Caminhoneiros param ou não param?

Representantes da categoria tem novo encontro com o governo nesta quarta-feira em Brasília

POR RAPHAEL SALOMÃO, DE SINOP (MT)

 

Adesivo protesto caminhoneiros (Foto: Emiliano Capozoli / Ed.Globo)
Protesto estampado no caminhão: tabela de frete é reivindicação do setor. (Foto: Emiliano Capozoli / Ed.Globo)

No rádio do caminhão, a faixa era “Tocando em Frente”, um clássico de Almir Sater. A saída da equipe do Caminhos da Safra, em Nova Mutum, foi com tempo nublado, um pouco de chuva, alguns buracos e trechos de pista sem sinalização.

Já em Lucas do Rio Verde, o que não vimos foi movimentação de cargas. Parte por causa do feriado do Dia de Tiradentes. Mas quem vive o dia a dia do transporte não deixa de mencionar um clima de cautela por conta das eventuais paralisações de caminhoneiros, que podem ocorrer a partir da meia-noite desta quinta-feira (23/4), dependendo dos resultados da reunião marcada para esta quarta-feira (22/4) entre representantes da categoria e o governo, em Brasília às 14h.

Pelo que pudemos ouvir de transportadores, o que se quer é evitar riscos de ficar com carga parada no meio da estrada. Em diversos pontos da rodovia e postos de combustível, caminhões estacionados e sem sinal aparente de que sairiam carregados.
“O patrão já mandou encostar o caminhão. Vou aproveitar e fazer alguma manutenção”, disse Jonas Ângelo, gaúcho de Sarandi que vive há 30 anos em Lucas do Rio Verde e trabalha com caminhão desde 2002, “puxando” soja, milho e algodão. “Da outra vez, estava em Luís Eduardo Magalhães (BA) com o caminhão carregado. Fiquei seis dias parado”, contou, depois de estacionar na área de um posto de combustíveis, à beira da 163.

Caminhoneiro parado (Foto: Emiliano Capozoli / Ed.Globo)

Júnior Borcoli é um dos organizadores da mobilização em Mato Grosso. Ele explicou que a principal reivindicação é uma tabela com preços mínimos de frete rodoviário. “Se não for atendida, logo que a gente souber do resultado, vamos parar.” Borcoli é dono de uma empresa com 10 caminhões, que transportam calcário, pedras e também grãos. “O frete de grãos está, em média, R$ 25 por tonelada mais baixo que no ano passado. Está muito defasado.”

Segundo ele, a categoria vai ficar “de prontidão”. Só em Lucas, disse, são cerca de cem. E bloqueios de estradas estão sendo preparados em diversos municípios desde Rondonópolis até Guarantã do Norte, na divisa com o Pará. “Cada cidade tem uma equipe pronta. Se o movimento estiver com dificuldade em um ponto, vai outra turma ajudar”, garantiu o transportador, embora não tenha especificado quem seriam as lideranças dos protestos em outros locais. Em Rondonópolis, município que concentra grande número de caminhões devido a presença de terminais de transbordo de cargas para trens, o fluxo está 60% abaixo do normal, conforme os motoristas.

Mobilização

Protesto em Mato Grosso (Foto: Ademir Zanesco / Divulgação)

Diversas barricadas já estão sendo montadas em cruzamentos e trechos importantes para o transporte de mercadorias no Centro-Oeste. Tendas, pneus e faixas que estampam as reivindicações da categoria anunciam a paralisação caso o governo não atenda os pedidos dos motoristas. A comunicação entre eles ocorre em grupos de conversa coletiva pelo celular.

Pé na estrada
Em meio a essa expectativa do que pode acontecer nas estradas entre esta quarta e quinta-feira, nossa equipe de reportagem segue rumo ao Norte do Brasil, a bordo de um caminhão. A próxima parada é Sinop, a chamada “Capital do Nortão”. No município, termina a parte mato-grossense da BR-163 concedido à iniciativa privada. A partir de agora, a rota até Santarém (PA) seguirá por trechos de responsabilidade do poder público. Segundo especialistas em logística, há a expectativa de que ainda neste ano seja lançado o estudo para a concessão da BR-163 até Miritituba (PA), importante ponto de escoamento da safra e um dos nossos destinos nesta viagem. Vamos ver o que nos espera.

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