OS TIPOS DE PNEUS E SEU USO ADEQUADO – OS CRITÉRIOS NA HORA DA COMPRA

Por Marcos Aoki, Diretor Comercial da Bridgestone do Brasil

 Para os transportadores que passam o dia a dia nas estradas, otimizar o tempo e as despesas com os veículos é fundamental. E efetuar a compra e o uso correto dos pneus é essencial para obter o melhor desempenho, economia de combustível e realizar uma viagem segura. Poucos se dão conta da importância dos pneus nos veículos. Porém, se pararmos para pensar, chegaremos à conclusão de que nada resolve ter um veículo superpotente ou com o melhor sistema de freio do mundo, se os pneus não estiverem adequados, pois são eles que transferem toda força de tração e frenagem do veículo para o solo.

 O pneu também é o responsável por suportar todo o peso do veículo e da carga, além de ser o primeiro item da suspensão. Para garantir o uso inteligente dos pneus, prolongando sua vida útil, e preservar a segurança do motorista, é necessário que ele fique atento na hora de escolher.

 Na hora de adquirir um pneu, o caminhoneiro ou frotista deve levar em consideração as especificações do fabricante do veículo e as características básicas do produto que melhor atenda suas necessidades operacionais e proporcione a melhor relação Custo por Quilômetro (chamado de CPK) em todo ciclo de vida útil do pneu. Dessa forma, minimiza os erros na escolha do produto indicado para sua condição de trabalho.

 Temos dois tipos de pneu, o com câmara e o sem câmara, e também dois tipos de construção, radial e diagonal (também chamada de convencional). A tendência do mercado está nos pneus de construção radial, tendo em vista o ganho de desempenho, porém é necessário sempre avaliar a melhor aplicação. Este ganho se dá pela sua forma construtiva, uma vez que este pneu tem sua carcaça composta por uma única lona de corpo disposta no sentido radial de um talão ao outro, passando pela lateral do pneu, onde, independente destas lonas, temos o pacote de cintas que se sobrepõe e ficam apenas na área da banda de rodagem. Desta forma, as laterais ficam independentes da banda de rodagem, proporcionando maior área de contato com o solo, gerando maior aderência, tração, frenagem e menor aquecimento do pneu.

 Temos também o pneu de construção diagonal/convencional, que possui sua carcaça composta por uma sobreposição de lonas têxteis, que saem de um talão e vão até o outro, passando pelas laterais e banda de rodagem. Essas lonas estão orientadas no sentido diagonal ao plano de rolamento do pneu, formando um só bloco, o que causa maior robustez do pneu e maior atrito com o solo e, consequentemente, maior aquecimento.

 Escolher o pneu de acordo com a aplicação também resultará em benefícios para o transportador. Existem diferentes produtos para as diferentes funções: rodoviário, regional, urbano ou misto (uso em rodovias e terrenos fora de estrada). Além disso, a posição de rodagem – direcional, tração e eixo livre – e a dimensão do pneu também são fundamentais para que se obtenha o melhor desempenho do caminhão e ganho de quilometragem.

 É importante destacar que existem pneus radiais e diagonais para todas as posições (direcional, tração e eixo livre). Porém, nem sempre com a mesma amplitude de medidas. O pneu radial possui uma concepção mais moderna e vem sofrendo constantes aprimoramentos, tanto no sentido de novos desenhos e novas dimensões. Outras características técnicas do produto também devem ser levadas em consideração: IC/SV – índice de carga/símbolo de velocidade, profundidade dos sulcos e pressão para carga máxima.

 Ao observar as especificações técnicas indicadas pelo fabricante do veículo e respeitar as características para o uso adequado dos pneus, os motoristas ou frotistas podem obter o melhor desempenho de seus produtos, prolongando sua vida útil e preservando sua carcaça, garantindo ainda um bom índice de recapabilidade.

*Marcos Aoki é gerente geral de vendas e marketing da Bridgestone do Brasil. Formado em Engenharia Mecânica pela USF, pós-graduado em Engenharia de Qualidade pela UNICAMP e em Marketing pela ESPM e com MBA em Gestão de Negócios pela FGV, atua no segmento automotivo há mais de 25 anos, tendo iniciado na Bandag em 1987 e na Bridgestone em 2008 (a Bridgestone adquiriu a Bandag em 2007, unindo a maior fabricante de pneus do mundo com a líder global em recapagem de pneus). 

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