Empresários do transporte rodoviário de cargas falam sobre momento atual e futuro do setor

Apesar de sua magnitude e amplitude, o segmento não ficou imune aos impactos trazidos pela pandemia do novo coronavírus, ao mesmo tempo em que acabou por evidenciar a vitalidade do setor para a população. (Foto: reprodução)

Empresários do transporte rodoviário de cargas falam sobre momento atual e futuro do setor

Pandemia e tecnologia norteiam discussão em evento online

O transporte rodoviário de cargas é responsável por 11% do PIB do país, concentrando 65% de todo o modal de cargas, segundo apontam dados da Confederação Nacional dos Transportes (CNT). Um estudo da Agência Nacional dos Transportes Terrestres (ANTT) mostrou que o número de empresas registradas do setor de transporte rodoviários de cargas é de 144.637, com adicional de registro de 481.519 motoristas autônomos.

Apesar de sua magnitude e amplitude, o segmento não ficou imune aos impactos trazidos pela pandemia do novo coronavírus, ao mesmo tempo em que acabou por evidenciar a vitalidade do setor para a população. Retendo responsabilidades como abastecimento e sustento, o transporte de cargas adquiriu maior visibilidade durante o período de pandemia.

Em evento on-line, empresários do transporte rodoviário de cargas refletiram sobre os impactos da pandemia e sobre as perspectivas para o futuro do segmento. Segundo o CEO da TransRuyz Transportes, Antonio Ruyz, a primeira atitude tomada pelas empresas foi de acalmar o corpo operacional. “Quando a pandemia veio à tona, primeiramente tivemos que absorver o que estava acontecendo, pensar em planos de ações para que pudéssemos continuar com nossas atividades, que foi classificada como essencial. Além disso, tínhamos envolvidas as vidas de todos os nossos colaboradores. Então o primeiro momento foi de tranquilizar todo mundo, providenciar os meios de precaução, como utilização de álcool em gel, máscaras, medir temperatura. Esse novo ‘novo’ veio para ficar, e nós vamos nos adaptando. O transporte não pode parar”.

A head de gestão e inovação da Roda Brasil Logística, Rafaela Cozar, também detalhou seu plano de ação junto à sua empresa tendo em vista a crise pandêmica. “A primeira etapa foi montar o comitê de crise e tomar o cuidado com os colaboradores. Quando estourou essa situação, havia muita informação e nós não sabíamos se era fonte confiável ou não. Então, pegamos uma fonte segura de informação, consultamos os órgãos competentes, tudo que deveria ser feito, e movemos isso para a nossa base, para a nossa realidade. A segunda etapa foi a adaptação e a criação de oportunidades. Nós vimos que, sim, é possível criar novas oportunidades e se adaptar muito rapidamente. Reunião on-line é possível. O próximo ponto, eu diria, são as otimizações dos processos. Nós enxergamos novas formas de trabalho, principalmente no transporte, que lida muito com papéis. E o último ponto foi a aceleração da digitalização das empresas”.

Envolvimento social

O membro do conselho administrativo da Transita Transportes Andre de Simone falou um pouco sobre ações sociais feitas pelo setor e pela sua empresa. “A Transita Transportes sempre se colocou à disposição para ajudar. Sempre colocou o transporte à disposição para ajudar, e na pandemia não foi diferente. Colocamos alguns caminhões para transportar insumos farmacêuticos como doação para as grandes empresas. Conseguimos juntar várias doações, então, de várias formas, conseguimos ajudar transportando todas essas doações e também fazendo vaquinhas para poder comprar coisas para as pessoas que sofreram um pouco mais com a pandemia. Não foi só a Transita Transportes, não foi só meu grupo de amigos. O Brasil realmente parou para ajudar”.

Futuro

O COO da GVM Solutions Brasil, Felipe Medeiros, acredita em um futuro com perspectivas positivas para o setor de transporte rodoviário de cargas. “Acho que 2021 será um ano promissor para todos nós transportadores. Desde a crise, a greve dos caminhoneiros, em maio de 2018, o transporte passou a ser mais valorizado. De fato ele sempre foi visto com maus olhos: os caminhões que geram trânsito nas estradas, que atrapalham os feriados, que atrapalham a volta para a casa. Nesse período de crise tivemos várias quedas de faturamento: eu como GVM cheguei a ter uma queda de 70% de faturamento no mês de maio. Isso fez com que a gente se reinventasse, organizasse a casa, revisasse todos os nossos processos. Empresas como a nossa, que já investiam em tecnologia, em gerenciamento de risco, em otimização de processos em nível de serviço, estão sendo reconhecidas pelos embarcadores. Eu vejo, para 2021, uma certa valorização do transporte rodoviário de cargas, uma valorização das empresas, e acho que 2021 é o ano em que nós transportadoras temos que buscar a tão famosa meta de recuperação tarifária do setor.”

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