Após novos limites, acidentes nas marginais superam média de 2016

Os primeiros 30 dias da retomada de limites mais altos de velocidade nas marginais Pinheiros e Tietê registraram 102 acidentes de trânsito com vítimas, de acordo com dados preliminares divulgados pela CET (Companhia de Engenharia de Tráfego).

No entanto, a média mensal de acidentes com vítimas nas duas marginais no ano passado era bem menor: 64. O aumento de velocidades nas marginais foi uma das principais promessas da campanha eleitoral do tucano.

Para retomar os limites de 90 km/h na pista expressa, de 70 km/h na pista central, e de 60 km/h na pista local, a gestão criou o programa Marginal Segura, comandado por Sergio Avelleda, secretário de Transportes –indicado ao cargo pelo vereador Milton Leite (DEM), hoje presidente da Câmara Municipal.

Nos primeiros 30 dias com velocidades máximas mais altas do que as implementadas em julho de 2015, na gestão Fernando Haddad (PT), houve uma morte e quatro atropelamentos. Do total de 102 acidentes com vítimas, 82% envolveram motos.

COMPARAÇÕES

A CET argumenta que os números recém-divulgados não poderiam ser comparados com períodos anteriores porque ainda não foram consolidados (cruzados com registros de boletins de ocorrências e atendimentos no sistema público de saúde).

Além disso, diz que os casos registrados podem ter crescido porque a quantidade de agentes atuando nas marginais passou de 45 por dia em 2016 para 75 depois do Marginal Segura. Com mais funcionários, diz, mais ocorrências passaram a ser atendidas.

Como as anotações dos agentes da CET são ligadas a casos com vítimas já no local do acidente, no entanto, esse reexame do total de feridos só tende a aumentar os balanços de mortos e gravidade das lesões, por contar com informações mais atualizadas de atendimentos hospitalares.

Em nota, a Cidadeapé (Associação pela Mobilidade a Pé em São Paulo) afirmou que “o registro de 102 incidentes com vítimas em um período do ano caracterizado por movimento veicular abaixo da média, por envolver período de férias escolares, é um indicativo de alerta”.

A associação pondera ainda que, “embora, a rigor, seja de fato cedo para fazer comparações aprofundadas, diversos exemplos internacionais, somados à constatação da redução de ocorrências durante o período em que as velocidades estiveram reduzidas nas marginais, já deveriam ser evidências suficientes de sua capacidade de minimização de risco”.

A Folha solicitou entrevista com representante da direção da CET para comentar os dados de acidentes com vítimas nas marginais depois da mudança das velocidades, mas não foi atendida. Outro pedido rejeitado foi o de divulgar o total de acidentes com vítimas, de mortos e de atropelamentos no período de fevereiro deste ano e no mesmo mês de 2016.

Para explicar por que se nega a atender essa solicitação, a companhia ligada à gestão Doria afirma em nota que “o balanço operacional da CET do programa Marginal Segura leva em consideração a data do início da ação, ou seja, 25 de janeiro. Em razão disso, para ter uma medição justa, fechamos o período de 30 dias corridos”.

Além de destacar o aumento no número de agentes para justificar a alta nas ocorrências, a CET afirma também que o “tempo médio para a chegada dos agentes de trânsito nos atendimentos de ocorrências nas marginais também é menor comparado ao ano passado”.

Fonte: Folha

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