PPI é responsável pela alta no preço dos combustíveis

Somente em 2021, a gasolina e o diesel sofreram reajustes praticamente mensais. (Foto: divulgação/Chico da Boleia)

PPI é responsável pela alta no preço dos combustíveis

Especialista explica como a política afeta o mercado nacional e as consequências do desmantelamento da Petrobras

Redação Chico da Boleia

Nesta segunda-feira (16), o Chico da Boleia retomou a série de lives trazendo um convidado especial para debater um dos temas que mais aflige o brasileiro, os aumentos consecutivos no preço dos combustíveis.

Somente em 2021, a gasolina e o diesel sofreram reajustes praticamente mensais, o que levou parte da categoria do setor de transporte rodoviário de cargas a realizar manifestações em todo país.

Deyvid Barcelar, funcionário da Petrobras, coordenador geral da Federação Única dos Petroleiros (FUP) e diretor do Sindicato dos Petroleiros e Petroleiras do Estado da Bahia (Sindipetro – BA), explica que o processo de desmantelamento da estatal ocorre há anos e, desde o governo Temer, a situação agravou-se trazendo prejuízos não só para a empresa, mas para a sociedade brasileira.

Uma das principais polêmicas gira em torno da política de preços praticada pela Petrobras – e responsável pelos aumentos consecutivos nos preços dos combustíveis. O Preço de Paridade de Importação (PPI), imposto pelo governo Temer, tem como base o mercado internacional, ou seja, segue a alta do dólar, resultando em reajustes constantes no preço dos combustíveis.

– Vale ressaltar que somente no segundo trimestre de 2021, a empresa teve o lucro de R$ 42 bilhões devido a comercialização dos derivados do petróleo por preços altíssimos, garantindo lucros para os acionistas, e nada para os trabalhadores e sociedade – destaca Bacelar. Enquanto isso, a população chegou a pagar R$ 7 pelo litro da gasolina em alguns estados e mais de R$ 100 pelo gás de cozinha.

Deyvid explica que uma manobra do governo anterior – e mantida pelo atual – tem garantido a privatização da Petrobras e a venda das empresas de engenharia nacionais, que comercializavam tecnologia para outros países, gerando renda para o mercado nacional.

Por conta do desgaste da imagem da empresa, da mudança da política de preços e da privatização, o consumidor brasileiro tornou-se o principal prejudicado, pagando por produtos nacionais pelo valor de importados.

Questionado sobre a privatização da rede de distribuição, Deyvid explica que os trabalhadores da Petrobras veem de forma criminosa a medida, que lesa o patrimônio nacional. “Esses postos BR que vemos por aí não pertencem mais a Petrobras. As ações foram todas vendidas na bolsa de valores. A BR Distribuidora – a segunda maior empresa do Brasil – foi dissolvida na bolsa de valores e era responsável pela “caixa registradora” do Sistema Petrobras. Ela foi vendida e nem sabemos quem são os compradores. Todo esse processo visa apenas maximizar lucros e quem sofre as consequências são os brasileiros”.

– A Petrobras ainda é uma empresa nacional, responsável pelo abastecimento do país e por seu desenvolvimento, cujo maior acionista é a União – e quem representa a União é o presidente da república. Como representante do acionista majoritário, o governante tem poder para interferir em decisões que possam ferir os interesses do estado, da população. Mas como o governo Bolsonaro se rendeu aos interesses do capital estrangeiro, a Petrobras perdeu seu caráter nacional, de desenvolvimento, para garantir apenas o lucro dos acionistas – revela Bacelar.

O governo atual insiste que o alto valor dos combustíveis é culpa dos estados, que “aumentam” o Imposto de Circulação de Mercadorias e Serviço (ICMS). Deyvid explica que o imposto sempre existiu e os estados seguem cobrando. Entretanto, mesmo que houvesse aumento significativo no ICMS, não seria suficiente para afetar o valor dos combustíveis (como o governo Bolsonaro que fazer acreditar). O problema é o PPI, praticado pela Petrobras, que nos últimos meses já reajustou o valor da gasolina em 51%. E a presidência permite que a prática seja mantida, prejudicando a estatal que perde o poder de participação no mercado, e a população brasileira.

– Quando a gasolina, por exemplo, custava R$ 2, o valor do ICMS era praticamente o mesmo. O que existia era uma política de preços justa dentro da Petrobras – ressalta o especialista.

Confira a entrevista completa em nosso canal no Youtube. Clique aqui.

Sobre o PPI

O Preço de Paridade de Importação (PPI) atrela o valor dos combustíveis a três vetores: o preço do barril de petróleo ao mercado internacional, câmbio do dólar e os custos de importação de derivados de petróleo.

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