O fim das multas passa pelo estacionamento

Last-Mile, se adotada em grande escala, pode reduzir as mais de 41 mil infrações aplicadas por ano em São Paulo, decorrentes do estacionamento irregular

Por Michele D’Ippolito*

Sabe aquela cena clássica de engarrafamento causado por um caminhão de entregas parado em local proibido, seja para entregar bebidas, alimentos ou eletrodomésticos? Pois bem, além do transtorno ao cidadão, ela representa uma parte significativa das multas aplicadas a transportadoras numa cidade como São Paulo. Em outras palavras, um desperdício milionário que se repete ano a ano.

Dentro da capital paulista, por exemplo, a Zona de Máxima Restrição de Circulação (ZMRC) de veículos de carga acontece de 2ª a 6ª feira das 5 às 21h e aos sábados das 10 às 14h. A área fica restrita à Zona Oeste, parte da Zona Sul e Centro – praticamente o mesmo espaço ocupado pela Rodízio Municipal de Veículos.

Segundo dados do Sindicato das Empresas de Transportes de São Paulo, 56% das multas aos veículos de carga, mais precisamente 272,5 mil autuações, estão relacionadas à circulação em local e horário não permitido. Isso inclui apenas as autuações com radares. Ao ser mais específico na análise, restringindo os números apenas para as autuações feitas manualmente, mais de 41 mil por ano, as multas por estacionamento irregular lideram as ocorrências mais recorrentes.

Dito isso, fica evidente que a distribuição de mercadorias nos grandes centros urbanos é um dos gargalos mais complexos a ser resolvido. Obviamente afeta diretamente as transportadoras, mas limita a expansão do varejo online, já que o consumidor costuma refutar prazos longos de frete, além, é claro, da qualidade de vida dos moradores de grandes cidades. Sem falar das multas que encarecem o frete, pois os operadores logísticos já preveem esse passivo e incluem no preço das entregas.

A boa notícia é que há diversas maneiras de minimizar essa situação, reforçando, sobretudo, a inovação no chamado last-mile. E esta inovação muitas vezes está na mais aparente do que imaginamos, seja no terreno vazio, ou no subsolo de edifícios localizados em áreas valorizadas das cidades. De acordo com levantamento da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, mais 25% da área construída da cidade de São Paulo é de garagens. Boa parte delas ociosas em mais de 12 horas por dia. Segundo um nova pesquisa realizada pela UNLOG, Startup Logtech cujo conceito se baseia em reinventar a utilização de espaços ociosos nas grandes cidades, em São Paulo, por exemplo, concentra uma média de 40% de ociosidade, quando se cruza os dados de estacionamentos, garagens comerciais e residenciais.  Essas vagas de garagens são potenciais centros de distribuição para o varejo.

A UNLOG, assim como outras empresas do setor, desenvolve soluções estratégicas, como o UNPOD, o primeiro armário inteligente móvel e 100% digital do país

Os maiores varejistas do país já estão testando esses modelos. Um deles, com quem me reuni recentemente, após obter os primeiros resultados da estratégia de cross docking já cogitava a necessidade de contratar mais de mil ciclistas, o que transforma muito mais viável a entrega na capital paulista, justamente para fazer o last-mile. Sinal de que a mudança será drástica e rápida.

*Michele D’ Ippolito é CEO e um dos fundadores da UNLOG, startup logtech, cujo conceito se baseia em reinventar a utilização de espaços ociosos nas grandes cidades brasileiras, transformando-as em mini centros de distribuição.

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