A gente sabe que os trabalhadores de serviços essenciais, como caminhoneiros, profissionais da saúde, de abastecimento, precisam ser poupados por aqueles que podem trabalhar e ficar em casa. O isolamento social é muito importante porque ele evita que a doença se espalhe tão rapidamente. E isso é que traz um transtorno grande aos serviços de saúde. Quando todos adoecem ao mesmo tempo, os serviços de saúde ficam sobrecarregados”, destacou.

Ainda sobre o isolamento social e as medidas que precisam ser tomadas pelas autoridades políticas, a visão da especialista é de que o Brasil não conseguiu, até agora, reunir uma coordenação necessária em termos de políticas públicas para combater adequadamente a pandemia.

“A saída de dois ministros da saúde em pouco mais de um mês tem atrasado a articulação de medidas que precisam ser tomadas em conjunto e em todas as esferas do poder público. Por outro lado, também temos uma dificuldade na realização dos testes, por isso não conseguimos rastrear e notificar adequadamente os casos. O que nós sabemos nesse momento é que existem muito mais casos do que mostram os números oficiais. Nesse momento a gente não consegue fazer o teste em todo mundo e por isso há a chamada “sub notificação””, explicou.

Fonte: Fiocruz

Vacina

Patrícia falou também sobre o que hoje causa a maior expectativa no mundo todo: a vacina.

Na visão da especialista, no entanto, apesar dos avanços nas pesquisas, uma vacina não deve ser comercializada tão cedo, por causa do tempo de realização dos testes necessários para saber sobre sua eficácia.

“Nós temos vários centros de pesquisa no mundo inteiro procurando uma nova vacina contra o coronavirus. Mas ainda não há uma previsão de quando ela estará disponível. As vacinas precisam ser testadas, e depois é que elas são liberadas em larga escala. Isso pode variar, de acordo com as nossas previsões, de um até dois anos”, afirmou.

Em seguida, Patrícia ainda falou sobre a imunidade daqueles que contraíram a doença. Segunda ela, as pessoas que tiveram Covid-19 desenvolvem anticorpos. No entanto, ainda não se sabe se essa imunidade contraída é duradoura ou se é por um curto período de tempo.

Prevenção

A Dra. Patrícia Canto frisou em vários momentos da entrevista a necessidade de se prevenir da doença. A pneumologista falou sobre as formas de prevenção e cuidados com a higiene que os caminhoneiros e caminhoneiras devem ter. Confira abaixo!

  • Higiene das mãos: lavar as mãos adequadamente e por completo (dedos, pulsos, unhas) com bastante frequência;
  • Usar álcool 70% sempre que não for possível lavar as mãos;
  • Sempre usar a máscara, trocando-as a cada 2 ou 4 horas (a troca depende do quanto a pessoa fala, porque isso deixa úmido o tecido da máscara);
  • Ao manusear as máscaras, tocar sempre nos elásticos e não no tecido;
  • Se tiver algum ajudante no trabalho de carga, descarga ou transporte, exigir que use a máscara e que realize a higienização frequente das mãos;
  • Quanto ao uniforme de trabalho, se não conseguir lavar, deixar pendurado em local ventilado e, de preferência, no sol;
  • Cuidado e atenção na manipulação da carga, caixas e engradados. Se possível, higienizar o caminhão e a carga, para evitar que o vírus fique sob superfícies diversas;
  • Evitar tocar o rosto: olhos, nariz e boca.

Patrícia ainda destacou alguns cuidados que os caminhoneiros e caminhoneiras devem ter ao retornar para a casa:

  • Evitar entrar com os sapatos sujos em casa e se for possível lavá-los;
  • Trocar e lavar a roupa imediatamente;
  • Tomar banho com frequência;
  • Ao fazer mercado, higienizar as compras ao chegar em casa. Sacolas e embalagens são potencialmente contaminadas por causa do contato de várias pessoas;
  • Verduras e legumes devem ser lavados e higienizados com produtos específicos;
  • Esses cuidados são essenciais porque o vírus sobrevive em superfícies por até 72 horas.

Fakenews:

Em meio a pandemia, muitas são as informações falsas que recebemos diariamente através das redes sociais. Patrícia Canto alerta que é preciso buscar informações em sites confiáveis e oficiais.

Fonte: Fiocruz

“Meu conselho principal é: não fiquem repassando tudo o que se recebe pelas redes sociais porque nem sempre aquilo é verdade. Procurem sites e informações oficiais como o do Ministério da Saúde, da Fiocruz, das Universidades. Existem telefones como o 136, do Ministério da Saúde para tirar dúvidas. Não repassem notícias das quais não temos certeza porque isso gera pânico e levam as pessoas a tomarem medidas erradas na prevenção, além de se medicarem de forma inadequada”, alertou.

O que esperar para o futuro?

Patrícia Canto acredita que, enquanto não houver uma vacina que imunize grande parte da população contra o vírus, teremos que nos esforçar para construir um “novo normal”. Isso significa ficar em casa, quando possível, evitar aglomerações, respeitar as medidas de distanciamento social e de prevenção.

“O cenário que os pesquisadores têm visto é que é provável que não saiamos totalmente desta. A perspectiva é de que tenhamos “um novo normal” até que se tenha uma vacina. Até lá as pessoas vão ter que usar máscara, manter uma higiene das mãos constante, além de evitar aglomerações”, concluiu.

Se puder, fique em casa. Proteja sua família e os trabalhadores de serviços essenciais.

Para mais informações, consulte os sites:

http://ensp.fiocruz.br/

https://portal.fiocruz.br

https://saude.gov.br/

 

Redação Chico da Boleia

 

 

 

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