Presidentes de entidades falam sobre o atual cenário econômico do TRC

No dia 24 de julho, o Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas de São Paulo e Região, o SETCESP, realizou o tradicional almoço da diretoria plena que, neste ano, contou com a participação do Governador do estado de São Paulo, Márcio França.

Durante o evento, foram debatidas questões relacionadas ao TRC brasileiro que, no atual momento, vive a expectativa de algumas transformações, como a eminente aprovação do Marco Regulatório e a tramitação de uma tabela de frete mínimo para o setor.

Chico da Boleia esteve presente no almoço e pode conversar com Flávio Benatti, presidente da FETCESP, e com Tayguara Helou, Presidente do SETCESP e anfitrião do evento. Ambos falaram sobre o cenário econômico atual e as expectativas do setor para o este novo semestre. Confira na íntegra.

Chico da Boleia: Flávio, estamos praticamente iniciando o segundo semestre. Qual a expectativa para o setor dos transportes?

Flávio Benatti: Olha Chico, na realidade a economia brasileira dá sinais de uma pequena recuperação. Atualmente se tem falado de um crescimento de 1,5% do PIB. Isto é insuficiente! Ou seja, a economia brasileira ainda está andando de lado. Consequentemente o nosso setor é um dos mais afetados por isso, porque não havendo um acréscimo da produção, um aumento da economia, o setor do transporte é muito prejudicado. Nós vemos com certa preocupação essa situação. O único setor que tem respondido bem economicamente é o agronegócio, que cresce acima dos índices do PIB. Esse setor nesse momento está sendo afetado pela questão do tabelamento de frete. Há uma grande discussão sobre esse ponto e nós precisamos realmente avançar nisso, saber como ele vai ficar, para que possamos ter um resultado melhor. Lamentavelmente o que temos para colocar é isso. Não podemos comemorar aquilo que na realidade não existe. Estamos próximos a um processo eleitoral e esse momento traz incertezas para investidores. A gente vê que os investimentos para o país ainda não estão acontecendo como deveriam – embora o Brasil seja um país que precise de grandes investimentos, de uma parceria público-privada, não só no discurso. Nos últimos anos a gente tem visto que essas parcerias não saem do papel muito em função da incerteza de credibilidade na política do país, incerteza sobre os ajustes que precisam ser feitos, como a questão da previdência, da carga tributária, entre outros. Se fala muito em reformas, mas as coisas não estão saindo do papel. Então, o Brasil vive esse momento que é de muita incerteza e de muita expectativa, para que a gente possa saber qual é o rumo que ele vai tomar daqui em diante.

 

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Chico da Boleia: Tayguara, como você vê o cenário econômico para o setor de transporte aqui em São Paulo nesse segundo semestre?

Tayguara Helou: Chico, em primeiro lugar, é um prazer recebe-lo aqui. O Chico da Boleia é o melhor periódico multimídia do nosso setor. É um prazer conversar contigo, com seus leitores e ouvintes. A gente acredita que o segundo semestre de 2018 seguramente será melhor do que o primeiro. Isso é natural, é histórico! Alguns dos indicadores de desenvolvimento foram reduzidos agora e foram reavaliados por grandes instituições, grandes autarquias públicas.

Mas o Brasil é um país que já deu certo. Eu sou pragmático e sou fã de carteirinha do nosso país. O nosso setor tem uma responsabilidade muito grande em viabilizar indústria, comércio, varejo e a sociedade brasileira. Hoje, a gente realiza aqui na Federação um grande evento. Recebemos o governador do estado de São Paulo, Marcio França, que trouxe uma palavra muito positiva em relação ao estado. Então eu me sinto satisfeito e muito feliz.

Chico da Boleia: Está acontecendo a discussão sobre a tabela do frete que tem gerado muitos debates entre o poder público e o setor. Também está em pauta no Congresso Nacional a questão do marco regulatório. Qual a posição do SETCESP sobre isso?

Tayguara Helou: São dois assuntos muito polêmicos e a gente sabe disso. Sobre o preço mínimo de frete, que é diferente de uma tabela, o setor está muito dividido. Uma parte apoia e a outra não. Enquanto entidade, nosso posicionamento é técnico, por isso estamos fazendo um estudo junto com o DECOP, Departamento de Estudos Econômicos da NTC & Logística, para que a gente possa elaborar uma nota técnica e sair com uma sugestão daquilo que está errado na tabela, na base de cálculo, na aplicabilidade, e por assim vai. Então a posição da nossa entidade é neutra e técnica.

Em relação ao marco regulatório, ele tramita pelas casas legislativas. Está ainda sob análise do Senado nacional, que vai abrir um prazo para que se faça o rito necessário para a aprovação do marco. E nós estamos acompanhando e dando sugestões de muito perto.

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