Reflexos da Fenatran já vão aparecer no último trimestre no mercado de caminhões

O último trimestre será muito importante para se projetar o futuro do mercado brasileiro de caminhões. Desde o segundo trimestre, as vendas engataram uma trajetória de alta, mas ainda insuficientes para reverter as fortes perdas do início de 2017. É muito provável que a indústria atinja um patamar de 50 mil unidades, montante que igualaria o volume feito no ano passado.

De acordo com o último levantamento divulgado pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), foram comercializadas 35,4 mil unidades entre janeiro e agosto, queda de 9% frente ao mesmo período do ano anterior, que registrou 38,9 mil caminhões vendidos.

Realizada em meados de setembro, a última Fenatran transmitiu otimismo por parte dos fabricantes e de todas as empresas que gravitam em torno do mundo dos caminhões, desde fornecedores, passando por sistemistas e provedores de soluções. Negócios foram fechados na feira, já projetando uma movimentação maior do setor para um futuro próximo.

Todos os executivos demonstraram muito entusiasmo em suas apresentações. Novas soluções e produtos foram desenvolvidos para divulgação a partir da Fenatran, que é o maior evento do setor na América Latina. Clientes de várias partes do continente e do mundo estiveram reunidos em São Paulo para acompanhar o mercado de caminhões no Brasil.

Produção

Se as vendas ainda dependem de muitas ações para se realizarem daqui para frente, o mesmo não se pode dizer sobre a produção de caminhões. O quadro é de total alívio. Tanto que a Anfavea mantém a projeção de produção de caminhões e ônibus de 101 mil unidades para este ano, o que representará crescimento de 28% sobre o mesmo resultado obtido em 2016.

O crescimento expressivo da produção se dá em razão das exportações, que acumulam entre janeiro e setembro 566 mil veículos vendidos ao exterior – ante a 363 mil comercializados no mesmo período do ano passado. A alta das exportações é de 56%. Em valores, o crescimento é de 40%, atingindo US$ 12 bilhões.

Todo o volume exportado trouxe um alento à cadeia da indústria de caminhões, que movimenta no Brasil uma infinidade de fornecedores, desde o aço até as autopeças. Essa movimentação ajudou a indústria local a ver o horizonte e aos poucos fazer um deslocamento da política, cuja instabilidade ainda prejudica os negócios.

Todos os executivos da indústria estão confiantes que, a partir do ano que vem, a indústria vira uma das piores páginas da sua história. A tendência é que o mercado interno siga uma trajetória de alta, porém, sem os grandes saltos do passado, que acabaram de certa forma, contribuindo para a instabilidade de agora.

As taxas de juros tendem a ser mais moderadas com a queda da inflação, porém, o país não pode mais contar com subsídios, que acabaram causando antecipação de compra. Também não está no curto horizonte mudanças tecnológicas profundas determinadas pela legislação, como o Euro 5, que também acabou impulsionando as vendas a compradores que não queriam arcar com os custos de motores mais modernos e eficientes.

Diante dos fatos, a indústria de caminhões e ônibus começa a ter uma recuperação mais consistente. A economia de fato só estará a plena carga, quando as encomendas de veículos pesados aumentarem o ritmo.

Fonte: Future Transport

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