Uma BR feita de histórias

Ministério dos Transportes libera trecho da BR-101 em obra há 10 anos entre Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Durante o período em que esteve em obras, a BR acumulou muitas histórias. 

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O ministro dos Transportes, Portos e Aviação Civil, Maurício Quintella, determinou ao DNIT/Santa Catarina a liberação ao público da Ponte sobre o Rio Tubarão, marcando o final das obras de duplicação da 101 Sul no estado. O anúncio foi feito no início de outubro.

A ponte era a última obra de arte que faltava para que os 248,5 km da BR101 Sul, entre o município de Palhoça e a divisa com o Rio Grande do Sul, estivessem totalmente interligados, beneficiando 19 municípios e mais de um milhão de pessoas. A duplicação da BR101 Sul começou há 10 anos e custou R$ 3 bilhões.

Da divisa com o Paraná até a divisa com o Rio Grande do Sul, A BR possui 493,5 quilômetros – 245 são da 101 Norte, entre Palhoça e a divisa paranaense. Além da duplicação, as obras da 101 Sul envolveram a construção de 45 viadutos, 16 passarelas, 29 pontes, 71 passagens inferiores para pedestres, 10 interseções, 4 travessias, 8 acessos e 47 passa faunas. A Ponte do Rio Tubarão tem 340 metros de extensão e custou R$ 22 milhões.

HISTÓRIA FEITA DE GENTE

O casal de aposentados João Batista e Maria dos Reis mora há 61 anos em um sítio em frente ao último trecho duplicado da BR 101, em Tubarão/SC. Quando chegaram, a pista era só um sonho que ajudaram a realizar doando parte do terreno onde viviam. “Seu” João assistiu o começo da obra. Fazia questão de ir todos os dias “inspecionar” o andamento:

Já o caminhoneiro Joel Cristóvão, afirma que com a liberação da ponte “vai ficar uma beleza”. “O caminhoneiro não terá mais do que reclamar. Era o que faltava para o nosso caminho ficar 100%”, opina. Nessa estrada passam diariamente 30 mil veículos, 60% deles dirigidos por caminhoneiros como Cristovão. A ponte vai reduzir seu tempo de viagem em torno de 5 horas.

“O percurso de 70 quilômetros feito em sete horas no verão poderá ser feito em uma hora e meia de viagem”, afirma o presidente do Sindicato das Empresas de Logística e Transportes de Cargas da Região da Amurel, Beto Lima. No verão aquele fluxo de veículos dobra.

A BR 101 é um dos principais corredores de turismo no sul do país. No último verão, oito milhões de turistas visitaram o estado, a maioria deles dirigindo rumo às praias do litoral. Até o último verão, Tubarão era um dos quatro alertas da PRF (Polícia Rodoviária Federal) na rodovia – os outros são o Morro dos Cavalos, em Palhoça, porque para permitir o tráfego em pista dupla não foi construído acostamento; o entorno da Grande Florianópolis, na saída da Ilha; e na região do Litoral Norte, entre Porto Belo e Bombinhas. Nestas, o problema é o fluxo intenso em razão do número elevado de turistas.

A Polícia Rodoviária Federal informa que das 455 mortes registradas em 368 acidentes fatais nas rodovias federais do estado em 2015, 128 foram na BR 101, 28% do total. Quase metade dos acidentes envolve caminhões e carretas e o número deles cresce com a aproximação do verão.

A duplicação baixa o chamado “custo Brasil”, possibilitando a interligação multimodal dos pólos produtivos ao Porto de Imbituba, assim como a interligação econômica regional, nacional e internacional.

A rodovia tem o poder de transformar Santa Catarina num grande pólo econômico. “A 101 Sul foi pensada para melhorar a vida de quem mora ou passa por aqui e para transformar o estado em um grande polo econômico”, conta o engenheiro Avani Aguiar, desde 1973 no Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT).

A 101 Sul vai trazer benefícios econômicos para Santa Catarina, colocar o estado no mapa de um dos mais modernos corredores de transportes do país e trazer conforto e segurança para sua população. A rodovia que o casal João e Maria ajudou a construir com a doação de um pedacinho de seu terreno combina o desejo de viajar mais rápido e com segurança do caminhoneiro Cristovão; com a vontade de Bortoluzzi de ter um estado economicamente forte; e com o “pensamento” de Avani de melhorar a vida das pessoas que passam e moram ali”.
A 101 Sul junta tudo isso ao fato de ser a primeira obra da América Latina a desenvolver, junto com a execução da obra, um Plano de Ações de conscientização ambiental. Durante seus 10 anos de construção, conscientizou trabalhadores e a comunidade local sobre a preservação do meio ambiente. Ao todo, foram mais de 65 mil pessoas conscientizadas, 22 programas socioambientais e a recuperação de 148 áreas de jazidas encontradas ao longo da BR durante as obras.

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Redação Chico da Boleia TEXTO: Ministério dos Transportes

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