Governo diz que diminuíram as vítimas fatais em “rodovia da morte”

A ocorrência de acidentes em trecho da BR-381 em Minas Gerais foi tema de audiência na Câmara dos Deputados.

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Os deputados mineiros que compareceram à audiência da Comisssão de Viação e Transportes querem soluções imediatas para as mortes e para o descongestionamento de via que corta uma região importante economicamente. Gabriela Korossy / Câmara dos Deputados

Em audiência pública na Comissão de Viação e Transportes, nesta terça-feira (26), representantes da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) disseram aos deputados que a BR-381, no trecho que liga Belo Horizonte a Governador Valadares, deixou de ser a “rodovia da morte” e que os números de vítimas fatais diminuíram.

Segundo dados da PRF, nos 303 quilômetros entre as duas cidades, houve uma queda de 33% no número de vítimas fatais em acidentes, entre 2010 e 2014, passando de 171 para 114 mortes. No trecho mais perigoso da estrada, entre Belo Horizonte e João Monlevade, a redução no mesmo período foi de 53%. Apenas neste último trecho, as mortes, que somaram 96 em 2010, caíram para 45 no ano passado.

O superintendente da PRF em Minas Gerais, Guido Mayol, reconheceu, no entanto, que o trecho da rodovia já não suporta o trânsito que recebe. “Uma rodovia que remonta a 1950, construída para atender a 200 veículos ao dia, recebe 20 mil veículos”, contabilizou.

Duplicação
A rodovia, situada em uma região montanhosa e cheia de curvas, está passando por reformas. As obras de duplicação das pistas – hoje é uma rodovia simples, com uma faixa em cada sentido – começaram no fim de 2013. O valor atual contratado é de R$ 2,5 bilhões de reais, e a expectativa é que o serviço esteja concluído até o fim de 2019.

A obra foi dividida em 11 lotes de execução, no regime diferenciado de contratação integrada. Desses lotes, dois estão parados e outros dois ainda em fase de elaboração para posterior contratação das obras. Até agora, foram duplicados 17,82 quilômetros, faltando outros 173,88.

Segundo o superintendente do Dnit em Minas Gerais, Evandro Fonseca, o transtorno causado pela obra e pelos constantes fechamentos da via é inevitável. “Nós estamos falando de 300 quilômetros de obra, com área urbana densamente povoada em alguns lugares, de alto tráfego. Eu mesmo já fiquei preso várias vezes”, disse Fonseca.

Soluções imediatas
Apesar das explicações dos dois, os deputados mineiros que compareceram à audiência querem soluções imediatas para as mortes e para o descongestionamento de uma via que corta uma região importante economicamente.

Na avaliação do deputado Laudívio Carvalho (PMDB-MG), que solicitou o debate, a duplicação é urgente. “Não há condição mais de trafegar caminhão, carreta, carro pequeno e ônibus em uma rodovia de pista simples. Acaba tirando a vida de muitas pessoas, deixando feridos graves em quase todos os fins de semana.”

A sugestão do deputado Rodrigo Pacheco (PMDB-MG) é para que se priorizem os trechos mais perigosos, no caso de uma possível falta de recursos. “Isso já é uma resposta, apesar de não ser a ideal. Em vez de fazer 50% do todo, faz 100% de uma parte no trecho onde há mais acidentes”, pediu.

Segundo Fonseca, as obras em execução já seguem essa lógica.

Efetivo policial
Outro problema apontado pelos parlamentares, entre eles Mauro Lopes (PMDB-MG), foi o baixo efetivo da PRF no estado. A categoria conta com 930 policiais para uma extensão de mais de cinco mil quilômetros de rodovias federais em Minas Gerais.

Guido Mayol explicou que esse efetivo realiza rotinas especiais em pontos críticos, com atividades educativas e de fiscalização, inclusive de embriaguez ao volante. No trecho em discussão, especificamente, há hoje três delegacias da PRF ao longo da via, além de vários pontos com fiscalização eletrônica.

Reportagem – Noéli Nobre
Edição – Newton Araújo

‘Agência Câmara Notícias

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