Entidades ligadas ao setor de transportes se manifestam contra o aumento do preço dos combustíveis

Para a Associação Nacional dos Transportadores do Brasil (ANTB), o reajuste pode ser considerado um abuso contra os caminhoneiros e toda a sociedade. (Foto: reprodução/Freepik)

Entidades ligadas ao setor de transportes se manifestam contra o aumento do preço dos combustíveis

Medida já impacta consumidores, que notam diferença nos valores nas bombas; custo do frete também sofre alteração para acompanhar alta do diesel

Redação Chico da Boleia

Na última semana, a Petrobras anunciou novo aumento no preço da gasolina e do diesel para as distribuidoras. O acréscimo de 18% e 24%, respectivamente, provocou a manifestação de diferentes entidades ligadas ao setor de transportes, inclusive houve registro de pequenos protestos por parte dos caminhoneiros, ao longo do fim de semana.

Com a decisão da estatal, o brasileiro já pode notar o acréscimo no valor cobrado pelo litro dos combustíveis nas bombas, em todo país. Um dos estados a registrar o maior aumento foi o Acre, cuja o valor da gasolina ultrapassou os R$ 10.

Para a Associação Nacional dos Transportadores do Brasil (ANTB), o reajuste pode ser considerado um abuso contra os caminhoneiros e toda a sociedade. Em nota, a entidade destacou que a “Petrobras tem autossuficiência de petróleo! Hoje o Brasil é dono de uma das maiores reservas do mundo e usa uma política de preços, Preço de Paridade de Importação (PPI), que só privilegia os acionistas que são majoritariamente estrangeiros. A lucratividade de 2021 foi de mais de 100 bilhões de reais”.

– A Petrobras, empresa que foi criada para suprir necessidades do povo brasileiro, hoje castiga o povo pobre. A alternativa é cobrar pelos combustíveis e gás de cozinha baseado no preço de produção e refino, o que levaria a R$ 2,50 a R$ 3,00 na bomba. Outra necessidade urgente é reestatização da empresa. Nós não suportamos mais e não vamos pagar essa conta – reforça a ANTB.

Já a Federação dos Caminhoneiros de São Paulo (FECAMSP) afirma que mais de 850 mil profissionais da região serão prejudicados com esse novo aumento. Para a entidade, duas medidas são essenciais para modificar o cenário atual: eliminar o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) e o não atrelamento do Preço de Paridade de Importação (PPI).

– O Brasil, sendo um dos maiores produtores mundiais de petróleo, nesse momento de “crise” precisa se sujeitar ao tal PPI em detrimento da necessidade de seu próprio mercado? E um colapso no transporte de cargas, em um país eminentemente rodoviário, não seria muito mais danoso que os eventuais problemas pontuais e, também justificados pela emergencialidade da situação, causados pelo não atrelamento circunstancial ao PPI? – questiona a FECAMSP.

Outra entidade a se manifestar sobre o aumento foi a Federação dos Caminhoneiros Autônomos do Rio Grande do Sul (FECAM-RS). Em nota, afirmou que mesmo com o cenário atual – de pandemia e guerra entre Rússia e Ucrânia – é fundamental que a sociedade não acabe pagando pelo lucro dos acionistas da Petrobras por meio de um novo reajuste no valor dos combustíveis.

De acordo com o Presidente da FECAM-RS, André Costa, o frete defasado deve ser revisto. “Precisamos que os três poderes do país e os representantes das categorias negociem para reajustar os valores”, salienta. A entidade também orienta que o transportador aceite apenas serviços em que o valor do frete já esteja compensado com os aumentos.

Preço do frete

Outro tema de debate entre os profissionais do setor é a recomposição do preço do frete. Para a Confederação Nacional do Transporte (CNT), é inviável que as empresas continuem absorvendo as altas dos preços dos combustíveis.

– A recomposição do preço do frete se justifica para evitar o colapso de inúmeras empresas transportadoras, que, antes mesmo desse novo reajuste, já vinham negociando com os seus clientes o repasse dos quase 50% de aumento no diesel registrado em 2021. Caso não haja o repasse imediato, a operação de transporte no Brasil corre o risco de se tornar inviável – afirma por meio de nota.

Já a NTC&Logística afirma que “o aumento de hoje do preço do diesel, da ordem de 24,9%, acarreta a necessidade de reajuste adicional no frete de, no mínimo, 8,75%, fator este que deve ser aplicado emergencialmente nos fretes, acumulando um reajuste total de 28,96% na carga fracionada e 38,82% na carga lotação”.

– Destacamos que o diesel é um dos maiores custos nos insumos da atividade de transporte, chegando a média de 35% para uma transportadora e podendo chegar a 50% – destaca a entidade.

Mesmo com o congelamento do ICMS pelos próximos meses e com a aprovação de projetos para regulamentar a cobrança do imposto, o preço dos combustíveis continua aumento devido a política de preços da Petrobras e do valor do barril do petróleo seguir atrelado ao dólar.

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