Enfim, Santarém!

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Equipe do Caminhos é coroada com um belo arco-íris (Foto: Editora Globo / Emiliano Capozoli )

O caminhão do projeto Caminhos da Safra deixou o distrito de Miritituba, no Pará, em direção ao chamado “trevo do 30”.  Seguimos em frente. Nesse ponto, a rodovia que nos trouxe do estado de Mato Grosso se funde com a Transamazônica. Tomar este caminho significa retomar o trajeto por terra.

Placas apontam limite de velocidade de 40 quilômetros por hora, mas, pela situação da rodovia, é praticamente impossível passar dos 30. Logo nos primeiros quilômetros, outra placa informa que “esta é uma obra do governo federal”, mas até ali, nada de máquinas trabalhando. Havia ainda outras, que nos recomendavam reduzir a velocidade, como se a estrada já não fosse lenta o suficiente, e até as que alertavam sobre lombadas, como se só onde houvesse a placa elas lá estivessem.

“Assim deve levar um mês para atravessar a Transamazônica”, ironizou o repórter fotográfico da nossa equipe, Emiliano Capozoli. Pode até não levar todo esse tempo, mas a observação não deixa de ser um bom indicativo da situação. Salvo algumas exceções onde se chega à velocidade limite, qualquer tentativa de acelerar um pouco mais pode danificar o caminhão – ainda sem a saia do para-choque dianteiro – tamanha a quantidade de buracos.

caminhos-da-safra-segunda-etapa-lombada (Foto: Editora Globo / Emiliano Capozoli )

A Transamazônica é outra daquelas estradas que contraria o que se aprende nas autoescolas. Livrar-se da buraqueira é a única norma. Em alguns pontos, a trilha formada pelos veículos é só de um lado da pista. Os caminhões, por exemplo, vão se “dividindo na preferência”, para evitar passar pelo lado sem o traçado demarcado onde a terra está mais compactada. Nas primeiras três horas de viagem, tínhamos rodado apenas 40 quilômetros.

Depois da nossa parada em Divinópolis, distrito do município de Rurópolis, a estrada de terra – com ladeiras que exigem do caminhão e da habilidade do motorista – é intercalada por trechos curtos de asfalto que em praticamente nada modificam o nosso ritmo de viagem. Com chuva, controlar o bitrem de sete eixos fica ainda mais difícil nas exigentes ladeiras, mas a mudança de tempo nos permite registrar um arco-íris. Alheio às condições da estrada, em diversos pontos, a Transamazônica oferece vistas de belas paisagens.

Um ponto positivo é que, depois de tantos quilômetros percorridos, pela primeira vez em sete dias na estrada, além de placas, vimos máquinas e homens trabalhando. Considerando o que havíamos percorrido, eram poucas as frentes de trabalho. Uma delas trabalhava em uma ponte, enquanto ainda era necessário atravessar, ao lado, mais uma daquelas estreitinhas, de madeira.

caminhos-da-safra-segunda-etapa-transamazônica (Foto: Editora Globo / Emiliano Capozoli )

Foram necessárias sete horas de viagem para chegarmos a Rurópolis. Rodamos cerca de 150 quilômetros. Contornando a entrada da cidade e virando à esquerda, voltamos à BR-163. Mais 220 quilômetros estavam à nossa frente até Santarém. Neste último trecho, a maior parte da rodovia é asfaltada, mas há algumas partes mais curtas de terra batida. No asfalto, muitos buracos. Na terra, mais ladeiras bastante exigentes. “É só um pedacinho de estrada de terra, mas é bem difícil”, comentou Tadeu Roberto, nosso motorista.

Passados esses trechos, uma placa informa que estamos a 98 quilômetros do nosso destino, todo de estrada asfaltada. Já era noite e em alguns poucos momentos chegou a chover. A boa notícia é que quase não há mais buracos. Seguimos assim até chegarmos a Santarém.

Só por curiosidade, em uma consulta rápida, o Google Maps informa que entre Nova Mutum (MT) e Santarém (PA), que levamos sete dias para percorrer, a distância é de 1,530 mil quilômetros, seguindo exatamente o percurso que fizemos, pela BR-163. Segundo o Maps, “sem trânsito”, a viagem leva 23 horas e 28 minutos. Qual seria o resultado do cálculo se a variável considerada fosse “sem estrada”?

Fonte: globo rural

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