Caminhoneiro é agente fundamental na redução da exploração e abuso sexual de crianças e adolescentes em todo país

O 6º Mapeamento de Pontos Vulneráveis à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes nas Rodovias Federais Brasileiras 2013/2014, realizado com a colaboração entre a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, o Ministério Público do Trabalho, Polícia Rodoviária Federal e entidades como Childhood Brasil e o Programa na Mão Certa, revela dados importantes sobre o tema e nos coloca diante de uma triste realidade.

A violência sexual é uma das mais graves violações de direitos e pressupõe o abuso do poder onde crianças e adolescentes são usados para gratificação sexual de adultos, sendo induzidos ou forçados a práticas sexuais. Esse tipo de violência interfere diretamente no desenvolvimento da sexualidade saudável e nas dimensões psicossociais da criança e do adolescente, causando danos muitas vezes irreversíveis.

De acordo com o estudo, apenas em 2013 foram registradas 124.079 denúncias de violações de direitos de crianças e adolescentes. “Dos 13 tipos de violações registradas pelo Disque-Denúncia, a violência sexual ocupa o 4º lugar e corresponde a 26% do total das denuncias. Este número não corresponde ao número de casos de fato constatados, mas dá uma ideia do tamanho do problema.”, diz o documento.

O relatório ainda explica que o abuso e a exploração sexual estão enquadrados dentro do conceito de violência sexual. “A exploração sexual se estabelece através de uma relação de mercantilização em que o sexo é fruto de uma troca, seja de favores ou presentes. A exploração sexual é um fenômeno multicausal, complexo, e ocorre em vários contextos e cenários, vinculado a redes de prostituição, pornografa, redes de tráfico de drogas e pessoas, turismo, grandes obras de infraestrutura, nas tecnologias de informação e comunicação e também nas rodovias brasileiras.”, apontam.

Para identificar esses pontos vulneráveis de exploração sexual de crianças e adolescentes, foi criado o Projeto Mapear, que busca não só localizar esses espaços como criar estratégias de repressão aos abusos e de mobilização da sociedade. As ações realizadas para compor este mapeamento têm vasta abrangência, percorrendo em torno de 65.000 quilômetros de rodovias federais, distribuídos pelos 26 estados e o Distrito Federal.

O estudo mais recente revela que entre 2013/2014, identificou-se um total 1.969 pontos vulneráveis à exploração sexual de crianças e adolescentes nas rodovias federais, um aumento em relação ao último estudo, realizado entre 2011/2012 e que identificou um total 1.776 pontos vulneráveis. Desse total, 566 pontos foram considerados pontos críticos; 538 com alto risco; 555 com médio risco; e, por fim, 310 pontos foram avaliados como de baixo risco.

De acordo com o estudo, o aumento do número total de pontos mapeados nesta edição pode sugerir a falha na implementação de políticas públicas. No entanto, também podem refletir maior eficácia das entidades envolvidas na identificação deste crime.

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Neste último mapeamento, o principal destaque foi a significativa redução dos pontos críticos: 40% em seis anos. Entre 2009/2010 foram identificados 924 pontos críticos; entre 2011/2012 eles baixaram para 691; e no último mapeamento o número caiu para 566. Tal redução pode estar relacionada à soma de esforços, engajamento dos diversos setores e atuação preventiva nas rodovias federais.

Um dos objetivos desse projeto é mobilizar a sociedade para que ela denuncie e ajude no combate à exploração sexual de crianças e adolescentes. Por estarem constantemente em deslocamento, os caminhoneiros são agentes fundamentais nessa transformação já que podem auxiliar na identificação e na denúncia de pontos vulneráveis.

É fundamental também a criação de uma cultura, educação e consciência que coíba qualquer tipo de exploração sexual contra crianças e adolescentes cometida por membros da categoria. Nesse sentido, a união entre setores públicos e privados pode levar adiante projetos e iniciativas que ajudem a reverter esse triste quadro brasileiro. Nós apoiamos. E você?

Redação Chico da Boleia

O último mapeamento pode ser consultado em:

http://www.namaocerta.org.br/pdf/Mapeamento2013_2014.pdf

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