No Amapá, mais de 60% das estradas federais são de terra e lama

Atoleiros alteram rotina de motoristas nos acessos aos extremos do Amapá (Foto: Odilon Filho/Arquivo Pessoal)

Mais de 650 dos quase 1.100 quilômetros esperam por pavimentação.

As rodovias federais no Amapá, que começaram a ser abertas há mais de 40 anos, ainda apresentam hoje em dia aspectos semelhantes à época em que foram implantadas, como atoleiros e falta de asfalto. A ausência de pavimentação nos mais de 1.100 quilômetros das BRs 156 e 210 chega a mais de 60% na extensão das rodovias, que cortam todo o estado.

O dado foi informado pelo superintendente do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), no Amapá, Fábio Vilarinho, com base em levantamento atualizado no dia 15 de março de 2017, e disponível no site da instituição.

Conforme o órgão federal que atua nas BRs, os trechos mais problemáticos são os que dão acesso às cidades do extremo do Amapá, como Oiapoque, no Norte, Serra do Navio, no Leste, e Laranjal do Jari, no Sul. Atualmente, o estado tem quase 650 quilômetros de rodovias federais sem asfalto.

Situação de pontes é desafio a mais para motoristas em BRs sem asfalto (Foto: Alef Costa/Arquivo Pessoal)

Além da ausência da pavimentação, que atrasa e põe em risco as viagens, as estradas são castigadas com o período chuvoso do Amapá nos primeiros meses do ano, que aumenta para até 24 horas o tempo médio de viagem para os extremos do estado. Além da lama, a maioria das pontes de madeira que cortam as rodovias apresenta riscos aos veículos.

BR-156 trecho Norte

Trecho Norte tem área crítica entre Calçoene
e Oiapoque (Foto: Isan Oliveira/Arquivo Pessoal)

O maior exemplo da lentidão do serviço público rodoviário acontece pela BR-156 no trajeto para Oiapoque, que fica a 590 quilômetros de Macapá. Destes mais de 200 seguem em estrada de chão. No trecho a partir de Calçoene, a inundação das pistas atola veículos de pequeno e grande porte, que necessitam rotineiramente de reboque por parte de máquinas pesadas.

O trecho Norte da BR-156 é o único acesso da capital do Amapá para a recém-inaugurada ponte binacional, que liga o Brasil à Guiana Francesa. Fábio Vilarinho adianta que o processo de pavimentação da área foi licitado e as empresas vão iniciar o processo de elaboração dos projetos de construção, que devem iniciar em 2018.



“Conseguimos as licenças para a realocação de aldeias indígenas que vivem na região. Já licitamos os lotes para dar prosseguimento na pavimentação da rodovia. A empresa tem entre 90 até 150 dias para fazer o projeto executivo. A vantagem do executivo é que o projeto pode ser aprovado em partes, sendo priorizadas pontes e galerias na época de chuva”, detalhou.

BR-156 trecho Sul

No trecho Sul da BR-156, o drama é semelhante ao vivido pelos motoristas da parte Norte. Recentemente, o Dnit, além do governo do Amapá e do Exército Brasileiro, firmaram um convênio para asfaltar de forma conjunta em três frentes os mais de 240 quilômetros sem asfalto da rodovia que sai de Laranjal do Jari até o entroncamento com a BR-210 em Macapá.

Sobre o cronograma da obra, o governo estadual prevê que ainda em 2017 o estado inicie as obras em um trecho de 60 quilômetros partindo da capital. Para 2018, o Dnit vai licitar os dois trechos intermediários, que ficarão à cargo do Governo Federal. O Exército ficará com outra extensão de 60 quilômetros, partindo de Laranjal do Jari.

Perimetral Norte

Prevista para cortar três estados e ligar o Brasil à Colômbia, a BR-210, também chamada de Perimetral Norte, tem apenas 106 dos 305 quilômetros pavimentados no Amapá, além de outros 150 quilômetros para serem abertos no meio da mata. Está com asfalto somente na o caminho de Macapá à Porto Grande. Seguem sem conhecer a cor do asfalto, os motoristas que viajam para as cidades de Pedra Branca do Amapari e Serra do Navio.

A previsão do Dnit é que a obra seja revista e que a pavimentação inicie em 2019. “Após feito esse levantamento, iremos elaborar o projeto básico, que vai ser executado pelo Dnit. Após isso, licitamos o projeto. A empresa vencedora vai fazer o projeto executivo pelo Regime Diferenciado de Contratação”, comentou o superintendente do Dnit no Amapá.

Trabalho provisório

O departamento informou ainda que as empresas responsáveis pela manutenção das rodovias federais em todo o Amapá auxiliam na travessia de veículos em atoleiros através de reboques com máquinas pesadas. Os serviços de limpeza nas estradas iniciarão a partir de abril com o fim do período invernoso.

Fonte: G1 | Via: Portal NTC

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