Petroleiros da Bacia de Campos fazem greve hoje

Os empregados da Petrobras na Bacia de Campos (responsável por mais de 80% da produção nacional de petróleo) marcaram para hoje uma paralisação de 24 horas. O objetivo é protestar contra uma mudança no pagamento das horas extras trabalhadas de cerca de 4,5 mil funcionários que atuam embarcados.

A Petrobras informou, por meio de nota, que irá atuar para que não haja qualquer prejuízo às atividades da empresa e ao abastecimento do mercado. Segundo a petroleira, em mobilizações como essa, a empresa tem como prática “tomar todas as medidas necessárias” para garantir a normalidade das operações, além de trabalhar para manter as condições de segurança dos trabalhadores e das instalações da empresa.

A mudança do pagamento das horas extras, questionada pelo sindicato, faz parte de uma disputa travada entre sindicatos e a Petrobras na Justiça que já completa oito anos.

José Maria Rangel, coordenador do Sindipetro e diretor do departamento de Segurança Meio Ambiente e Saúde da Federação Única dos Petroleiros (FUP), explicou que a ação movida pelos sindicatos, em 2005, pedia que os funcionários sindicalizados que trabalhavam embarcados na época (cerca de 4,5 mil) recebessem um valor pelas horas extras trabalhadas diferenciado dos funcionários que trabalhavam em horário comercial.

Esse pleito foi vencido pelos funcionários no Tribunal Superior do Trabalho (TST), em dezembro de 2011, cuja decisão começou a ser cumprida pela estatal em abril de 2012. Este mês, a Petrobras conseguiu uma liminar, no TST, para que não fossem incluídos novos funcionários neste benefício, segundo Rangel.

Entretanto, Rangel afirmou que funcionários que já tinham direito ao benefício notaram em contracheques, entregues na sexta-feira, que a empresa havia suspendido o pagamento diferenciado. “Para o sindicato, a atitude da empresa é ilegal”, afirmou.

A decisão pela paralisação foi tomada em assembleias realizadas no domingo. O indicativo do sindicato, aprovado nas assembleias, é o de que somente atividades essenciais, como de saúde e segurança, sejam realizadas hoje. “Somente com a mobilização a Petrobras será pressionada a agir dentro da lei”, completou.

Os sindicatos devem se reunir na sexta-feira para avaliar os resultados da greve e definir quais serão os próximos passos.

Valor Econômico 

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