Apenas 1,3% dos Exames Toxicológicos deram positivo no Brasil

Depois de 10 meses da implantação do Exame Toxicológico, que entrou em vigor em Março de 2016, foram realizados no Brasil cerca de 979 mil exames em motoristas profissionais. E desse total, apenas 1,3% de resultado positivo para drogas como maconha, cocaína e rebite, cerca de 12 mil motoristas. Esse número está muito abaixo de pesquisas apresentadas anteriormente, e mostram que os caminhoneiros não dirigem sob influência de entorpecentes.

Muitos dos motoristas que foram reprovados no exame, ainda reclamam de resultados falso-positivo, afirmando que mesmo sem usar nenhum tipo de droga o exame deu positivo. A contra-prova é um direito desses motoristas. Houve casos, inclusive, de motoristas serem demitidos das empresas por causa de resultados falso-positivos.

Para Dirceu Rodrigues Alves Junior, da Abramet (Associação Brasileira de Medicina de Tráfego) a medida é abusiva e ineficaz porque não fiscaliza o consumo no ato da direção.

“Cerca de 75% dos caminhoneiros são autônomos. E se eles tem um ‘falso positivo’ ficarão 90 dias afastados da atividade. Sem ganhos, sem a CNH. Não tem como pagar o aluguel do veículo, ou a mensalidade da compra do veículo. Não tem como dar o aporte à família. Não vemos o porquê dele existir. Achamos que é uma agressão. Intimida a classe, descrimina os indivíduos e traz prejuízo econômico porque eles têm que pagar o exame.”

Varias entidades no Brasil se posicionaram contra o exame, que foram defendidos por grande laboratórios dos Estados Unidos: o Psychemedics, o Labet e o Omega. De um ano pra cá, apenas outros cinco laboratórios nacionais foram credenciados pelo Denatran. São oito empresas que controlam um mercado que movimenta mais de 300 milhões de reais por ano.

Eduardo Biavati é mestre em sociologia pela UnB, especializado em educação para o trânsito, e defende o antidoping.

“É um fator adicional, num conjunto de outros fatores, de reforço da fiscalização, que envolve a velocidade, envolve também penalidades mais rigorsas. É uma peça a mais num quebra cabeça complexo de mudança de patamar da segurança viária no Brasil. Criou-se uma cláusula de barreira da qual é muito difícil de escapar.”

Ainda não é possível dizer se a medida reduziu os acidentes nas estradas. Entre março e dezembro de 2016, após a obrigatoriedade do exame, houve queda de 26% nos acidentes com caminhão na comparação com o mesmo período 2015. Mas em janeiro e fevereiro, quando o exame ainda não era exigido, a queda foi maior, de 36%. Outro fator da redução dos acidentes foi a crise, que reduziu a quantidade de caminhões nas estradas.

Em 2016, 10.167 motoristas rebaixaram a CNH das categorias C, D e E para A e B, número 23% maior do que em 2015. Na Câmara dos Deputados, tramitam projetos que tornam obrigatório o exame também para motoristas comuns.

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