Exportação de soja bateu recorde no 1º semestre

Apesar do início conturbado, as exportações brasileiras de soja bateram recorde no primeiro semestre. De acordo com a Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento (Secex/Mdic), a receita gerada pela matéria-prima entre janeiro e junho chegou a R$ 13,85 bilhões, um aumento de quase 16% em relação ao mesmo período do ano passado.
O resultado deve-se a um aumento tanto no volume quanto no preço do produto embarcado. Até junho, o país exportou 26,17 milhões de toneladas do grão, um crescimento de quase 12% em relação ao mesmo período de 2012. Já o preço médio subiu pouco menos de 4% na mesma comparação, para US$ 529,5 por tonelada.
A queda dos preços internacionais da soja em 2013 ainda não afetou o comércio exterior do agronegócio, uma vez que a maior parte da produção já havia sido comercializada até setembro do ano passado.
“O resultado do primeiro semestre ainda reflete a quebra da safra passada nos Estados Unidos e os bons preços da segunda metade de 2012”, afirma Daniel Amaral, gerente de economia da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove). A tendência é que a desvalorização do produto tenha maior peso sobre as exportações de 2014, cujos preços serão travados nos próximos meses.
O bom desempenho das exportações no primeiro semestre também pode ser creditado à recuperação do ritmo de escoamento entre abril e junho – em apenas três meses, o país embarcou quase 22 milhões de toneladas do grão.
Entre janeiro e março, o país havia embarcado pouco mais de 2,4 milhões de toneladas, 25% menos do que no primeiro trimestre de 2012. A queda foi provocada pelo excesso de chuvas, também responsável pelas longas filas de caminhões nas rodovias que dão acesso ao Porto de Santos.
Segundo a Abiove, a receita com as exportações de soja deve crescer 16,2% em 2013, para US$ 20,3 bilhões. Ao todo, prevê a entidade, o país deve embarcar 39 milhões de toneladas do grão, um incremento de 18,2%.
Desse modo, o Brasil já realizou quase 70% da receita e do volume previstos para toda a temporada. Esse percentual é ainda maior se considerada a projeção de exportação da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), mais modesta, de 36,8 milhões de toneladas.
Com menos de 13 milhões de toneladas a exportar (ou 30% do montante total estimado), o ritmo de embarques – e, consequentemente, a pressão sobre os sistemas rodoviário e portuário – será consideravelmente menor nos próximos meses. Já no mês passado, o volume embarcado (6,57 milhões de toneladas) foi 17,4% inferior ao registrado em maio (7,95 milhões).
Na contramão das exportações de soja, as vendas de derivados amargaram forte queda no primeiro semestre. No período, a receita total com os embarques de farelo e óleo caiu 12%, para US$ 3,44 bilhões. Já o volume somou pouco mais de 6,35 milhões de toneladas, queda de 22%.
Em 2013, prevê a Abiove, as exportações de farelo devem somar cerca de US$ 6,4 bilhões, queda de 3,1% ante 2012. As de óleo devem cair ainda mais, 18,9%, a US$ 1,68 bilhão. Desse modo, a receita total com a exportação de derivados é projetada em US$ 8,07 bilhão, o que corresponde a 28,6% da receita esperada para todo o complexo soja (US$ 28,35 bilhões). No ano passado, os derivados renderam ao país US$ 8,66 bilhões – cerca de 33% das exportações do complexo.
“O complexo soja brasileiro é cada vez mais exportador de grão”, afirma Amaral. “A demanda que cresce em todo o mundo é a da China, que processa a soja em seu território. Nosso mercado para farelo, que é a Europa, está estagnado”. Não à toa, em junho, o preço médio de exportação do farelo brasileiro (US$ 433,2 por tonelada) foi 19% inferior ao do grão (US$ 535,4 por tonelada).
O representante da Abiove observa que a China deve responder por mais de 90% do aumento das exportações globais de soja na safra 2013/14, o que deve acentuar a tendência. “Na última safra, pela primeira vez, os embarques do grão superaram o volume processado no país. E isso vai se repetir na próxima safra”, afirma.

Valor Econômico 

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