Desejo consumado: Ford lança extrapesado

Ford Cargo Extrapesado

Desejo expresso de longa data – desde os testes com o L9000 na primeira metade dos anos 80, antes da linha Cargo – o caminhão extrapesado Ford agora está mesmo rodando no Brasil. Cerca de 50 unidades dos modelos Cargo 2042 4×2 e 2842 6×2, comercializadas em cima de 25 clientes convidados para uma apresentação aperitivo, podem ser consideradas a    s primeiros da nova série a chegar ao mercado. Além desses, em meados de julho a rede de distribuidores já começava a ser abastecida.

Mais importante que um simples lançamento, a chegada desses caminhões quebra alguns paradigmas na história da operação de caminhões Ford, como a esperada entrada no segmentos de 49 e 56 toneladas, ainda não coberto pela linha de produtos da marca, até a escolha de novos fornecedores para itens do trem de força tradicionalmente entregues a outros parceiros.

Assim, por volta de 35 anos após a última tentativa, a Ford vai mesmo buscar espaço entre os caminhões realmente pesados. Mesmo assim, cheia de cautela, pois a versão com tração 6×4 ainda não veio, assim como a motorização de 460 cv disponibilizada na Turquia. Está na motorização, justamente, a maior surpresa do projeto, com a escolha da FPT, ao invés da Cummins, como fornecedora. O propulsor escolhido, devidamente nacionalizado, é o FPT 10.3, com partes em alumínio e titânio, que também será utilizado no ônibus Eurorider, da Iveco.

E a caixa, enquanto muitos esperavam que viesse da Eaton, pois a empresa acaba de lançar novidade com a International, na verdade é a conhecida ZF AS-Tronic automatizada, de doze velocidades. Com o reforço de ser componente standard, pois não existe versão manual com alavanca no Ford. Outras versões já equipam caminhões Iveco e Volkswagen.

Estratégia – Com uma rede de distribuição de 140 pontos, com instalações padrão Brand@Retail e única marca com presença em absolutamente todos os estados, a Ford se diz pronta para encarar o desafio. “O momento é de crescer”, segundo Pedro Aquino, gerente de Marketing, conforme mostram ações como ampliação da linha, relançamento da série F e consolidação da Transit.

Esse momento, por sinal, apresenta alguns bons números da Ford. Como destaques, a participação do 816, com 19,9% no mercado de 8 t; os 21,5% entre os 6×2 e 13,5% no geral de caminhões ou 19,5% sem os extrapesados. As oportunidades são cartas na mesa: mercado de extrapesados em crescimento, com previsão de mais 30% em 2013, com um faturamento geral que salta de R$10,8 bi para R$14 bi; os investimentos do PAC e a opção na categoria francamente favorável às versões de cavalos mecânicos, que atingem 96%. Além disso, a combinação de 4×2 e 6×2 tem 60% do mercado, cabendo 45,70% só ao 6×2.

O segmento de extrapesados era o único a descoberto no portfólio Ford, que escolheu a faixa entre 370 e 420 cv para se posicionar. Na estratificação possível do segmento, essa tem a melhor oportunidade de crescimento e valorização do business. Para atingir seus objetivos, a montadora desenvolveu um produto muito competitivo. No posicionamento de preço, a comparação direta do 6×2 fica com FM370, Constellation 25.390 e Axor 2544. Nada de bater de frente com Scania Streamline ou Volvo FH, por exemplo.

A Ford pretende enfatizar uma proposta de melhor custo-benefício na categoria, seguindo fatores de compra como: resistência, praticidade e potência, design e tecnologia, tradição e presença, custo operacional, manobrabilidade, vida a bordo. Aquino admite que, pelo menos nesse segmento, tradição e presença ainda são itens a serem conquistados, mas estima que os produtos estejam consolidados dentro de ano e meio a dois anos.

Essa geração do Cargo é considerada como primeiro caminhão global da marca, embora não seja aplicável ao mercado americano. O design foi feito em Camaçari, como uma parceria Brasil e Europa. O desenvolvimento, por sinal, revela a nova atitude Ford em caminhões. Da Europa, pode abastecer mais de 50 países. Do Brasil, vai para a América Latina.

Engenharia – O desenvolvimento conjunto com a Europa teve desdobramentos em vários campos de teste dostribuídos por vários países, como Brasil, testes de campo; Turquia, gerenciamento de calor; Alemanha, frenagem de verão, resfriamento do motor (Behr) e consumo (ATP); Bélgica, durabilidade; Espanha, rodagem; Inglaterra, eletrônica embarcada; Suécia, frenagem de inverno e Arábia Saudita, testes de clima quente.

O trem de força quebrou paradigmas no fornecimento em motor e transmissão, com motor FPT 10.3 com partes em alumínio e titânio, e caixa automatizada AS-Tronic ZF de 12 velocidades. A vantagem do modo automático é eliminar as trocas de marcha, mas quem sentir saudades de uma caixa mecânica pode adotar o modo manual, cuja vantagem está nas trocas mais rápidas. Um seletor inteligente (S) em modo de manobras evita as trocas indevidas em uma situação de pátio, por exemplo.

Excepcionalmente no primeiro mês de lançamento, os novos 2042 e 2842 ganham garantia extensiva de três anos. A Ford também criou três modalidades de contrato de manutenção.

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