Segurança, eficiência e digitalização na Intermodal

Trava elétrica para contêineres, recursos inteligentes da Wabco e novos serviços da Tora são destaques para o transporte rodoviário de carga

Em meio à profusão de serviços e produtos das áreas portuárias e ferroviárias, os segmentos que mais marcam presença na 25ª Intermodal South America, ocorrida de 19 a 21 de março, em São Paulo, algumas soluções bem-vindas para o segmento de transporte rodoviário de carga se destacaram. Foram os casos de uma inovadora trava elétrica para contêineres, a tecnologia da Wabco para aumentar eficiência e os rumos da Tora Transporte em oferecer frete por demanda via canal digital.

Veículos de carga hoje são suportados por avançada tecnologia, podem ser monitorados de maneira remota, permitindo acesso a informações de seu funcionamento e controle, como intervenções no motor ou mesmo abertura e fechamento de portas. Parecer ser contraditório, no entanto, que o travamento dos contêineres sobre a carreta ainda seja feito manualmente. A Tek Trade, empresa de importação e exportação de Santa Catarina, pretende transformar essa realidade.

A companhia desenvolveu um sistema de travamento elétrico capaz de contribuir com mais agilidade e segurança nas zonas portuárias e nas estradas. O Safety Lock, como foi chamado, deve ser instalado no porta-contêiner e substitui a borboleta manual do pino que trava a caixa de carga pela comodidade de interruptores instalados no painel do veículo.

“É uma solução inédito no mundo”, garante Edmilson Silva, executivo de vendas da Tek Trade. “O Safety Lock reduz o tempo de carregamento e, consequentemente filas, evita acidentes nos bolsões e oferece oportunidade para o caminhoneiro ser eficiente em suas operações.”

De acordo com o representante da Tek Trade, para travar um contêiner o operador leva, em média, oito minutos, além de ficar exposto à movimentação externa das zonas portuárias, situação propensa a acidentes de trabalho. Com o Safety Lock o tempo cai para menos de dois minutos e o motorista não precisa mais sair da cabine.

Foram três anos de pesquisa e investimento em torno de R$ 300 mil na ideia de Carlos Paulino, o criador da patente. “Partimos do objeto de aumentar segurança e encontrar uma maneira de eliminar gargalos. Chegamos a uma solução que traz dinamismo à operação, uma ferramenta para caminhoneiro poder faturar mais e também capaz de reduzir os custos portuários”.

Segundo o executivo de vendas, o Safety Lock surge na Intermodal como um pontapé inicial. O equipamento se encontra em fase de homologação no Inmetro e, ainda este ano, será instalado em uma carreta para testes em operação da própria Tek Trade em portos do Sul do País. “Temos capacidade para investir em linha de produção, mas buscamos parceiros para viabilizar o negócio.” Com possíveis apoios de fabricantes de implementos, a empresa espera que o sistema seja considerado como padrão de fábrica em reboques e semirreboques.

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Receita aerodinâmica

A Wabco, em parceria com a Ebmac, transportadora paranaense em segmentos de carga consolidada, começa testes no País com as diversas tecnologias do Programa Semirreboque Inteligente (ITP). A empresa transportadora será a primeira a utilizar o chamado OptiFlow Tail, acessório aerodinâmico instalado na traseira da carreta com o objetivo de reduzir a resistência do ar. Segundo estudos realizados na Europa, o uso do recurso proporcionou economia de combustível de 1,1 litro a cada 100 km rodados.

No Brasil, os testes estão apenas começando, inicialmente em duas composições da Ebmac, configuradas com cavalo-mecânico 6×2 atrelada a um semirreboque convencional de três eixos, a configuração dominante da frota de 54 veículos da empresa. “Temos uma expectativa de retorno em pouco tempo, em torno de três anos, a partir de um investimento R$ 15 mil por unidade”, revela William de Oliveira, diretor da transportadora. “Em breve, também avaliaremos os acessórios aerodinâmicos laterais. Com os recursos combinados, a projeção é de termos uma economia de combustível por volta de 2 litros de diesel a cada 100 km.”

As soluções Wabco introduzidas nos caminhões da Ebmac, no entanto, não se limitam a acessórios aerodinâmicos. O programa ITP permite incrementar o semirreboque com inteligência proveniente de mais de cinquenta funções disponíveis, aplicadas conforme a necessidade da operação, e tudo reunido com acesso por aplicativo, o OptiLink. São recursos que aprimoram a eficiência operacional do caminhão, aumentam a segurança e facilitam o trabalho do motorista.

Dentre os diversos recursos acionados pela tela de um smartphone, o OptiLevel, por exemplo, ajusta a carreta de acordo com a altura das docas dos armazéns, com possibilidade de memorizar os locais mais frequentes de entrega. Há outras funcionalidades também, como controlar peso por eixo pelo OptiLoad, permitindo melhor distribuição de carga, monitorar a pressão e temperatura dos pneus pelo OptiTire, suspender eixos quando vazio pelo Lift Axle Control ou até mesmo ser avisado de obstáculos na traseira do caminhão pelo TailGuard, que responde com frenagens automáticas.

Transportadora digital

Nos próximos dois anos a Tora Transportes investirá R$ 25 milhões para ser cada vez mais digital. A empresa, em parceria com a TruckPad, dá formas iniciais a novo serviço por meio da criação da Tora Digital. Transportadora agora passará a contratar terceiros, em torno de 2,5 mil caminhoneiros autônomo por mês, em ambiente virtual, por aplicativo.

“Esperamos otimizar recursos, diminuir tempos operacionais e melhorar o nosso desempenho na contratação de autônomos”, diz Janaína Araújo, presidente da Tora Transportes. “Isso ainda aliado à importante ajuda que oferecemos aos nossos caminhoneiros parceiros na busca por cargas de retorno, evitando que rodem vazios na procura por fretes.”

Se acordo com a executiva, o aporte destinado ao novo negócio será alocado em diversas startups para avançar no desenvolvimento do sistema criado. “Não iremos somente gerenciar a contratação de autônomos, mas também utilizar modernas ferramentas de mobilidade para estabelece um novo padrão de excelência operacional, digitalizando as etapas do processo e construindo um Big Data. É um novo produto, uma nova era no setor e um novo modelo de negócios para o transporte de carga brasileiro”, resume a Janaína Araújo.

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