Após greve dos caminhoneiros, motoristas enfrentam lista de espera para fazer conversão para GNV

Foto: Aniele Nascimento/Gazeta do Povo

Gás Natural Veicular (GNV) era o único combustível que não teve fornecimento interrompido durante a paralisação; oficinas para conversão têm agenda fechada para pelo menos um mês

Desde a greve nacional dos caminhoneiros, quando motoristas enfrentaram filas quilométricas para encontrar gasolina e álcool em todo o país, proprietários de veículos de Curitiba estão “correndo” às oficinas que adaptam os tanques ao Gás Natural Veicular (GNV). O gás era o único combustível que não teve fornecimento interrompido durante a paralisação, e perceber essa e outras vantagens está chegando a causar filas de espera de até um mês para fazer a conversão do combustível.

O motivo de o GNV não ter acabado durante a greve é que o combustível chega aos postos por meio de gasoduto – uma tubulação subterrânea – e não por estradas. Mas, além dessa garantia, os motoristas procuram a mudança pelo gasto menor com combustível no dia a dia e até preocupação ambiental – já que o gás natural libera menos poluentes no ar.

Outro aspecto que chama a atenção é a diminuição do Imposto sobre a Propriedade de Veículo Automotor (IPVA), incentivo do governo do Paraná que faz o imposto cair de 3,5% para 1% ao ano. Foi justamente esse o motivo inicial para Anderson Gallina, motorista de aplicativo em Curitiba, escolher fazer a conversão de seu carro. “Mesmo antes de ser motorista de aplicativo, eu já usava carro a gás, por causa do desconto do IPVA. Vale muito a pena”, avalia.

Essas e outras conclusões fizeram com que, logo na segunda-feira após a primeira semana da greve dos caminhoneiros, as vendas dobrassem na Master Conversões, loja especializada no bairro Rebouças. “Desde o fim da paralisação, eu tive que contratar três funcionários novos, e mesmo assim só tenho agenda para o mês de agosto”, surpreende-se Julio de Oliveira, proprietário do estabelecimento.

Já na loja Gasflex GNV, também no Rebouças, ainda durante a greve os telefones não paravam de tocar, e quatro vezes mais vendas foram concretizadas. “Depois desse momento em que as pessoas entraram em pânico, porém, ainda tivemos muita gente marcando horário para a conversão. Enquanto antes fazíamos cerca de duas por dia, agora estamos fazendo de quatro a seis”, calcula a gerente de vendas Adriana Carpe. A alta demanda fez com que a oficina passasse a ter a agenda cheia por cerca de 30 dias – e poderia ser ainda mais, caso o estabelecimento tivesse estoque de tanques suficiente para tal.

O principal público das conversões é formado por quem trabalha dirigindo, de acordo com quem trabalha com conversões, e não pode se dar ao luxo de deixar o carro na garagem durante uma nova crise. Motoristas de aplicativo, taxistas e até mesmo vendedores integram esse grupo, mas, de acordo com Adriana, o número de motoristas não-profissionais aderindo ao gás não para de crescer.

Custo de instalação

Um dos maiores obstáculos para a instalação do tanque de gás é o preço do chamado “kit GNV”, que é o procedimento que permite o uso. Nas lojas consultadas pela reportagem, o valor oscila entre R$ 4 mil e R$ 5 mil – e também teve aumento com o crescimento da demanda. “As lojas não queriam aumentar o preço, mas com a alta procura, vários produtos começaram a faltar nos fornecedores, que trocaram por itens mais caros”, esclarece Oliveira. Também passou a ser necessário, de acordo com Adriana, importar tanques da China para dar conta de atender os pedidos.

De acordo com a Companhia Paranaense de Gás (Compagás), concessionária responsável pela distribuição combustível no estado, é importante procurar uma oficina credenciada pelo Inmetro para fazer a conversão. Conforme dados do Detran, são 17 oficinas são credenciadas em todo o Paraná.

Comparativo de preços

De acordo com Gallina, foi colocando na ponta do lápis que a necessidade de trocar de combustível se mostrou essencial para economizar. “Eu faço até 11km com 1m³ de gás, que sai cerca de R$ 2,70. Enquanto isso, quando eu usava carro com álcool, eu conseguia rodar 6 km por litro, com cada litro custando R$ 2,69. É uma economia de quase 40%”, calcula o motorista.

Segundo levantamento da última semana de junho da Agência Nacional de Petróleo (ANP), a média de preços da gasolina em Curitiba é R$ 4,3 o litro. Enchendo um tanque padrão de 75 litros, seriam R$ 322 gastos. Já o GNV sai por R$ 2,70 o metro cúbico. Enchendo um tanque padrão de 15 m³, seriam R$ 40 reais. É importante lembrar, no entanto, que um tanque de 75 litros de gasolina não tem a capacidade de rodar o mesmo tanto que um tanque de 15 m³ de gás.

Para fazer uma simulação comparativa de uso de GNV e outros combustíveis, é possível acessar o site da Compagás e digitar os valores e dados do seu veículo.

Outros combustíveis

De acordo com Rafael Melo da Silva, um dos diretores da rede Postos Pelanda, em Curitiba, a procura pelo GNV não têm afetado significativamente as vendas dos outros combustíveis. “O mercado de gasolina e álcool está em retração, mas aqui na cidade nós temos tido crescimento com esses produtos”, contrapõe.

Dados da ANP divulgados no dia 29 de junho demonstram essa expansão: em 2017, as vendas de derivados de petróleo pelas distribuidoras registraram crescimento de 1,3%, depois de dois anos consecutivos de queda.

Mesmo assim, o interesse em ampliar o fornecimento de GNV existe. “Dos nossos 10 postos, apenas um vende gás natural. Nós queremos muito expandir para outras unidades, mas isso depende de liberação da Compagás para que o GNV seja vendido”, explica Silva.

Fonte: Gazeta do Povo

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