Entrevista – Deputado Major Olímpio Gomes

Chico da Boleia: Vamos conversar com o Deputado Major Olímpio, um defensor também dos caminhoneiros e abraçou a causa da FENACAT e das associações de proteção. Major, participando desta conferência e do processo que já tem um longo tempo, o senhor vê avanço? Como o senhor vê hoje as associações?

Major Olímpio: Olá Chico! Nós temos um grande avanço! Tivemos um grande avanço ano a ano. A FENACAT é ainda bastante jovem. Ela foi criada em 2006, temos 6 anos de atividade e nós estamos vendo uma série de conquistas das associações e da federação no que se refere à respeitabilidade da atividade. Eu acompanhei a FENACAT no Ministério Público de São Paulo para um termo de ajustamento de conduta em relação à auto-gestão que é feita, e hoje eu vejo a FENACAT, inclusive, acionando ao invés de ser acionada pelo Ministério Público, acionando em relação a pseudo-associações totalmente irregulares e que estão fora dos objetivos  de atendimento ao seu associado ao caminhoneiro. Vejo com muita satisfação esse prenúncio de, já nesta semana, a apresentação de um projeto de lei que vai alterar o artigo §53 do Código Civil, facultando a auto gestão às associações. É um projeto que vai ser apresentado por um senador que tem uma credibilidade nacional que é o Paulo Paim. Um incansável defensor do trabalho e do trabalhador. O posicionamento dele, eu tenho certeza, de que vai fazer valer uma seriedade maior pra aprovação desse projeto no Senado para depois ser encaminhado para a Câmara dos Deputados. Tudo isso é luta! Eu tenho certeza e eu acompanho passo a passo o trabalho das associações. Eu vejo que há um crescimento em relação à respeitabilidade da categoria. Essa é a questão mais fundamental, a dignidade e da condição de sobrevivência da dignidade ao caminhoneiro.

Chico da Boleia: Major, agradeço as palavras em função da FENACAT. O senhor, um militante também da corporação, não tem como a gente deixar de perguntar sobre um problema que está ocorrendo hoje no estado de São Paulo: o assassinato de policiais. A gente vê isso acontecendo há algum tempo e a gente vê o governo do estado, não diríamos fazendo “vista grossa”, mas sim não assumindo que existe um problema. A não ser agora, recentemente, que pegaram uma gravação, percebendo que o crime organizado tinha uma determinação que deveria revidar. Como é que o senhor vê essa situação e o que fazer?

Major Olímpio: Para o governo, não é nem questão de “vista grossa”. Ele não tem vista nenhuma para essa questão por problemas políticos partidários. O governo de São Paulo tem tentado negar a existência de facção criminosa mandando de dentro dos presídios no crime aqui fora. Dizendo que os policiais são azarados ou que estavam no lugar errado na hora errada e que não existem execuções premeditadas. Tragicamente as estatísticas mostram o contrário! Sou deputado de segurança pública da assembléia, tenho me mobilizado e denunciado essa omissão do governo  de São Paulo. E os policiais estão literalmente morrendo. Só neste ano foram executados 86 PM’s no estado de São Paulo, 4 policiais civis e 16 agentes penitenciários e mais de 120 tentativas de homicídio contra policiais militares. Tanto que estamos fazendo uma coleta de assinaturas. Inclusive, vou aproveitar a grande audiência que você tem com os irmãos caminhoneiros e pelo país todo Chico, exatamente para pedir a assinatura e a mobilização. Estamos com a iniciativa de um projeto popular, precisamos de 1 milhão e 400 mil assinaturas em pelo menos 5 estados pra apresentar um projeto de iniciativa popular. É o povo dizendo, tem que ter pena maior pra quem mata polícia, e é isso que  nós estamos pedindo ajuda e coletando assinaturas. Hoje eu pedi nas minhas palavras aqui e eu tenho certeza de que os caminhoneiros que contam efetivamente, não é só com a fiscalização do policial rodoviário federal, do policial rodoviário do estado, conta com a condição de se ter segurança com os policiais. Agora, se os policiais estão sendo executados, estão sendo massacrados, qual a sensação que passa para o cidadão? Qual a sensação que passa para o caminhoneiro que está, na maioria das vezes, isolado na estrada, e ele fala: “Escuta pelo amor de Deus, se tiver que ter alguma ação agressiva contra mim que pelo menos tenha uma força policial pra me defender como cidadão!”.  Agora, se esse defensor está sendo o alvo e sendo morto, imagina o que vai pensar o cidadão?! No estado de São Paulo, lamentavelmente, se tentou tapar o sol com a peneira, dizendo que não está acontecendo nada. Os números, a forma de execução, os tipos de armas utilizados normalmente: fuzis, tiros pelas costas, tiro na cara, policial executado com 15, com 20, com 25 tiros! Chico, eu estou transtornado este ano de tanto ir a velórios e enterros de policiais que foram mortos com o corpo crivado de balas. Alguns na frente da família. Como é a maioria no horário de folga, porque os marginais estão adotando esta estratégia de pegar o policial chegando ou saindo de casa, em um local onde ele está fazendo um bico, porque o salário é miserável, daí precisa fazer um bico de segurança na padaria, no posto de gasolina. O governo lava as mãos e diz que não aconteceu nada. Ele é um cidadão azarado na hora de folga.

Chico da Boleia: Esse é o Major Olímpio, colocando suas palavras que a gente apoia. Lembrando, companheiro caminhoneiro, que tanto nós caminhoneiros como em todas as profissões tem o lado bom e o lado ruim. E graças a Deus, o bom sempre é a maioria! Eu, Chico da Boleia, apoio a iniciativa do pessoal com relação a essa iniciativa popular e a gente vai disponibilizar no site uma forma de disponibilizar a planilha para poder preencher e mandar para vocês.

Chico da Boleia – “Orgulho de ser caminhoneiro!”

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