Busca por empréstimos no BNDES aumenta 161% com safra recorde

Scania Bitrem Graneleiro Grãos

Graças à safra recorde deste ano, à necessidade de mecanizar lavouras para ganhar produtividade e ao baixo custo de financiamento, o BNDES emprestou um valor recorde para compra de caminhões e equipamentos agrícolas de janeiro a abril deste ano, em mais um sinal da retomada dos investimentos na economia em 2013.

 Mais capitalizados diante dos altos preços dos grãos no mercado externo e estimulados pelas taxas do banco subsidiadas pelo Tesouro (apenas 3% ao ano, quase metade da inflação de 5,8% prevista para 2013), produtores agrícolas obtiveram a cifra recorde R$4,4 bilhões em financiamento para compra de tratores, colheitadeiras e outras máquinas.

Trata-se de alta 161% em relação ao primeiro quadrimestre de 2012. Cláudio Bernardo de Moraes, superintendente de Operações Indiretas do BNDES, previu empréstimos de até R$15 bilhões para a compra de máquinas agrícolas neste ano e vê um segundo semestre positivo para o agronegócio. “A safra é recorde e os preços subiram com a seca nos EUA [maior produtor mundial].”

O câmbio ajudou, diz, já que o produtor plantou com o dólar baixo em 2012 e colheu com o dólar em alta, recebendo mais pelos produtos exportados. “Há muito tempo não havia uma conjuntura tão favorável”, disse. A necessidade de escoar o volume recorde de produção impulsionou o financiamento de caminhões, que cresceu 58% no primeiro quadrimestre, para R$ 8,7 bilhões.

O agronegócio é o maior gerador de divisas do país e especialistas estimam que seu impacto no PIB (considerando a infraestrutura de transporte e a agroindústria) chegue a 20%. A agropecuária cresceu 17% no primeiro trimestre, ante a igual período de 2012, na esteira da safra recorde, muito acima do PIB (1,9%).

As aprovações de novos empréstimos também avançaram de janeiro a abril – 33% para caminhões e 107% para máquinas agrícolas. Isso, diz Moraes, sustenta a projeção de crescimento do investimento no segundo semestre e de mais liberações de recursos para esses dois segmentos. O investimento em unidades da agroindústria também cresceu – 12% de janeiro a abril, segundo o BNDES.

Fabio Trigueirinho, secretário-geral da Abiove (Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais), diz que o setor investiu mais para processar a safra recorde e que a mecanização crescente assegura um aumento da produção nos próximos anos a custos mais baixos.

César de Castro Neves, analista da MB Agro, reconhece que a linha de crédito do BNDES deu impulso ao investimento, mas o “bom momento” dependerá da nova safra dos EUA – no caso de recuperação, os preços caem. Os custos também aumentaram, sobretudo com fretes. “Mesmo setores que não vivem um bom momento tiveram de investir em mecanização das lavouras porque, com os gargalos de logística no Brasil, é a única forma de manter a competitividade.”

Fonte: Jornal da Manhã

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