Com produto de preço médio, brasileiros tentam aumentar suas exportações

Com quase 80% do mercado brasileiro dominado por rótulos importados, os vinhos finos nacionais buscam alternativas para crescer no exterior. Os números ainda são pequenos, apesar dos nove anos do programa “Wines of Brasil”, desenvolvido pelo Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin) e pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações (Apex), mas o setor confia que a exposição do país com a Copa do Mundo de 2014 e com a Olimpíada de 2016 no Rio vai turbinar o desempenho daqui para a frente.

“O vinho nacional ainda é novo no exterior e agora temos novas oportunidades de divulgação em festivais de promoção de produtos brasileiros relacionados aos eventos esportivos”, diz a gerente do “Wines of Brasil”, Andréa Milan. Segundo ela, a desvalorização do real nos últimos meses também facilita o fechamento de novos contratos de exportação, embora o país não dispute mercado no segmento de preços baixos e grandes volumes, que mais se beneficiaria da variação cambial. “Trabalhamos numa faixa intermediária de preços”, diz a executiva.

Nos Estados Unidos, a maior parte dos vinhos brasileiros é vendida por US$ 15 a US$ 20, enquanto na Europa a faixa fica entre € 15 e € 20 e na Ásia, entre US$ 40 e US$ 50. Para o produto entrar em segmentos mais caros, considerados “superpremium”, ainda é necessário um trabalho de mais longo prazo, afirma Andréa.

Conforme o Ibravin, em 2012 o Brasil exportou 1,1 milhão de litros de vinhos finos por US$ 3,6 milhões. Desse total, 504 mil litros, que renderam US$ 2,4 milhões, foram embarcados pelas 40 vinícolas associadas ao programa desenvolvido com a Apex, incluindo desde pequenas empresas como Lídio Carraro e Don Guerino até grandes como Miolo, Salton e Aurora.

O desempenho do primeiro semestre de 2013 ainda não foi beneficiado pelo câmbio e as vendas externas do setor ficaram relativamente estáveis em comparação com o mesmo período do ano passado. Os embarques cresceram 1,9% em volume, para 519,5 mil litros, mas recuaram 1,1% em faturamento, para US$ 1,65 milhão. Os principais destinos foram Estados Unidos, Paraguai, Colômbia, China e Alemanha.

Do total exportado, o “Wines of Brasil” respondeu por US$ 1,3 milhão, mas a expectativa do programa é que o número alcance mais de US$ 4 milhões no acumulado do ano e cerca de US$ 8 milhões em 2016. Considerando também os embarques de espumantes, Andréa prevê que as vinícolas associadas deverão exportar US$ 5,3 milhões em 2013 e US$ 10 milhões em 2016.

Maior exportadora do setor, a Miolo embarcou cerca de US$ 1 milhão em vinhos finos engarrafados no primeiro semestre, o equivalente a 60% de todo o país. Incluindo vinho a granel e espumantes, as vendas externas da empresa somaram US$ 1,3 milhão de janeiro a junho, valor igual ao apurado em todo o ano passado, diz o gerente de exportações da Miolo, Fabiano Maciel.

Segundo ele, a Miolo entrou com mais força no mercado externo em 2006 e a expansão deste ano deve-se ao aumento da participação em países como Estados Unidos, Japão, Bélgica, Dinamarca e Irlanda do Norte, além da abertura de novos clientes em países como Paraguai, Uruguai e Coreia do Sul.

Em 2012 as exportações responderam por 2% do faturamento da Miolo, que somou R$ 128 milhões, e para este ano a meta é pelo menos dobrar esta participação, adianta Maciel.

Valor Econômico

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