Fetrancesc se destaca pelas ações realizadas junto aos motoristas durante a pandemia

Uma das primeiras ações realizadas no início da pandemia pela Fetrancesc foi justamente oferecer alimento aos motoristas do TRC. (Foto: divulgação)

Fetrancesc se destaca pelas ações realizadas junto aos motoristas durante a pandemia

Resposta imediata, logo no início do isolamento, garantiu assistência básica aos trabalhadores do TRC

Encerrando mais uma semana de lives, Chico da Boleia conversou na tarde desta sexta-feira (21) com o presidente da Fetrancesc (Federação das Empresas de Transporte de Carga e Logística do Estado de Santa Catarina), Ari Rabaiolli. Um dos destaques do encontro foram ações realizadas pela entidade logo no início da pandemia (e nos meses seguintes), cuja resposta imediata ajudou milhares de motoristas que trafegavam pela região.

– A pandemia trouxe insegurança para o setor, provocada não só pelas dívidas com os fretes (cerca de 40%), mas também pela falta de acesso a serviços básicos nas estradas. Muitos moradores passaram a oferecer marmitas para os trabalhadores a beira da estrada, pois os estabelecimentos estavam fechados – conta Ari.

Uma das primeiras ações realizadas no início da pandemia pela Fetrancesc foi justamente oferecer alimento aos motoristas do TRC. “Com o apoio de empresas e da PRF conseguimos distribuir mais de quatro mil quentinhas, além de kits de segurança. E, junto ao governo estadual, garantimos o atendimento dos restaurantes, para pelo menos a entrega/venda de marmitas”, ressalta o presidente da entidade.

Outra medida tomada foi a criação de um aplicativo de telefone celular que facilitava o acesso a informação, referente aos serviços ativos nas rodovias (como postos, restaurantes, borracharia, dentre outros). Essas ações conjuntas garantiram o funcionamento e manutenção das atividades desses trabalhadores, que são essenciais para todos os setores da economia.

– Também fizemos uma parceria com o Sest Senat para que profissionais da área, colaboradores e familiares tivessem acesso a um curso sobre a Covid-19, ensinando os protocolos de segurança e prevenção da doença. Ao todo, são quatro horas de orientações, disponíveis em todas as unidades da instituição gratuitamente– revela Rabaiolli.

Ainda sobre a pandemia, Chico trouxe ao público a informação de que a campanha “Rede Solidária Chico da Boleia” manterá as atividades até o fim deste ano, visto as incertezas e dificuldades provocadas pela crise de saúde e que tanto afetam os caminhoneiros.

Cooperativa de crédito

Outro tema debatido durante a live foi a dificuldade que o caminhoneiro encontra para obter crédito na hora de trocar o veículo. Os mais prejudicados são, geralmente, os autônomos.

Segundo Ari, a Transpocred (Cooperativa de Crédito dos Empresários de Transporte do Sul do Brasi) – a qual preside – permite a participação do trabalhador do setor, seja autônomo ou não. “Qualquer tipo de segmento dentro do TRC pode fazer parte da cooperativa”.

– Nos identificamos muito com o trabalhador autônomo e também com o pequeno empresário, que muitas vezes necessita renovar a frota, mas não consegue crédito junto às instituições financeiras tradicionais. Atualmente, temos 25 mil cooperados e mais de R$ 500 milhões de ativos. No entanto, a instituição é pequena em comparação com a demanda do setor – diz Rabaiolli.

Corte de verbas no Sistema S

Ari também ocupa o cargo de presidente do Conselho Regional do Sest Senat de Santa Catarina e, segundo o representante, foi preciso repensar o funcionamento da entidade não só devido ao corte de verbas feito pelo Governo Federal, mas também pelos impactos gerais da pandemia.

Para Rabaiolli, umas das primeiras ações tomadas foi a sugestão de contenção de despesas, redução do salário e da jornada de trabalho para que, no decorrer dos meses, não houvesse demissão em massa.

– As empresas também sofreram desonerações, impactando na arrecadação do Sest Senat. No entanto, vale ressaltar que o Sistema S ligado ao transporte oferece todos os serviços gratuitos aos beneficiários do setor. E mantivemos ainda parte dos atendimentos ativos mesmo durante a pandemia, bem como as obras e reformas já iniciadas – revela.

Mudanças nos modais e futuro do TRC

– Não justifica mais um caminhão sair de Santa Catarina, em direção ao nordeste, tendo que passar por estados nos quais os índices de roubo de cargas são altos, além de trafegar por trechos onde não há pontos de paradas adequados aos motoristas. Temos um desafio enorme, mas precisamos nos adaptar as mudanças, como a cabotagem – pontua Ari.

Para o presidente da Fetrancesc, a tendência é a reinvenção no setor de TRC. Não há a possibilidade que as atividades desse segmento acabem, mas empresários e trabalhadores precisarão, daqui para frente, seguir as tendências e buscar saídas para se manterem ativos. “Isso pode, inclusive, ajudar a reduzir o custo do TRC, que é muito alto”.

Outra sugestão dada pelo representante é que os trabalhadores busquem qualificações e, no caso das empresas, certificações (como o ISO 9000). “O futuro está na mão de cada um”, conclui.

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