Minas Gerais vai incentivar a troca de caminhão velho

Após cair quase 20% em 2012, o mercado de caminhões mostra neste ano uma recuperação baseada em compras do governo e, principalmente, taxas de juros subsidiadas nos financiamentos a bens de capital do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Agora, as montadoras querem reforçar o terceiro pilar de sustentação dessa retomada da indústria de veículos pesados, que são os programas estaduais de apoio à renovação de frotas.

Na próxima semana, Minas Gerais, a exemplo de São Paulo e Rio de Janeiro, lança seu programa de estímulos para substituir os caminhões antigos que circulam pelas estradas mineiras. A informação partiu de Luiz Moan, presidente da Anfavea, entidade que representa as montadoras instaladas no país, e foi confirmada pelo governo de Minas Gerais. Mas ambas as partes não deram detalhes sobre qual tipo de estímulo será dado.

O anúncio dos benefícios está previsto para a segunda-feira em evento na sede do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG). Os incentivos constarão de um projeto de lei a ser encaminhado ao poder legislativo.

Segundo Moan, cerca de 70 mil caminhões em Minas Gerais têm mais de 30 anos. ”Isso significa poluição e insegurança no trânsito, não só para as pessoas, mas para a própria carga transportada pelo veículo”, afirmou o executivo, acrescentando que o Rio Grande do Sul e o Paraná são outros Estados interessados em desenvolver programas para modernizar as frotas de caminhões.

Segundo balanço da Fenabrave, entidade que representa as concessionárias, a idade média da frota circulante de caminhões no país passa de 17 anos. Em São Paulo e no Rio de Janeiro, dois dos maiores mercados do país, já existem incentivos à substituição dos caminhões mais velhos e, nos dois casos, esses veículos são encaminhados como sucata para reciclagem em usinas siderúrgicas.

No caso de São Paulo, o programa começou pela região portuária de Santos, onde caminhoneiros têm acesso a taxas de juros subsidiadas – de 0,33% ao mês – no financiamento de até 100% do valor do veículo, com prazo de 96 meses e seis meses de carência. No Rio, os incentivos incluem isenção do Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) na aquisição de caminhões novos, assim como crédito para abatimento desse tributo nas atividades dos transportadores. A meta do governo fluminense é reduzir de 17 para 12 anos a idade média da frota do Estado.

Apesar das iniciativas estaduais, Moan disse ontem que o ideal seria ter uma política nacional de modernização da frota de caminhões. De acordo com o executivo, o governo tem interesse nisso, mas tem cobrado a unificação de uma série de propostas apresentadas por sindicatos e entidades ligadas à indústria. “Conheço entre oito e dez propostas diferentes. A Anfavea está disposta a consolidar todas elas em uma única”, afirmou Moan, ao participar de entrevista coletiva à imprensa sobre a Fenatran, salão internacional do setor de transporte, que abre as portas ao público no dia 28 de outubro.

De janeiro a setembro, as vendas de caminhões no país mostraram crescimento de 13,6%, somando 115,1 mil unidades licenciadas – num desempenho que também reflete a demanda vinda com o transporte da safra recorde de grãos. A Anfavea prevê que esse volume chegará a cerca de 150 mil caminhões até dezembro, o que significaria um crescimento de 8% em relação a 2012, um ano negativo para a indústria de veículos pesados devido à transição na tecnologia dos motores que encareceu o preço do produto e gerou antecipação de compras no ano anterior.

Por Valor Econômico – SP

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