Chico da Boleia entrevista Clésio Andrade

Figura de destaque para o setor, com atuações fundamentais para o seu desenvolvimento, Andrade, foi presidente da CNT, do SEST SENAT e do ITL.

Chico da Boleia entrevista Clésio Andrade

Criador do SEST SENAT conta sua trajetória no setor e o papel da entidade para os trabalhadores

Redação Chico da Boleia

O jornalista Chico da Boleia esteve recentemente em Belo Horizonte (MG), onde realizou uma entrevista com Clésio Andrade, ex-presidente do SEST SENAT (Serviço Social do Transporte e Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte).

Figura de destaque para o setor, com atuações fundamentais para o seu desenvolvimento, Andrade, que é graduado em economia, administração e contabilidade pela PUC/MG, foi presidente da Confederação Nacional do Transporte (CNT), do SEST SENAT e do Instituto de Transporte e Logística (ITL). Liderou a fundação da Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NUT) e ainda presidiu outras entidades ligadas ao segmento.

Na conversa com Chico da Boleia, Clésio contou um pouco de sua trajetória e sobre a criação do SEST SENAT.

– Quando assumi a Confederação Nacional do Transporte (CNT), nós estabelecemos três linhas de atuação importantes: a institucional – fazendo com que a entidade participasse dos grandes debates nacionais; a de contribuição para a sociedade por meio dos trabalhos técnicos e pesquisas e, também, para os empresários por intermédio dos institutos; e, ainda, a de apoio aos trabalhadores (com a criação do SEST SENAT) – conta Andrade.

Como um dos responsáveis pela fundação do SEST SENAT, Clésio revela que a criação da entidade enfrentou certa resistência do segmento industrial (responsável na época pelos trabalhadores do setor de transportes). Porém, era essencial que houvesse uma instituição que oferecesse apoio e formação exclusivamente para aqueles ligados ao transporte.

– A principal dificuldade enfrentada para o desenvolvimento do SEST SENAT foi a aceitação da Federação e da Confederação das Indústrias, que eram contra o projeto. Por mais que estivéssemos trabalhando no Congresso para a aprovação da lei de criação da entidade, sempre havia algum empecilho imposto por parlamentares ligados ao setor da indústria. Tivemos que fazer uma movimentação muito forte – tanto político quanto setorial –, para mostrar a importância e as necessidades da categoria, que eram diferentes das da indústria – destaca Clésio.

A vontade de lutar pelos trabalhadores do setor de transportes sempre fez parte da vida de Andrade que, desde muito novo, quando ainda trabalhava como trocador de ônibus com seu pai, já percebia as dificuldades dos profissionais da área em ter suas demandas atendidas.

Foram anos batalhando para reduzir as desigualdades e conquistar um espaço de voz ativa para esses trabalhadores. Até que em 1993, a Lei nº 8.706 foi aprovada e o SEST SENAT criado, levando educação, formação, saúde e bem-estar aos seus associados.

Atuação na CNT

Clésio conta ainda que, com as mudanças nas leis e os problemas enfrentados pelo setor, a CNT teve papel de destaque ao se posicionar e lutar por pautas importantes para o transporte.

– Com o passar dos anos a CNT tornou-se um gigante, altamente qualificada por seu corpo técnico, responsável por desenvolver projetos e levantamentos que o próprio governo federal não possui – e acaba recorrendo a Confederação para ter acesso a esses estudos, que incluem todos os modais – conclui Andrade.

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