Restrições de circulação de caminhões realmente resolvem os problemas de trânsito?

Não é de hoje que os caminhoneiros sofrem constantes restrições de circulação. Alvos de críticas por “entupir” as vias de circulação de veículos, os caminhões e carretas são os primeiros a sofrerem com impedimentos de circulação em horários de pico ou vésperas de feriado.

Nas marginais Pinheiros e Tietê e também nas ruas do centro de São Paulo, por exemplo, os caminhoneiros sofrem com as restrições de horários para sua circulação e são obrigados a adequarem seus horários de carga e descarga a essas exigências.

Na semana passada, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) divulgou um calendário (confira aqui) de restrições de circulação de caminhões e carretas nas BRs do país em datas comemorativas e feriados. No carnaval, por exemplo, os veículos pesados só poderão trafegar com total liberdade na segunda-feira. Nos outros dias (de sexta-feira, até a quarta-feira de cinzas), os caminhoneiros deverão respeitar as restrições determinadas.

A determinação vale também para os feriados da Semana Santa, Proclamação da República, Festejos Juninos no Norte e Nordeste, dentre outros eventos. Os horários em que a restrição é aplicada são justamente os que concentram maior volume de veículos nessas estradas, como das 6 da manhã até o meio dia e das 15:00 horas até as 22:00 horas.

As restrições não apontam somente para o excesso na quantidade de veículos que trafegam pelas estradas do país, mas também para o problema das condições dessas vias de circulação. Simplesmente tirar os veículos pesados de circulação não garante necessariamente que o fluxo melhore ou que os engarrafamentos sejam evitados.

Segundo a PRF o objetivo principal dessa determinação é que sejam prevenidos acidentes e que se melhore a segurança nas estradas. Como se os caminhoneiros fossem os únicos responsáveis por acidentes!

Sabemos que veículos pesados exigem maior responsabilidade na hora da direção e também mais atenção do motorista. Mas não podemos determinar que todos os acidentes e engarrafamentos existentes sejam de responsabilidade dos caminhoneiros. Restringir o horário de circulação de caminhões e demais veículos pesados é mascarar os reais problemas que afetam o sistema de trânsito no Brasil.

Em uma enquete realizada na nossa rede social, um dos internautas, Cesar, apontou que o necessário é que tenhamos “rodovias adequadas para a quantidade de veículos, caminhões e ônibus que circulam pelo Brasil, afinal a nossa malha rodoviária é praticamente a mesma desde a década de 70”. O internauta ainda citou o caso da BR 277 no Paraná, que possui a mesma infraestrutura de antigamente, mas recebe um número muito maior de veículos.

Já para Alessandro, as restrições de circulação são uma violação do direito de “ir e vir” de cada cidadão. “E se o caminhoneiro quiser ir para casa e aproveitar o feriado com a família? Ele não pode? Se ele for antes do feriado (porque não pode rodar no feriado), o Brasil pára! Sinceramente, estes profissionais que fazem leis para caminhões e caminhoneiros não entendem nada sobre caminhões e caminhoneiros!”, concluiu.

Os problemas enfrentados por caminhoneiros com as restrições afetam profissionais de todo o país. Só restringir a circulação não resolve os problemas de segurança e tráfego. São necessárias mais infraestrutura e participação dos órgãos competentes para que todas as partes possam estar satisfeitas. É necessário também o incentivo ao uso e a disponibilização de mais veículos que possam transportar passageiros coletivamente. Unindo essas forças, talvez tenhamos um panorama real de melhora no trânsito do país.

Abraço do Chapa

Comentarios