Brasil precisa de 21 mil quilômetros de autoestradas

Outro motivo para acelerar o investimento em autoestradas, segundo Martins, seria o alto custo do transporte e sua importância para a competitividade de custo da indústria brasileira.

“De acordo com uma pesquisa do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), em 2008 a América Latina gastava 7% do valor das exportações com frete, quase o dobro dos 3,7% gastos pelos Estados Unidos. Parte desse alto custo se deve ao fato de nossa matriz de transporte ainda ser excessivamente dependente de estradas (60% da nossa carga transportada é deslocada por estradas, contra 26% no território americano). E isso só se modifica com pesados investimentos em modais como ferrovias e hidrovias”, afirmou.

No Brasil, durante o governo de Juscelino Kubitschek, na década de 1950, houve um impulso ao sistema rodoviário, principalmente em função da instalação da indústria automobilística no país, priorizando este modelo no lugar do ferroviário ou hidroviária. Como estes dois sistemas são algumas vezes mais baratos e vantajosos, a empresa pretende fazer um novo estudo levando em conta a malha ferroviária brasileira.

Fernando Martins declara, no entanto, que em função do atraso existente não se pode ignorar os investimentos necessários também nas rodovias.

“Queremos fazer um novo estudo de natureza similar sobre qual é o tamanho da malha ferroviária atual e o que a gente precisaria ter como ideal. Nos Estados Unidos, há uma malha ferroviária incrível de 200 mil quilômetros de ferrovias cobrindo o país inteiro enquanto, no Brasil, temos cerca de 20 mil quilômetros ao todo. O tamanho do salto que teríamos que dar nas ferrovias é tão grande que abandonar as estradas é inviável”, afirmou.

O estudo atual sobre o sistema rodoviário deve ser entregue a secretarias de transporte e órgãos do Governo Federal.

Fonte: Exame

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