Principais lideranças do setor TRC não apoiam mobilização prevista para amanhã (7)

A preocupação é com o tom adotado pelos manifestantes e com o conteúdo divulgado, que incentiva os caminhoneiros (as) a aderirem a atos antidemocráticos e ao fechamento de rodovias. (Foto: arquivo/Agência Brasil)

Principais lideranças do setor TRC não apoiam mobilização prevista para amanhã (7)

Atos foram convocados, principalmente, por grupos em redes sociais e aplicativos de compartilhamento de mensagens

Redação Chico da Boleia

Incentivados pelo presidente Jair Bolsonaro, trabalhadores do setor de transporte rodoviário de cargas, especialmente os caminhoneiros autônomos, anunciaram apoiar as manifestações convocadas para 7 de setembro, Dia da Independência do Brasil.

Entretanto, as principais entidades do segmento já comunicaram aos seus associados e a imprensa que não compactuam com os atos previstos para amanhã. Dentre elas está a Confederação Nacional dos Caminhoneiros e Transportadores Autônomos de Bens e Cargas (Conftac) que, em reunião com os seus integrantes, decidiu que nenhuma entidade representativa irá apoiar qualquer manifestação. O presidente da Conftac – que reúne 34 sindicatos em todo país -, André Luís Costa, disse que o movimento não tem relação com as pautas dos caminhoneiros, mas sim um caráter cívico e político.

Já a Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA) afirmou, em nota. que “sempre apoiará as ações que refletem os interesses coletivos da categoria, com respeito à ordem pública, às instituições, às leis e à sociedade como um todo”. Mas, com relação as manifestações anunciadas para esta terça-feira (7), a entidade entende que “trata-se de um dia de atos pelo país organizados pela população, convocados e divulgados nas redes sociais e em grupos de aplicativos de mensagens e que não carregam em seu escopo nenhuma reivindicação específica relacionada à atividade profissional do caminhoneiro autônomo”.

A CNTA destaca que qualquer ação do trabalhador na data representa sua vontade individual, que tem o direito de livre manifestação e liberdade de expressão, mas não representa as demandas da categoria.

Parte das convocações estão vindo de grupos de aplicativos de compartilhamento de mensagens pelo celular e redes sociais. A preocupação é com o tom adotado pelos manifestantes e com o conteúdo divulgado, que incentiva os caminhoneiros (as) a aderirem a atos antidemocráticos e ao fechamento de rodovias. As demandas incluem a volta do voto impresso e o impeachment dos ministros do Superior Tribunal Federal (STF) – os quais são amplamente apoiados pelo próprio presidente Bolsonaro.

As demandas atuais do TRC – a redução do preço dos combustíveis e a regulamentação do valor do frete – ficaram de “fora” das manifestações previstas para o Dia da Independência.

O Conselho Nacional do Transporte Rodoviário de Cargas (CNTRC), divulgou uma nota de repúdio, na qual destaca que “apesar da garantia constitucional das manifestações por direitos, repudia veementemente qualquer ato que viole as balizas constitucionais, qualquer pretensão de paralisação das atividades para fins exclusivamente políticos”.

– Ciente das dificuldades enfrentadas pelos caminhoneiros em todo o país, como o alto preço do óleo diesel, os baixos preços dos fretes ofertados, falta de infraestrutura nas rodovias, tarifas de pedágios elevadas e ausência de fiscalização eficiente das leis que protegem a categoria, infelizmente o atual chamamento para paralização não possui qualquer pauta específica em favor da categoria dos transportadores autônomos – destaca a entidade.

O próprio Ministério da Infraestrutura (MInfra) afirmou, por meio de nota, que as principais lideranças do setor não apoiam as manifestações e que “mantém diálogo contínuo com a categoria do transportador autônomo e não identifica nenhuma mobilização setorial para as próximas semanas”.

*Com informações do Correio do Povo

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