Sem caminhoneiros, empresas do PR pensam em importar profissionais

Com mais de 10 mil empresas de transporte no Paraná,  ser motorista de caminhão nunca foi tão valorizado. Atualmente, cinco mil vagas de emprego para motoristas profissionais estão abertas no estado, mas como a procura por essas oportunidades é pequena, as transportadoras estão estudando a possibilidade de trazer motoristas de outros países para suprir a necessidade do mercado.

“Nós estamos pensando em ir atrás de motoristas em países vizinhos, como a Argentina e Paraguai, para suprir a necessidade do setor. Ou fazemos isso ou teremos mais problemas, como prejuízo no escoamento de grãos e falhas na entrega de mercadorias”, prevê o presidente  do Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas no Estado do Paraná (Setcepar), Gilberto Cantu. “É comum ver de 10 a 15 caminhões parados em pátios de empresas grandes porque não há mão de obra, com isso todos os setores da economia são prejudicados”, afirma.

Mesmo com o salário atrativo, que pode variar de R$ 1.500 a R$ 5 mil, o desinteresse, o risco que se corre ao trabalhar com caminhão e a quantidade de dias que o profissional fica longe de casa são apontados, por especialistas do setor, como barreiras para suprir a demanda oferecida. “É uma profissão de risco, as condições das estradas não são as melhores e é preciso conviver com o perigo de roubos e assaltos. A pessoa precisa gostar da profissão e estar consciente que ficará muito tempo longe de casa, isso é um impeditivo”, diz o presidente do Setcepar.

Entretanto, enquanto as empresas batalham para encontrar profissionais, há quem ainda sonhe com a vida na estrada. O cozinheiro Vismar Preste enxergou na carreira de motorista profissional uma oportunidade para melhorar de vida. “Eu quero dar uma vida estável para a minha família, oferecer um estudo melhor para a minha filha e ter uma vida boa”, diz.  Já o caminhoneiro Luis Camilo Seguro, que está na estrada há 47 anos, afirma que o trabalho é fascinante e que aprendeu diversas coisas na estrada. “Eu gosto de viajar e por isso não largo nunca do volante. O problema é que agora há muitos carros nas estradas e está muito perigoso ser motorista”, contou o caminhoneiro que foi teve a carga roubada horas antes de parar em um posto de combustíveis para descansar.

Em Londrina, na região norte do Paraná, uma transportadora  contabiliza os prejuízos por falta de mão de obra. Todos os dias, duas ou três carretas ficam paradas porque não há motoristas.  Já em Paranavaí e Umuarama, na região noroeste do estado, as Agências do Trabalhador das duas cidades estão com mais de 100 vagas abertas para motoristas de carreta. As vagas são de uma única transportadora que tem sede em Maringá, na região norte do estado, e que além dessas também divulga outras 100 vagas em agências de diferentes cidades da região norte do Paraná com o objetivo de preencher o quadro de funcionários.

Já para o presidente da regional do sindicato em Maringá, Jeasi Oliveira de Souza, a falta de profissionais se dá porque a economia brasileira está aquecida e há a necessidade de mão de obra em todas as áreas.

“Hoje a pessoa pode escolher onde e com o que quer trabalhar, além de poder optar pelo cargo com melhor salário. Não é como antigamente que havia poucas oportunidades”, argumenta.

Ainda segundo Souza, há alguns anos atrás a profissão era tradição familiar e isso fazia com que os filhos assumissem o volante junto dos pais. “Hoje os filhos dos caminhoneiros têm a disposição centenas de cursos técnicos ou de ensino superior gratuitamente, então eles preferem ficar em casa a correr o risco de enfrentarem qualquer tipo de problema na estrada”, explica.

Profissionalização

Para tentar reverter a situação, o Serviço Social do Transporte (SEST) e o Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte (SENAT) realizam cursos profissionalizantes para capacitar futuros profissionais. Por meio do Programana Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec), o Sest/Senat aprimoraram um curso de capacitação voltado para jovens com pouca experiência no volante ou para motoristas com experiência que não conhecem as novas tecnologias inseridas nos veículos. “Preparamos o profissional desde o começo, quando ele ainda está cru e entregamos para a empresa com um nível de conhecimento avançado. O curso tem a duração de quatro meses, é bem completo”, detalha o gerente da unidade Sest/Senat de Maringá, Cláudio Roberto Vieira.

Mas de acordo com o Vieira, nem sempre as transportadoras estão dispostas a esperar. “Muitas vezes temos dificuldade em fechar o curso porque as empresas querem o motorista pronto, com segundo grau completo e que domine as tecnologias embarcadas. Mas, se elas não querem esperar temos mais uma barreira”, argumenta.

A Confederação Nacional do Transporte também lançou um curso para formação de motoristas ainda no ensino médio. A ideia é habilitar jovens que acabaram de completar 18 anos a dirigirem caminhões pequenos para após cinco anos estar apto a dirigir carretas e bitrens. As informações são do G1.

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