Cuidado com medicamentos é essencial para a cura

Muitas vezes o tratamento não é eficaz porque o paciente não sabe ou não entendeu como tomar o medicamento. É importante não ter dúvidas

Quantas vezes vemos pessoas que saem do consultório médico, compram o medicamento em uma farmácia ou recebem em um posto de saúde, mas não têm certeza sobre como devem usar? Às vezes pela falta de tempo do profissional que atendeu ou por vergonha de perguntar, o paciente chega em casa sem saber direito como proceder com o medicamento.

“É mais comum do que se imagina”, avisa a farmacêutica especialista em farmácia clínica Vanusa Barbosa Pinto, diretora da Divisão de Farmácia ICHC Coordenadora do Núcleo de Assistência Farmacêutica HCFMUSP, em entrevista ao Instituto Lado a Lado pela Vida. “Muitas vezes o paciente não toma corretamente o medicamento não porque não quer, mas porque não sabe”.

Ela ressalta ainda que muitas vezes o tratamento não é eficaz porque o paciente não entendeu como tomar o medicamento. “Há casos em que o paciente não obedece o jejum, por exemplo, porque não sabe o que é jejum. Outras vezes sabe o que é jejum mas não tem ideia exata do tempo”, explica. “Se é jejum mesmo, tem que obedecer o jejum antes e após tomar o medicamento. Se a pessoa toma o medicamento e come em seguida, não está em jejum”.

 Farmacêutico pode esclarecer dúvidas

O farmacêutico tem papel essencial na segurança medicamentosa do paciente – em ajudar o paciente a entender como deve ser ministrado o remédio, armazenado, doses, o que pode ou não ser feito.

Por isso, se ficaram dúvidas depois que buscou orientações com o médico, o ideal é procurar ajuda desse profissional. Há farmacêuticos tanto nas drogarias particulares quanto em postos de saúde que fornecem medicamentos. Eles são capacitados para esclarecer todo tipo de questões relativas aos medicamentos.

O que perguntar

O farmacêutico pode esclarecer todas as dúvidas relacionadas aos medicamentos, desde efeitos adversos, explicar os riscos da automedicação, dar informações sobre dosagem, como utilizar, como armazenar, variações na hora de tomar (quando é preciso fracionar, por exemplo, tomar 1/4  de comprimido) etc.

Há muitas dúvidas quando o medicamento necessita de dispositivos para adaptação, como os utilizados para asma. Segundo Vanusa, ao invés de colocar a cápsula dentro de um dispositivo para inalar pela boca ou nariz, por exemplo, algumas pessoas tomam a capsula com água.

O armazenamento é um ponto que também causa insegurança em alguns pacientes e precisa de cuidados especiais. Veja algumas dicas.

Dicas

Vanusa Barbosa Pinto dá dicas importantes sobre cuidados com os medicamentos.

>> Observe sempre quando for comprar medicamento ou pegar no posto se a caixa está íntegra, se a caixa não está danificada, com informações rasuradas ou embalagem suja. Esses são sinais de que o medicamento pode não ter sido armazenado com segurança ou ter perdido o efeito.

>> Nunca tomar medicamento que ficou guardado em casa por muito tempo.

>> Nunca guardar em banheiro e cozinha, por causa da umidade e do calor.  Melhor forma de guardar é em ambiente fresco e que não seja úmido.

>> Se o medicamento precisa ficar na geladeira, nunca deixe na porta, pois há muita variação de temperatura. É a parte que esquenta primeiro quando a geladeira é aberta. A medicação deve ficar no interior.

>> Siga as orientações do médico e do farmacêutico para usar o medicamento.

>> Não tome medicamento vencido.

>> Avise ao médico todo medicamento de que faz uso – mesmo aquele analgésico que toma por conta própria de vez em quando.

>> A dica mais IMPORTANTE – nunca tenha dúvidas com relação ao tratamento. Não existe pergunta idiota quando se fala em tratamento medicamentoso. Precisa esgotar todas as dúvidas.

A farmacêutica destaca que é essencial o paciente participar realmente do tratamento, sentir-se responsável. “Todo paciente tem que ser responsável pelo seu tratamento. Às vezes os pacientes colocam toda carga do tratamento nos profissionais da saúde. Ele tem que ser responsável porque a parte mais importante ele está fazendo: administrando, cuidando do medicamento. Tem que aderir ao tratamento e fazer da melhor forma possível, a melhor forma de segurança que pode ter é nunca ter dúvida!”.

Erros mais comuns

>>  Guardar medicamento na cozinha e no banheiro.

>> Tomar medicamento fora dos horários recomendados porque não entendeu  a prescrição.

>> Automedicar-se.

>> Medicamentos com sons e nomes parecidos costumam causar confusão na hora de tomar. Preste atenção.

>> Tirar os medicamentos da embalagem e colocar em potes. Se é naqueles recipientes para uma semana, ainda é aceitável – mas há casos que não podem de forma alguma ser retirados da embalagem original. Na dúvida, pergunte ao médico ou farmacêutico.

Mitos e verdades sobre cuidados com medicamentos
  • Não se deve tomar remédio com suco ou leite – Verdade em alguns casos.

Alguns medicamentos não podem ser ingeridos com cálcio (leite).  Outros não podem ser ingeridos com líquido ácido (suco), pois perde efetividade. Em contrapartida, sulfato ferroso, por exemplo, é interessante tomar com suco de laranja. Se o médico ou farmacêutico não deu qualquer orientação especial, tome com água.

  • Esmagar comprimido faz efeito mais rápido – Mito

Se for drágea nem pode amassar. É preciso ter em mente que para cada fórmula a indústria farmacêutica estudou qual a melhor forma de apresentar o medicamento para o seu princípio ativo.

  • O antibiótico tem recomendações precisas que se não seguidas podem prejudicar o tratamento? – Verdade
  • Se melhorar posso parar antibiótico. – Mito

De jeito nenhum se deve parar antibiótico sem orientação médica, pois pode causar resistência. A infecção não está totalmente curada, aquela bactéria que restou pode se tornar resistente ao antibiótico e quando o paciente precisar tomar novamente, não fará efeito.

  • Genéricos funcionam tão bem quanto remédios de marca – Verdade
  • É ruim deixar medicamentos guardados no banheiro – Verdade
  • Se está vencido há pouco tempo o remédio ainda pode ser usado. – Mito

Venceu, joga fora.

  • O medicamento deve permanecer sempre na embalagem original para não comprometer a eficácia – Verdade

 

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