77ª Edição Nacional – Jornal Chico da Boleia

A greve que parou o país!

Companheiros e companheiras, a greve dos caminhoneiros autônomos está mexendo com o cenário nacional. A primeira questão que se tem colocado sobre o movimento é com relação à legitimidade do direito de greve dessa categoria. Nós do Chico da Boleia apoiamos essa mobilização porque a greve dos caminhoneiros ou de qualquer outra categoria é um direito legítimo da classe trabalhadora.

Porém, gostaríamos de frisar alguns pontos sensíveis. No nosso caso, os caminhoneiros autônomos, não temos organização sindical, nem lideranças. Tanto isso é verdade, que chega meia dúzia de pessoas perante o governo, se apregoando líderes da categoria, assinando um acordo como se fosse um papel de pão, e a categoria não aceita.

Até agora foram duas tentativas nas quais o governo sentou com essas lideranças para tentar um acordo e a categoria rechaçou. Ao que tudo indica, mais uma vez, a greve não teve uma pauta específica, uma liderança única ou ações de primeiro, segundo ou terceiro grau. Ou seja, quando você pega uma pessoa de “saco cheio”, a primeira coisa que ela vai fazer é aderir ao movimento. Ela não tem frete adequado, ela vive passando por transtornos nas estradas, os pedágios têm um preço absurdo, dentre outros problemas.

A greve, no entanto, é uma questão séria. É um movimento que deve ser levado à sério e os caminhoneiros tem que ter consciência do que estão demandando.

Nesse momento, portanto, temos um impasse. As “pseudo” lideranças se reuniram para assinar um acordo e acabar com a greve. No entanto, os caminhoneiros se recusam a reconhecer e legitimar o documento e não se desmobilizam. Então, eu pergunto: quando essa greve vai acabar?

Ao que tudo indica, estamos numa encruzilhada. Porque, de repente, começam a ser juntar aos caminhoneiros autônomos outras categoriais laborais e isso pode tomar um “caminho sem volta”. E um caminho sem volta sem organização é a mesma coisa que uma manada pela rua sem controle!

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De qualquer forma, a mobilização dos caminhoneiros expressa reivindicações legítimas da categoria, visto que os companheiros e companheiras da estrada não aguentam mais sucessivos aumentos nos preços dos combustíveis e condições precárias de trabalho.

Nesta edição, portanto, trazemos discussões que interessem aos grevistas. Realizamos uma importante entrevista com o Prof. Dr. Eduardo Costa Pinto, da Universidade Federal do Rio de Janeiro que nos alerta sobre o real problema do aumento do preço dos combustíveis: a nova política de preços da Petrobras.

Também entrevistamos caminhoneiros e preparamos uma reportagem principal comentando os principais acontecimentos que envolveram a greve da categoria, desde o início da paralisação, em 21 de maio.

Além disso, os companheiros do trecho precisam ficar bem informados sobre esses pedidos de intervenção militar. Uma possível medida nesse sentido pode significar a desmobilização do movimento e pode acabar resultando num “tiro pela culatra”. Por isso, apresentamos duas matérias que discutem o tema.

Companheiros e companheiras das estradas, agradecemos a todos que nos dão uma audiência maravilhosa seja lendo nossos jornais, acessando nosso site ou nos acompanhando pelas redes sociais. Também agradecemos aos nossos patrocinadores que acreditam que, mais que publicidade, o importante é informar com precisão.

Boa leitura,
Chico da Boleia
Orgulho de ser caminhoneiro

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