Gasolina mais cara

Não bastasse a disparada do dólar, a subida dos preços do petróleo no mercado internacional vem contribuindo para tornar cada dia mais apertada a situação de caixa da Petrobras. Diante dessa realidade, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, cedeu às reivindicações da diretoria da estatal e anunciou, ontem, que o governo vai autorizar reajustes periódicos para os combustíveis. Ele ressaltou, no entanto, que as datas de correção dos preços não serão antecipadas. “Periodicamente haverá reajuste, essa é a regra, mas não anunciamos com antecedência”, disse o ministro, após um encontro com empresários, em São Paulo. Ontem, os contratos de entrega futura de petróleo subiram pela sexta sessão consecutiva nos principais mercados internacionais, impulsionados pelo clima de guerra civil na Líbia e no Egito. Os investidores temem que a turbulência política possa se espalhar pelo Oriente Médio, região responsável por mais de um terço da produção mundial. Segundo analistas, a alta da moeda norte-americana nos últimos meses já havia quintuplicado a defasagem entre as cotações internacionais dos combustíveis e os preços pelos quais eles são vendidos pela Petrobras no mercado interno. Pelos cálculos dos especialistas, a valorização da divisa anulou completamente os efeitos dos reajustes de combustíveis promovidos em 2012 e no início deste ano. No total, foram quatro aumentos do óleo diesel e dois da gasolina, nesse período. Na segunda-feira, o diretor financeiro da estatal, Almir Barbassa, afirmou que a empresa busca “intensamente alinhar os preços internos de derivados de petróleo aos internacionais”. Apesar do problema apontado pela direção da estatal, Mantega minimizou a questão. “O que posso dizer é que, nos últimos meses, houve convergência em função dos reajustes que foram dados à gasolina e ao diesel. E também houve uma diminuição do barril (do petróleo)”, afirmou. “Isso diminuiu a diferença entre os preços nacional e internacional.” Na verdade, as cotações do petróleo estão nos patamares mais altos em várias semanas. Na quinta-feira, o produto tipo Brent, referência para o mercado internacional, alcançou US$ 111,53 dólares por barril em Londres, a cotação mais elevada desde 2 de abril. Em Nova York, ontem, os contratos para entrega em outubro terminaram o dia a US$ 110,40, acumulando um ganho de 2% na semana, a maior alta desde o início de julho. Como não consegue produzir o suficiente para abastecer o mercado interno, a Petrobras importa grandes quantidades de petróleo e de derivados, como a gasolina. O consumo doméstico de combustíveis cresceu substancialmente nos últimos anos, impulsionado pelo aumento da frota, em razão das facilidades oferecidas pelo governo para a compra de carros, e estimulado pela contenção dos reajustes, promovida pelo governo para segurar a inflação. A defasagem de preços, no entanto, acabou comprometendo a situação financeira da maior empresa do país. Fazendo dinheiro Pressionada por uma dívida crescente e pela necessidade de fazer caixa para explorar o pré-sal, a Petrobras anunciou ontem um pacote de venda de ativos de US$ 2,1 bilhões. O principal negócio foi a transferência de 35% de um bloco da Bacia de Campos para a petroleira chinesa Sinochem, por US$ 1,54 bilhão. A estatal também vendeu participações em blocos no Golfo do México, se desfez de ações em uma petroquímica localizada no Rio Grande do Sul e de fatia em empresa responsável por térmicas no Rio Grande do Norte.

Correio Braziliense

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