Boa formação acadêmica pode ajudar na eficiência logística

Que o Brasil é fraco em competitividade logística, todos nós sabemos. Mas quanto? Um índice foi elaborado pelo Fórum Econômico Mundial em parceria com a renomada Fundação Dom Cabral e, nele, o Brasil atingiu a pior classificação dos últimos 20 anos, chegando a 81ª posição em nível de produtividade.

O Brasil perde mais de R$ 40 bilhões com acidentes nas estradas e falta de infraestrutura é parte do problema. Foto: Arquivo

Em qualidade de infraestrutura, em outro lavantamento do Fórum, o Brasil está em 76ª posição entre 140 países no mundo, porém, quando avalia apenas as estradas e portos, o Brasil está em 122ª posição, 95ª em ferrovias e 113ª em transporte aéreo.

Esse índice avalia o nível de produtividade e as condições oferecidas às empresas instaladas em 138 países, atrás de nações como Albânia, Armênia, Guatemala, Irã e Jamaica.

Para um país com as dimensões, população, riqueza agrícola e mineral, as posições brasileiras demonstram o potencial de crescimento e oportunidade para várias áreas da economia e, em qualquer uma delas, a demanda por transporte existirá. Porém a eficiência e competitividade somente chegará com investimentos em tecnologias e capacitação profissional.

Segundo o coordenador do custo de MBA Infraestrutura de Transportes da Unip, professor José Manoel Ferreira Gonçalves, “o Brasil precisa voltar a acender, mas que daqui para frente isso se dê de forma sustentável, com a infraestrutura bem organizada, o que é fundamental para o desenvolvimento econômico. Sem isso, as empresas não conseguem administrar adequadamente seus negócios, os produtos encarecem no mercado interno (prejudicando os consumidores) e no mercado externo (prejudicando as exportações), uma vez que muitos de nossos concorrentes têm custos menores e mais competitivos, exatamente pela logística”.

coordenador do custo de MBA Infraestrutura de Transportes da Unip, professor José Manoel Ferreira Gonçalves. Foto: João Debs/Divulgação/Unip

Além disso, com o desenvolvimento desordenado do Brasil, estimativas indicam que centenas de bilhões de reais de excesso de estoque são mantidas por empresas nacionais ao longo das cadeias produtivas, como forma de se protegerem da ineficiência do transporte, em função dos atrasos, acidentes e roubos de carga. “Evidentemente, um setor de transportes mais confiável e eficiente ajudará na redução considerável deste valor, que poderia ser reinvestido em atividades produtivas e no próprio sistema de transportes de cargas, gerando empregos e riqueza. E é sobre pontos assim, que um profissional deve pensar de forma abrangente”, diz.

O mesmo raciocínio, de acordo com o professor, vale para o transporte de pessoas, dados os prejuízos no trânsito, com horas perdidas todos os dias nos deslocamentos de casa ao trabalho e vice-versa. Além disso, há a poluição, o aquecimento global e os custos de saúde da população.

Pensando nessa necessidade de maior conhecimento sobre eficiência em infraestrutura, que a Universidade Paulista (Unip) formatou a especialização lato sensu em infraestrutura de transporte com uma nova abrangência ainda não existente (pelos menos até onde sabemos) no meio acadêmico. Trata-se de um curso com proposta interdisciplinar com campos relacionados ao setor de infraestrutura moderna, como administração de empresas, economia, direito e logística. O início do curso está previsto para o segundo semestre de 2017 na capital paulista.

Fonte: Transporte Mundial Marcos Villela

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