Após crescimento histórico, roubo de cargas continua subindo no RJ

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Nos três primeiros meses deste ano houve alta de 11% comparado a 2015.
Frente o 1º trimestre de 2006, o numero de casos é 240% maior este ano

Motoristas que fazem transporte de carga e precisam passar por estradas do Rio de Janeiro têm trabalhado cada vez mais inseguros e assustados, principalmente em função do aumento do roubo de cargas. Em 2015, o estado viveu o pior dos últimos 23 anos no que se refere ao roubo de cargas e, nos primeiros meses de 2016, a situação foi ainda mais grave em relação ao mesmo período do ano passado. O G1 inicia nesta segunda uma série com quatro reportagens sobre o crescimento do roubo de cargas no Rio.

Apenas no primeiro trimestre desse ano, o roubo de cargas no estado foi quase 11% maior que no mesmo período do ano passado. Foram registrados 1.790 roubos de carga, contra 1.988 casos nos três primeiros anos de 2016.

A tendência de aumento no roubo de cargas se confirma. Em 2014, houve registro de 5.890 roubos no Rio, enquanto em 2015 foram 7.225 roubos no estado, um crescimento de 22,66% em um ano, segundo dados do Instituto de Segurança Pública (ISP).

“Todo mês eu venho aqui para o Rio de Janeiro. Foi a primeira vez que aconteceu isso comigo e a última também, porque aqui eu não volto mais não”, afirmou um motorista que trouxe um caminhão frigorífico do Sul do país no dia 18 de abril e foi vítima de um assalto na Avenida Brasil e passou duas horas e meia sob a mira de arma de criminosos no interior da comunidade da Pedreira.

A vítima, que não quis ser identificada, dirigia um caminhão frigorífico com 28 toneladas de filé de peito de frango que seriam entregues na Pavuna, uma das áreas consideradas mais críticas nos registros de roubo de cargas no Estado.
“Estava subindo a Avenida Brasil, sentido Campo Grande. Passando o Ceasa, os dois numa moto me abordaram, apontaram a arma e mandaram eu parar o caminhão. Aí, seguraram o trânsito, veio um outro carro, armado também, e mandou ‘desce, desce, desce’. Descarregaram a carga em uma rua, num lugar aberto, como pessoal tudo armado. Ontem era aniversário da minha filha, 16 anos, só pedi para não fazer nada comigo”, contou.

No dia 19 de abril, agentes da Delegacia de Roubos e Furtos de Cargas fizeram uma operação na comunidade da Pedreira e prenderam quatro suspeitos de participar do roubo ao caminhão.

Segundo um relatório do ISP, 12 vias no estado concentram a maior parte do roubo de cargas no Rio de Janeiro. De acordo com análise entre os meses de janeiro e dezembro de 2015, a Avenida Brasil concentra o maior número de casos de roubo de cargas, registrando 661 casos, o que corresponde a 9,1% de toda a carga roubada no Rio. Apesar de não ser uma via expressa, a Avenida Pastor Martin Luther King Jr, que corta bairros como a Pavuna, Engenho da Rainha, Inhaúma, Colégio, é a quarta da lista, com 188 casos.

roubo_carga2No dia 19 de abril, agentes da Delegacia de Roubos e Furtos de Cargas fizeram uma operação na comunidade da Pedreira e prenderam quatro suspeitos de participar do roubo ao caminhão.

Segundo um relatório do ISP, 12 vias no estado concentram a maior parte do roubo de cargas no Rio de Janeiro. De acordo com análise entre os meses de janeiro e dezembro de 2015, a Avenida Brasil concentra o maior número de casos de roubo de cargas, registrando 661 casos, o que corresponde a 9,1% de toda a carga roubada no Rio. Apesar de não ser uma via expressa, a Avenida Pastor Martin Luther King Jr, que corta bairros como a Pavuna, Engenho da Rainha, Inhaúma, Colégio, é a quarta da ista, com 188 casos.

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Estatística roubo carga no Rio de Janeiro (Foto: Divulgação / Instituto de Segurança Pública do Estado do Rio (ISP))

“A área da Pavuna, Costa Barros, Madureira à noite nem pensar. Uma vez levaram meu caminhão em Rocha Miranda. Um levou o caminhão e dois homens armados ficaram comigo. É uma sensação terrível”, afirma o encarregado do setor de transportes de uma empresa na Baixada Fluminense, que depois do trauma participou de um processo seletivo para deixar de ser caminhoneiro.

Crescimento no 1º trimestre é 240% maior que há 10 anos
O crescimento nos últimos anos é outro dado alarmante, segundo estatística do ISP. Comparando o primeiro trimestre de 2006 com o primeiro trimestre de 2016, o roubo de cargas teve aumento de 241,58% em números absolutos.

Nos três primeiros meses de 2006, 582 casos de roubo foram registrados, sendo que fevereiro teve o maior número de casos, com 207 roubos de cargas, que representa 1,31 roubo por cada 100 mil habitantes. Nos três primeiros meses de 2016, 1.988 roubos de cargas foram registrados nas delegacias do Rio de Janeiro, sendo que o mês de janeiro teve o maior número de casos com 732 registros, que correspondem a 4,40 roubos por cada 100 mil habitantes.

De acordo com o delegado Marcelo Martins, titular da Delegacia de Roubos e Furtos de Cargas as áreas com maior índice de roubos de carga no Rio, como a Pavuna e Costa Barros, por exemplo, são mais suscetíveis a esse tipo de crime por uma questão logística. “Dali o sujeito sai e pega todo o eixo rodoviário para fazer qualquer entrega no Rio de Janeiro. Atrelado a isso, é uma área que está bastante conflagrada como o Chapadão e a Pedreira. Acredito que num futuro, não muito distante, essa área seja ocupada. Ali se tem um aglomerado grande de marginais reunidos e de empresas que se instalaram ali”, afirma Martins.

Ainda segundo o delegado, justamente em função disso, diversas operações têm sido realizadas na região do Chapadão e da Pedreira, em Costa Barros, e várias prisões já foram realizadas. “Aquela é uma área onde as duas facções roubam carga. Além do tráfico, infelizmente, eles abriram mais uma filial criminosa, que é o roubo de carga, que alimenta e se protege com o tráfico, por causa do armamento e da localidade, pois é uma área de difícil acesso. Por outro lado, o crime do tráfico se retroalimenta com o roubo de carga. É um ciclo vicioso”, ressalta o delegado.

Para o motorista Regis Guedes, de 30 anos, que mora no Rio Grande do Sul, mas que toda semana traz carga para o Rio de Janeiro, a rotina sai um pouco mais caro. “Já me alertaram para o perigo de carregar mercadoria de valor alto aqui. Por isso, tenho muito medo de passar em lugares que não conheço. Para evitar de entrar por engano em uma favela, pago 150 reais por dia para um colega que mora aqui no Rio andar comigo no caminhão. Antes de carregar já pergunto a rota para saber por onde vou passar. Dependendo, prefiro nem aceitar o trabalho. Nunca fui roubado, mas tenho muito cuidado”, garante o gaúcho.

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