Volkswagen mantém cegonheiros de S.Bernardo

Após dez dias, paralisação chega ao fim; negociação com carreteiros, porém, continua

A paralisação dos cegonheiros chegou ao fim após dez dias sem transportar carros zero-quilômetro da Volkswagen. Em reunião realizada entre as transportadoras são-bernardenses e a montadora, o contrato de 5.000 carreteiros foi garantido e as partes agora negociam valores – que não têm reajuste há três anos, segundo os motoristas.

“A Volks reviu seus conceitos, percebeu que não poderia fazer esse descaso e voltou atrás”, afirma Renato Furriel, 53 anos e carreteiro há 35. “Estamos contentes que a empresa tenha reconhecido a parceria de mais de 50 anos”, completa. A mobilização foi feita após temor de que a montadora alemã concentraria o frete de seus veículos em apenas uma companhia de fora do Estado. Hoje, o transporte dos automóveis é feito por entre pelo menos quatro empresas, Brazul, Tegma, Transauto e Transzero, instaladas em São Bernardo.

 Após aceno de que a Volks dialogaria com a categoria, os motoristas de caminhão-cegonha restabeleceram o transporte dos veículos destinados à exportação no sábado. A expectativa, para Furriel, é que as negociações entre as logísticas e a Volks terminem ainda nesta semana. “Se ela (a Volkswagen) mudar de ideia, voltamos a suspender o frete”, ameaça.

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Consorcio DAF

Conforme publicado pelo Diário, os fretistas representam cerca de 50% das vendas do bairro Demarchi, em São Bernardo. Deste modo, caso o contrato com os motoristas fosse suspenso, cerca de 20 mil pessoas poderiam ser prejudicadas indiretamente.

Segundo os carreteiros, o Sinaceg (Sindicato Nacional dos Cegonheiros) não tem participação na greve. Ontem, inclusive, o presidente da entidade, Jaime Ferreira dos Santos participou de audiência no Ministério Público, após denúncia da Volks contra o sindicato na quinta-feira. “Nós não participamos do movimento. O sindicato não tem o poder de obrigar cegonheiros a parar de transportar e tampouco escolhe a quem eles trabalham”, afirma. “ Mas acredito que eles entenderam que somos parceiros desde os anos 1960, e que os carreteiros buscam sempre se adequar às normas da empresa, que é muito exigente. Alguns profissionais já chegaram a ser proibidos de carregar veículos por rachadura.”

Conforme Santos, ele pôde explicar que muitos motoristas fizeram investimentos de até cinco anos, de até R$ 450 mil, considerando que uma carreta custa cerca de R$ 150 mil e um cavalo mecânico, R$ 300 mil.

Procurada, a Volkswagen informou que não irá se pronunciar sobre o assunto.

Fonte: Diario do Grande Abc

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