Transportadoras de São Carlos têm mais custos com Lei do Descanso

As transportadoras de São Carlos (SP) sentiram o aumento nos custos após a aprovação da lei 12.619/2012, que regulamentou a profissão do caminhoneiro, a chamada Lei do Descanso. A cada quatro horas seguidas o condutor é obrigado a fazer uma parada de 30 minutos e, além disso, a cada 10 horas de trabalho o motorista tem direito a 11 horas de descanso. Com as novas normas, foi necessário fazer novas contratações e aumentaram os gastos com hotel.

A lei que entrou em vigor para reduzir o risco de morte que os motoristas estão sujeitos nas rodovias do país gerou 10% mais gastos em uma transportadora da cidade. “Mesmo com o aumento de 3% no valor do frete que repassamos ao consumidor, não é possível cobrir todos os gastos que estamos tendo. Tivemos que contratar mais dois caminhoneiros para dividir o serviço. Além disso, adaptamos um antigo escritório para quarto de descanso, mas ainda existem os gastos extras com estadias em hotéis”, explicou o gerente da transportadora Éber Alexandre de Oliveira.

O caminhoneiro Isaias Ribeiro assinala em uma ficha todas as paradas. “Tenho que marcar tudo de acordo com a legislação. O que estiver na planilha tem que corresponder com o tacógrafo, se não coincidir o motorista é multado”, explicou.

Caminhoneiro assinala em uma ficha todas as paradas (Foto: Marlon Tavoni/EPTV)

O transportador autônomo Ronilson Cerqueira Santos reclama da regulamentação. “Estou a caminho de Cuiabá, com a lei levo um dia a mais para fazer a viagem, portanto minha renda diminuiu”, contou.

Porém, mesmo com a lei nem todas as empresas conseguem seguir à risca a determinação. “Estou vindo de São Paulo, tenho prazo para realizar as entregas. Paro por uma hora, uma hora e meia, no máximo”, disse o caminhoneiro Cristiano dos Santos.

Multa
A punição para o motorista que não cumprir os intervalos durante a jornada é uma multa de R$ 127 e cinco pontos na carteira de habilitação. Além disso, se o condutor dirigir durante mais de 24 horas seguidas, a pena é de seis meses a  um ano de prisão.

Falta segurança
Segundo o condutor Tadeu Macedo Ribeiro, ele dorme e depois faz o café no próprio veículo. “Eu cumpro a lei, mas faltam pontos de parada. Há bastantes postos desativados, precisávamos de um ponto de apoio, com lanchonete, restaurante que não fosse tão carro para nós”, contou.

Há cerca de 15 dias, bandidos quebraram o vidro do caminhão enquanto o motorista descansava em um posto entre Taquaritinga e Matão. A vítima foi rendida por três homens armados que entraram no veículo e seguiram pela rodovia, sentido capital.

Os policiais foram avisados por outro caminhoneiro que viu o assalto e acompanharam o veículo durante uma hora e meia até os bandidos se entregarem. Os suspeitos estavam armados com um revólver calibre 38 e seis munições, que também foram apreendidas.

Associação de Caminhoneiros
O Presidente da Associação Brasileira de Caminhoneiros (Abicam), Claudinei Pelegrine, sugere alterações na lei para que haja melhoraria, por exemplo, a redução para oito horas de descanso e o condutor ter liberdade para definir quando e onde parar, já que nas rodovias são poucos os pontos seguros de descanso.

“Há postos que o interesse maior é vender combustíveis e para o motorista pernoitar é obrigado a abastecer uma certa litragem, caso contrario não permitem que o motorista fique, além disso pagar de R$ 5 a R$ 10 um banho”, explicou.

Sobre a reclamação do presidente da Abicam, o Presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado de São Paulo (Sincopetro) de Araraquara, Fernando Bicaletto, informou que desconhece a obrigatoriedade de abastecimento nos postos pelos caminhoneiros que param e taxas para banhos.

Ele confirmou apenas que nos grandes postos de combustíveis são cobradas taxas de estacionamento, justificadas pelos investimentos em segurança que os proprietários fazem nestes locais.

Lei do caminhoneiro aumenta gasto em transportadoras de São Carlos (Foto: Marlon Tavoni/EPTV)
G1

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