Expectativa por obra é grande

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Motoristas e moradores das margens da rodovia esperam ansiosos pela duplicação da BR–381

 A parede da casa simples da contadora Juliana Oliveira, 20, em Nova União, na região Central de Minas, treme todas as vezes que passa um caminhão na BR–381. O imóvel, que ela divide com os pais e outros sete irmãos, está a menos de dois metros da rodovia, uma das mais movimentadas do Brasil. A residência deverá ser desapropriada para as obras de duplicação da estrada.

Os vizinhos de Juliana foram retirados há cerca de cinco meses e as casas deles estão em processo de demolição. Enquanto isso, ela aguarda ansiosa a mudança. “Temos medo de morar aqui, acho muito perigosa esta proximidade com a estrada. Já pensou se acontece alguma coisa?”, desabafa, com o irmão Cauã, 4, no colo.

A família deverá ser indenizada e até já começou a olhar um novo local para morar. A situação é parecida com a dos amigos Fabiano Cavalcante, 39, e Geraldo Rosa, 49. Os dois vivem em um prédio condenado, que deverá ser demolido, onde administram um ferro-velho, alguns quilômetros adiante. “Já tem muito tempo que não vemos movimento na obra, uns bons seis meses. Estamos esperando eles decidirem o que será do prédio, para resolvermos nossa vida. Aqui é complicado, a nossa vida é difícil”, lamenta Rosa.

Mas a mudança deve demorar. Apesar de o trecho de cerca de 30 km da BR–381 onde a família vive – entre Caeté, na região metropolitana da capital, e Barão de Cocais, na região Central –, ser o único com obras aparentes, elas caminham a passos bem lentos.

Enquanto isso, quem sofre são os motoristas que têm que passar por lá. Como foram instaladas lombadas próximas aos canteiros de obras, o tráfego tem ficado carregado e lento. A passagem frequente de caminhões pesados em baixa velocidade provocou afundamentos e ondulações no asfalto, deixando ainda pior a situação da rodovia, famosa por seu mau estado de conservação.

“Realmente, é o pior trecho da rodovia, um ponto crítico”, aponta o Gleison Adriano Pereira, 28, que passa pela BR–381 pelo menos uma vez por semana. Ele, porém, minimiza a situação da pista e seu traçado. “O grande problema daqui é que os motoristas são muito imprudentes, mais do que nos outros lugares. Se o cara corre, força ultrapassagens, dirige sem atenção, não tem duplicação que ajude”, avalia.

Já a doméstica Lourdes Gregório, 55, chegou a ficar mais de duas horas presa no trânsito por causa de acidentes. Para ela, a obra é essencial para a segurança de quem viaja pela BR–381. “Quem precisa circular aqui não aguenta mais. A duplicação vai resolver muitos problemas, só que tem que sair logo”, conclui.

Valores

Recurso. A duplicação já consumiu R$ 363,3 milhões. Só os trechos administrados pelo consórcio Isolux Corsán/Engevix levaram R$ 45,9 mi. A previsão de conclusão do Dnit agora é 2019.

Prontos, túneis não são ligados à rodovia

O mato alto na entrada de dois túneis na BR–381, próximos a Antônio Dias, na região do Rio Doce, denunciam o tempo que a estrutura está parada após a sua conclusão, em maio de 2015. Porém, para que os túneis possam ser usados, ainda falta ligá-los até a rodovia, uma obra do consórcio Isolux Corsán/Engevix. Ciente de que isso ainda deve demorar, a construtora JDantas, que abriu os túneis, fechou suas entradas com cercas e arames farpados.

“É urgente que se crie esse acesso. Hoje, os túneis ligam o nada ao lugar nenhum”, avalia Luciano Araújo, coordenador do movimento Nova 381.

Fonte: o tempo

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