Petrobras vai manter a política de reajuste

Os reajustes no diesel e na gasolina não superaram a defasagem em relação aos preços internacionais

A presidente da Petrobras, Graça Foster, disse, ontem, que a Petrobras vai manter a política de médio e longo prazos para reajustar preços de combustíveis. A estratégia evita repassar ao mercado doméstico as oscilações de curto prazo no preço do petróleo no mercado internacional. Ela admitiu, entretanto, que persiste a defasagem de preços, apesar dos últimos aumentos.

Com a política de reajuste de médio e longo prazos, a Petrobras conseguiu manter seus preços acima do nível internacional até o final de 2010. Mas, com o aumento do preço dos combustíveis e a desvalorização do real ante o dólar a partir de 2011, o preço do combustível no Brasil ficou muito defasado e gerou prejuízos à estatal petrolífera.

Segundo Graça Foster, os quatro reajustes no preço do diesel, que somaram 21,9%, e os dois da gasolina, que somaram 14,9%, nos últimos meses, ainda não foram suficientes para superar a defasagem em relação aos preços internacionais.

“Vinte e dois por cento no diesel é um reajuste bastante expressivo. Na gasolina, tivemos quase 15%. Se não fosse pela desvalorização do câmbio, porque nossos preços são em reais, teríamos tido uma convergência muito mais próxima dos preços internacionais”, disse a presidente.

Importações até 2020

Durante a apresentação do Plano de Negócios 2013-2017, na manhã de ontem, o diretor de Abastecimento da Petrobras, José Carlos Cosenza, destacou que a demanda por combustíveis é crescente, porém “é preciso respeitar o tempo de maturidade das refinarias”, completou.

“É importante que as refinarias sejam viáveis economicamente. Os projetos têm maturidade em relação ao plano anterior”, afirmou Cosenza. O diretor da Petrobras admitiu, no entanto, que, mesmo com a entrada das novas unidades de refino, o Brasil continuará deficitário em combustíveis.

Mesmo com o aumento da produção de derivados de petróleo, a empresa continuará importando 29% da demanda de combustíveis até o ano de 2020, o equivalente a um déficit de 972 mil barris por dia – saldo entre a capacidade de processamento de petróleo da estatal, de 2,4 milhões de barris por dia, e a demanda de 3,38 milhões de barris por dia.

Investimentos

A prioridade continua sendo os investimentos para exploração e produção, disse o diretor de Exploração e Produção da Petrobras, José Miranda Formigli. O setor receberá 62% do total de US$ 236,7 bilhões do programa de investimentos, o que equivale a US$ 147,5 bilhões para a área. O pré-sal receberá 24% do total em E&P; a área exploratória da cessão onerosa, 6%.

“(A distribuição dos recursos) está associada ao índice de sucesso nas áreas”, disse Formigli. O desenvolvimento da produção, fase imediatamente posterior à decretação de comercialidade dos campos, receberá a maior parte do orçamento (69%).

Pré-sal: produção de 1 mi de barris

Segundo a presidente da Petrobras, Graça Foster, a produção do pré-sal chegou a 300 mil barris por dia em fevereiro deste ano Foto: Agência Petrobras

Rio A produção de petróleo extraído da camada pré-sal pela Petrobras no Brasil deve superar 1 milhão de barris em 2017. A previsão está no Plano de Negócios e Gestão 2013-2017, apresentado ontem pela empresa a investidores.

Segundo a presidente da Petrobras, Graça Foster, a produção do pré-sal chegou a 300 mil barris por dia em fevereiro deste ano. Ela ressaltou que a empresa levou apenas sete anos para atingir essa marca. Na Bacia de Campos, por exemplo, foram necessários 11 anos, na porção americana do Golfo do México, 17 anos, e no Mar do Norte, nove anos.

“Considero que é completamente descabida qualquer ilação que possa desqualificar a Petrobras sobre a ótica de sua capacidade para produzir o pré-sal no Brasil. Essa desqualificação não se sustenta. A produção está posta: são 300 mil barris de petróleo por dia”, disse.

O plano prevê ainda que a produção chegará a 2,1 milhões de barris de petróleo em 2020. Entre os desafios tecnológicos já superados, segundo Graça Foster, estão a redução do tempo necessário para preparar um poço e a realização de sísmicas (buscas) de alta resolução, que garante mais sucesso exploratório.

Emissão de ações

Para dar sustentação ao seu novo plano de investimento, a Petrobras manteve as mesmas premissas do programa anterior, como a manutenção do grau de investimento e a ausência de uma nova emissão de novas ações para se financiar.

Outros dois pressupostos são a convergência no longo prazo aos preços internacionais e o foco na venda de ativos da companhia no Brasil e no exterior, cujo objetivo é fazer caixa. “Os fundamentos são exatamente os mesmos do plano de 2012 a 2016”, disse Graça Foster.

Na área financeira, o objetivo é manter a alavancagem em, no máximo, 35% e a relação dívida líquida sobre Ebitda (geração de caixa) no teto de 2,5% – limites nos quais a estatal tem se aproximado nos últimos trimestres.

O novo plano prevê praticamente os mesmos valores de investimento do anterior (US$ 236,7 bilhões de 2013 a 2017). Desse total, US$ 207,1 bilhões são referentes a 770 projetos em implantação e US$ 29,6 bilhões para 177 projetos em avaliação.

Fonte: Diario do Nordeste

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