O Homem de Gelo da PETRONAS, em Interlagos.

Durante o mês de novembro, a categoria mais charmosa do automobilismo mundial se faz presente novamente no Brasil. Sendo um dos circuitos mais velozes, com seu traçado dinâmico, de curvas complexas de baixa e alta velocidade e retas em que os bólidos ultrapassam os 315 km/h na sétima marcha, Interlagos é palco da penúltima etapa do campeonato 2016 de Fórmula 1.

Por isso, a PETRONAS Lubricants International, divisão internacioanl de lubrificantes da PETROBRÁS e principal patrocinadora da equipe Mercedes AMG Petronas Formula One Team, convidou a imprensa para uma coletiva exclusiva com o líder do campeonato, o piloto Nico Rosberg. E a equipe do Chico da Boleia estava lá para conferir.

O encontro aconteceu no dia 09 de novembro no salão de palestras do Hotel Hyatt, em São Paulo, um dos mais luxuosos da região do Morumbi – local condizente com as tradições da bilionária categoria. Numa manhã ensolarada, os repórteres encontravam-se ansiosos em seus respectivos lugares, servidos de um belo café da manhã oferecido pela assessoria da PETRONAS. A água veio numa garrafinha personalizada que mais parecia a embalagem de um aditivo para fluído de radiador. Apesar do ambiente descontraído, ao entrar na coletiva, Nico tinha a pressa em seu caminhar. Levava consigo a expressão fechada com as pestanas arqueadas e a visão focada, sinais típicos de um “pré” campeão determinado. Acenou para todos e tomou seu lugar entre os holofotes e flashes.  Era o início da coletiva.

De cara, Rosberg foi questionado sobre seu melhor momento na temporada de 2016 e após pensar um pouco respondeu ainda na dúvida: “Ok, acho que talvez em Singapura. Durante todo o final de semana eu estava ficando atrás da Red Bull, que estava tentando uma estratégia diferente. Pressionaram-me no final da corrida e ainda assim consegui ganhar por quatro décimos de segundo. Foi muito excitante e com certeza um dos melhores momentos.”.

Dentre as perguntas realizadas, tantas especiais e de sentimentos únicos que poderiam descrever a trajetória de um piloto de sucesso com toda certeza, nenhuma delas cativa mais o público brasileiro como a que pretende descrever como é correr no Brasil e a influência dos pilotos brasileiros em sua carreira, em especial, Ayrton Senna:

“Eu conheço bem a historia do esporte aqui no Brasil e entendo que vocês tiveram pilotos realmente fenomenais no passado. Eu adoro assistir as corridas antigas. Nos últimos dias eu acessei o Youtube e assisti o melhor de Ayrton Senna, o melhor de Alain Prost. Eu realmente gosto da história. Então, este é realmente um lugar especial, é uma pista lendária. […] É mais especial ganhar em corridas históricas, onde o esporte tem muitos seguidores como aqui no Brasil. Realmente faz uma certa diferença, então estou muito orgulhoso de ter ganhado as duas últimas corridas aqui e seria ótimo ganhar a terceira seguida.”, afirmou o piloto.

 Rosberg foi questionado se a torcida brasileira ajudava na corrida. “Se eu olhar para as minhas redes sociais tenho tantos fãs brasileiros me seguindo, que é muito legal ver quantas pessoas daqui me apoiam. É fantástico! Sou muito feliz e agradecido por isso, e é claro que as vitórias dos últimos dois anos ajudaram nisso, então com certeza seria fantástico estar lá (pódio) novamente e estou ansioso para ter o suporte da torcida [..] Será um grande final de semana.”, respondeu sem se esquecer de seus atuais fãs Talvez um dos momentos mais legais da coletiva foi quando Nico respondeu sobre o início da sua trajetória como piloto, a importância do Kart na infância e as primeiras lembranças das disputas de kart contra Lewis Hamilton.

 “Dirigir kart é realmente legal para aprender à pilotar. Você aprende tanto sendo tão jovem; como disputar com os outros caras, todo o lado mental envolvido, até mesmo ajustes de carro e tudo o mais. […] então eu só tenho que aconselhar as crianças que querem ser pilotos à começarem por lá.”, destacou Nico.

As corridas entre ele e Hamilton começaram quando eles tinham apenas 13 anos. “Eu me lembro, é claro, das disputas que tínhamos quando éramos juniores, e sinto como se estivesse brigando com ele durante toda a minha carreira como piloto. É como se ele sempre fosse o meu rival. Nós tivemos momentos ótimos no kart, sempre brigando pelos campeonatos até mesmo naquela época. E eu me lembro de que uma vez estávamos de férias, em 2000, sentados num restaurante, só nós dois e dissemos: “imagine se a gente estiver na melhor equipe de Fórmula 1 e estivermos brigando pelo campeonato mundial?”, e agora, dezesseis anos depois, já é o terceiro ano que isso acontece repetidamente.”, lembrou.

Mantendo a forma descontraída, a equipe do Chico da Boleia, representada na ocasião por Yuri Riberti, perguntou à Nico se ele conhecia a Fórmula Truck no Brasil e se ele pretendia participar de outras categorias no futuro. Demonstrando um dos raros sorrisos tranquilos, Rosberg respondeu ao Chico afirmando: “Desconheço a categoria, mas acredito que deve ser bem aguerrida como as outras estilo FIA. […] Por enquanto não penso no futuro longínquo, quero curtir ao máximo o momento que vivo.”.

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A coletiva ia tomando a reta final e o Ice Man, ou Homem de Gelo, como é conhecido no universo da F-1, em nenhum momento desfez de sua simpatia alemã. Conversou como quem queria passar o seguinte recado: “farei de tudo para coroar meu campeonato neste final de semana!”.

 Porém, a sorte e o talento do piloto não foram suficientes para parar o brilhantismo de seu companheiro de equipe, e rival desde criança, Lewis Hamilton, que venceu uma corrida caótica e de início entediante. Foram ininterruptas entradas de safety car, rodadas inexplicáveis, fãs no autódromo vaiando as decisões da direção de prova. Mesmo assim, o Grande Prêmio de Interlagos contou com a despedida emocionante de Felipe Massa, que saiu ovacionado após sua batida. Massa percorreu o Autódromo, chorou ao ser recebido pelas equipes adversárias, carregou a bandeira do Brasil e selo, como belo anfitrião que sempre foi, sua despedida.

Na bandeirada final, manteve-se incendiada a disputa pelo título mundial, que acontecerá na última corrida, dia 27 de novembro, no circuito de Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos.

E falando do inglês, esta foi a sua primeira vitória no GP do Brasil em toda a sua carreira. Mas Hamilton parecia que estava mais preocupado em celebrar a realização de um sonho do que em fazer contas para o campeonato. Fã declarado do brasileiro Ayrton Senna, o piloto não escondeu a emoção por vencer no lugar onde o ídolo construiu boa parte de sua história:

“Agora eu vou viver o momento, esse foi o meu sonho desde que vi o Ayrton aqui. É a corrida que eu sonhava vencer desde pequeno, quando assistia pela TV. Depois de alguns anos tentando ganhar aqui, altos e baixos, emoções, é sempre um GP difícil de ganhar” comentou o vice-líder do campeonato.”, declarou Hamilton à imprensa.

O mundial segue em aberto com Nico Rosberg em primeiro lugar somando 367 pontos. Lewis Hamilton vem em segundo com 355 seguido de, Daniel Ricciardo que tem 246 pontos.

Se Hamilton vencer em Abu Dhabi, para ser campeão precisaria que o alemão chegasse no máximo na quarta posição. Caso seja segundo, Rosberg não poderia passar de sétimo. Já para Nico, é necessário um simples terceiro lugar ou qualquer posição à frente de Hamilton para sagrar-se campeão da temporada 2016 de F-1. A equipe Mercedes é campeã do mundial de construtores com os incríveis 722 pontos. Que a disputa comece!

Redação Chico da Boleia

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