TECNOLOGIA FLEX IVECO 2013

Pela primeira vez  saímos na frente no desenvolvimento  da  tecnologia flex para veículos a diesel. Trata-se da injeção de dois combustíveis simultâneos num mesmo ciclo do motor. Essa tecnologia não é nova, já foi testado e usado em protótipos nas faculdades de engenharia do interior de São Paulo, nos meados dos anos 90. Resultados passaram dos 9%.

O protótipo do Trakker Bi-Fuel foi desenvolvido com o apoio da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) para atender inicialmente à indústria sucroenergética, na qual o etanol pode ser usado a preço de custo, e foi submetido a testes de campo durante a safra 2011 junto com a empresa parceira Raízen. E os resultados foram bastante positivos. De acordo com o engenheiro de produto da área de inovação da Iveco, uma economia de 6% no custo do combustível por quilômetro rodado pôde ser confirmada nas avaliações. O que é uma novidade entre todas as tecnologias de combustíveis alternativos para caminhões, que, em suas melhores aplicações, apresentam custos, no máximo, similares aos do diesel.
Uma parceria entre a Iveco, a Fiat Powertrain Technologies (FPT) e a Bosch vem desenvolvendo, desde 2010, um caminhão movido a energia renovável com tecnologia 100% brasileira. Trata-se do Iveco Trakker Bi-Fuel Ethanol-Diesel, um cavalo mecânico com tração 6X4 para até 63 t de Peso Bruto Total Combinado (PBTC) e com inovadora tecnologia bicombustível, que permite a redução do consumo de óleo diesel pela adoção de etanol.
Equipado com dois tanques de combustível, um para etanol e outro para diesel, o Trakker Bi-Fuel utiliza um motor Cursor 9 ciclo diesel Iveco-FPT, seis cilindros, 9.0 l, com sistema de injeção Common Rail, que entrega 360 cv e 153 kgfm de torque. Esse motor foi projetado para funcionar com uma proporção de 60% diesel e 40% etanol. Ele não opera somente com etanol. Outra vantagem do caminhão é que, por ser 100% reversível ao diesel, seu preço de revenda é valorizado.
É importante destacar a contribuição para o meio ambiente que essa tecnologia oferece. Além do etanol ser um combustível totalmente renovável, há uma redução de emissões de CO->2 proporcional à quantidade de diesel substituído. “O etanol gera menos emissões de material particulado e óxido de nitrogênio (NO->x) por conta de sua característica física, pois possui menos teor de carbono”, explicou o engenheiro. O Brasil é o maior produtor e exportador mundial de açúcar e etanol, e, por isso, essa tecnologia torna-se ainda mais viável. “A utilização do etanol em veículos pesados é bastante natural, principalmente na aplicação para a lavoura da cana-de-açúcar”.
Funcionamento é semelhante
 
Inventado pelo engenheiro alemão Rudolph Diesel em 1893, o motor a diesel – ou motor de ignição por compressão – tem como princípio de funcionamento a combustão realizada pelo aumento da temperatura provocada pela compressão do ar. Reconhecido pela sua eficiência e pelo baixo consumo, ele torna-se ainda mais econômico e competitivo com a utilização da nova tecnologia Iveco Trakker Bi-Fuel Ethanol-Diesel. Basicamente, o que difere no funcionamento do motor Bi-Fuel para um propulsor que utiliza somente óleo diesel é que o etanol é injetado juntamente com o ar na fase de admissão, antes da etapa de compressão.
Depois de comprimida, essa mistura ar/etanol é detonada com o próprio diesel, sem o uso de aditivo ou antidetonante, e, em seguida, é expelido normalmente. Segundo o engenheiro a taxa de compressão do motor a diesel foi mantida, e o uso do etanol não altera a curva de torque e de potência quando o motor Cursor 9 Bi-Fuel é comparado com o mesmo motor a diesel. Vale frisar que, se for opção do proprietário, é possível apenas utilizar o combustível derivado do petróleo. Outra característica desse veículo, que ainda não tem previsão de lançamento comercial, é que a manutenção e o desgaste do motor são comparáveis aos de um motor que utiliza somente o óleo diesel, sem que a vida útil da unidade seja impactada. Pois ele continuará sendo do tipo ciclo diesel, mas com um sistema de injeção específico para o etanol.

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