Scania entrega caminhões a gás natural e biometano e vê potencial no mercado agro

Quatro primeiros veículos entregues no mercado brasileiro foram adquiridos por duas transportadoras. Expectativa da fabricante é vender cerca de cem neste ano

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Caminhões da Scania movidos a gás e biometano. Os primeiros foram entregues nesta semana (Foto: Divulgação/Scania)
 

“Só dos resíduos da agricultura e da pecuária, temos uma possibilidade enorme de gerar biometano e mais barato que o gás natural. Existe esse potencial porque a agricultura brasileira é pujante. Haverá uma aceleração do processo de adoção do biometano”, disse o diretor comercial no Brasil, Silvio Munhoz, que participou, nesta quinta-feira (28/5), de videoconferência com jornalistas.

A entrevista coletiva via internet marcou a entrega dos primeiros quatro caminhões da fabricante movidos a gás natural e biometano para o mercado brasileiro. As unidades foram adquiridas por duas transportadoras que prestam serviços para empresas como L’Oreal e Nespresso. As vendas dos veículos começaram a ser feitas na Fenatran de 2019.

Segundo a empresa, são caminhões vocacionados para percorrer médias e longas distâncias, associando a atividade ao conceito de sustentabilidade e energia limpa. Os motores permitem rodar com gás natural, biometano ou uma mistura dos dois, com a promessa de serem 20% mais silenciosos que os abastecidos com diesel.

“Não é uma aposta, é uma realidade. São caminhões produzidos no Brasil para as necessidades do mercado brasileiro. O gás é hoje o que reúne as melhores condições econômicas e técnicas para ser alternativa viável. O mercado brasileiro está maduro para a solução”, argumentou Munhoz, para quem o maior desafio para a expansão dos caminhões a gás é a formação de uma rede eficiente para o abastecimento.

Segundo o diretor comercial da Scania, entre 40% e 45% dos componentes dos caminhões a gás e biometano são de produção nacional. A empresa tenta viabilizar o fornecimento no Brasil dos tanques de combustível. Munhoz disse que já está tratando com fornecedores do desenvolvimento dos componentes, mas depende de um volume mínimo de demanda.

Em nível global, a Scania contabiliza a comercialização de cerca de 4 mil caminhões desse tipo. Diferente do Brasil, na Europa, por exemplo, há incentivos à utilização desse tipo de combustível, ressaltou Silvio Munhoz. O executivo, no entanto, sinalizou otimismo em relação à possibilidade de redução de carga tributária, levando em conta a pressão da sociedade por sustentabilidade e a disposição da cadeia produtiva de usar o combustível.

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Garantir rede eficiente de abastecimento é desafio para caminhão a gás. Scania tenta nacionalizar desenvolvimento dos tanques de combustível dos seus novos modelos (Foto: Divulgação/Scania)
 

Demanda do agro

Apesar do coronavírus, a companhia vê demanda positiva para seus caminhões a gás e biometano no mercado brasileiro. De acordo com os executivos da Scania, 23 já estão vendidos. A expectativa é chegar a perto de cem neste ano, projeção que já leva em conta os efeitos da pandemia sobre a atividade econômica do Brasil. Desse total, empresas do agronegócio, especialmente do setor de cana, devem absorver entre 30% e 40%.

Atualmente, há dez desses caminhões em demonstração, que já rodaram mais de 230 mil quilômetros. Indústrias de suco de laranja e de cana têm unidades circulando em suas instalações, segundo Munhoz. Ele explicou que, neste momento, a Scania têm dado mais ênfase à versão rodoviária do veículo. E espera a liberação da versão off road, que pode atender a diversas cadeias produtivas.

O diretor de vendas da Scania destacou que empresas do agronegócio têm investido em estruturas para a produção de biometano. Usinas de açúcar e etanol, por exemplo, geram biomassa e, além de poderem fornecer e comercializar o combustível produzido a partir dessa matéria-prima, poderiam consumi-lo no abastecimento das frotas próprias.

“A vantagem do biometano é que ele vai ser produzido onde não tem oferta de gás natural. Por poder ser produzido em qualquer área agrícola, pode gerar polos de distribuição local, sem precisar de grandes gasodutos para isso. Pode ter uma rede local pequena para distribuir o biometano produzido”, disse Munhoz.

Fonte: Globo Rural

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