Pacote dos portos pode reduzir fretes

O pacote do Governo Federal que prevê a injeção de R$ 54 bilhões em investimentos portuários até 2017 já começou a repercutir positivamente entre as empresas do setor. A expectativa do empresariado é que, com as mudanças, o valor do frete no País caia até 25% e as companhias já começam a se organizar para aumentar o investimentos no setor apoiado no crédito do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Exemplo disso é a empresa Itaoca Offshore, que prepara há três anos um empreendimento no estado do Espirito Santo, voltado para serviços de assistência a plataformas de petróleo e gás, no qual investirá R$ 450 milhões na instalação de uma base de apoio às plataformas da Bacia de Campos (RJ) e do Espírito Santo.

“O pacote vai acelerar nosso projeto. No investimento que faremos contamos com 30% do capital adquirido no setor privado e 70% do BNDES “, diz Álvaro de Oliveira Júnior, diretor do grupo.

Quem também comemorou o pacote anunciado pelo Governo Federal foi o megaempresário Eike Batista, dono do grupo EBX. Para o executivo, o anúncio do governo será fundamental para desburocratização e a tarifação do setor portuário. “A medida aparece para os empresários como uma alavanca extraordinária para reduzir o Custo Brasil”, disse.

Segundo Batista, conversas sobre essa medida já acontecem entre o poder público e o privado há mais de cinco anos. “Esse pacote é música para mim. Estamos falando disso desde 2007”, afirma.

O empresário sinalizou ainda que o novo modelo para o setor pode também facilitar a implantação de seu Superporto Brasil em Peruíbe, litoral Sul de São Paulo. “Se o governo achar que é importante licitar, nos interessa, disse ele sem abrir o valor do aporte.

Redução dos custos 
Segundo o professor de engenharia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Márcio Jorge Lúcio, o pacote anunciado pela Dilma representará grandes mudanças para o setor de logística como um todo.

Entre os destaques, para Lúcio, fica a redução tarifária paga ao Governo, além da agilização dos serviços prestados. “Dá para se estimar que o conjunto de melhorias em infraestrutura dos últimos meses resulte numa redução de até 25% no preço do frete do País”, estimou ele.
“São três pontos cruciais para essa melhoria no valor: a profissionalização dentro do porto, os investimentos nas plataformas que resultarão em aumento da capacidade e a melhoria da qualidade das ferrovias e rodovias que agiliza o transporte terrestre”, diz.

Da mesma opinião partilha Peter Gyde, CEO da Maersk Line do Brasil, empresa especializada em transporte marítimo. Segundo ele, a ação é um passo favorável do governo federal. “O Brasil está indo na direção certa com um pacote significantemente maior do que o esperado, e estamos ansiosos para saber os detalhes de como o plano do governo vai reduzir os custos logísticos em 30%, aumentar a competividade do País e resolver os principais desafios da indústria, que envolvem processos logísticos e gargalos”.

Contraponto 
As empresas que atuam hoje em regime de concessão em portos pelo País mostram-se não tão otimistas com o conjunto de medidas anunciadas ontem.
Segundo fontes ligadas ao setor, as empresas que hoje estão com o controle dos portos serão prejudicadas com a abertura de investimentos para novos modelos de concessão. “É injusto com as empresas que estão investindo há anos. Nesse aspecto, o governo federal mudou as regras do jogo antes mesmo do jogo acabar”, citaram as fontes.

Outro ponto levado em conta é a competição desleal que esse tipo de medida resultaria. “Para que seja justa essa mudança, seria necessário que o governo resguardasse a concessionária que hoje atua, através de um equilíbrio econômico para que elas sejam indenizadas para que possam voltar a competir”, disse o executivo ligado ao setor, que preferiu não se identificar.

Entre os portos que terão maior ônus, segundo ele, destaca-se o de Santos e Paranaguá. “São portos com grande representatividade e que teriam atração de diversas empresas. Por outro lado, são portos que receberam muitos investimentos nos últimos anos”, finalizou ele, lembrando que negociações com o Governo deverão acontecer nos próximos dias, depois que a Medida Provisória (MP) sair.

Fonte: DCI

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