Chico da Boleia entrevista Emilio Dalçoquio diretor da Transportes Dalçoquio

Chico da Boleia: Bem amigos: caminhoneiros, carreteiros e empresários do setor. Estamos em Itajaí, SC, no Pátio do Posto Santa Rosa, acompanhando a 11ª festa do Truck Show, promovida pelo Emílio Dalçoquio, que é um dos sócios do grupo da OSOC. Emílio, vamos falar um pouquinho do por que realizar uma festa de caminhoneiro no pátio do seu posto?

Emilio Dalçoquio: É muito bom estar aqui com vocês. O Santa Rosa Truck Show veio do nome “Las Vegas Truck Show”. Se deu certo em Las Vegas por que não daria aqui em Santa Rosa? Rosa é o nome da minha nona, mãe do meu Pai, que se chama La Rosa, por isso que a gente colocou o nome de santa rosa. É o 11° edição – que a gente realiza – desse evento, com a intenção de trazer um resumo do que ocorre na FENATRAN e resume exatamente em informação e quem tem informação tem o poder, quem tem o poder tem a informação. Como tudo ao redor do caminhão é polêmico, sobre qualquer tema que você puxe, o tema é polêmico. Diesel, pneu, horário e por ai vai. E o frete? Como faz quase 1000 anos que o frete é baixo, a melhor maneira de conduzir e retirar o lucro do serviço é tendo informação. No Santa Rosa Truck Show é o momento em que o pessoal consegue retirar o máximo de informação para que ele consiga ganhar dinheiro com segurança! Não adianta ganhar dinheiro oferecendo insegurança, causando dano ao trânsito. No Santa Rosa Truck Show, o pessoal vem aqui com a família pra compartilhar das informações que, aqui, tem vários stands, vários fabricantes de caminhão, equipamentos e carretas, vários itens para que o pessoal tenha essa informação e dessa informação traga lucro com segurança!

 Chico da Boleia: Falando do momento que o setor do transporte vive. Nós estamos atípico: a entrada do euro 5, na sequência, o fim da carta frete e por último a lei do motorista, que é uma lei importante – apesar de alguns detalhes a serem resolvidos – que envolvem diretamente não só o motorista CLT, mas também o autônomo, porque fala do tempo de direção no código brasileiro de transito. Como é que você esta vendo a lei 12.619?

 Emilio Dalçoquio: Olha, a gente que esta nesse seguimento desde 1968, no auge do regime militar, no auge de que falar era proibido, falar qualquer coisa, porque a censura proibia falar qualquer coisa, porque os militares estavam no comando, o pessoal lembra disso e o jovem aprendeu isso no colégio. Então vivemos mais uma época, então, durante 40 e tantos anos já vivemos varias situações. Caminhões ruins, caminhões bons, estradas ruins, estradas boas, governo ruim, governo bom, pessoas na liderança boas, pessoas de liderança ruim, vivemos um momento muito interessante, é mais um tema polêmico como tantos outros. Agora, é interessante esclarecer que tem muita gente, muito bandido transvestido de gente boa! O que eu estou querendo dizer com isso? É aquele cidadão que compra um caminhão com 500HP, automático, teto alto, roda de alumínio, dá pro motorista e não tá nem aí se ele está dormindo, descansando ou não. Ele se esconde no seguinte argumento -“Eu tenho seguro, se bate o seguro paga, se morre o seguro paga, se mata o seguro paga”. Então esse cara dá o caminhão pro cidadão e manda ele tocar, não está nem aí. Lá, debaixo do colchão da cama, lá, naquele cantinho daquela caixa de fusível, tá com quê? Droga! Então o pessoal tá tocando direto, e o mais incrível é que nesse meio existe alguns que acham bonito, acham bacana dizer, “ah, eu estou a 2, 3 dias sem dormir.”, “Olha meu disco de tacógrafo 125Km”. Pior! Posta isso no Youtube, posta isso no face, posta isso no twitter, acha lindo isso. Vivemos um momento agora em que o governo vai ter que sair da zona de conforto pra dar essa estrutura para o pessoal estacionar. Agora tem muito caminhoneiro que usa droga porque quer! Por quê? Ah, mais o patrão mandou. Troca de patrão! Ah mais o cliente. troca de cliente! Ah, mas é a vida. Troque de vida! Usa droga quem quer! Na Europa, ouve problemas de implantação desse tipo, na Holanda, que é o centro de todo o centro nervoso logístico da Europa, ouve um quebra pau, ouve conversas, ouve bom senso e foi instalada, é normal. Nos estados unidos não foi diferente, também teve problema de implantação. Agora chegou nossa vez, que bacana! Vivemos um momento histórico e nesse momento histórico os nossos netos vão olhar pra nós e dizer: não é possível que vocês não descansavam, não era possível que não tinha uma legislação que regulamentava isso. É evidente que é polêmico – tal qual foi desde 68 – quando nós vivíamos no regime militar, inflação a 110%, ao mês, quem não se lembra disso? Então a história é uma forma de relembrar e dizer: problemas existem pra serem resolvidos, agora é mais um que vamos viver.

 Chico da Boleia: Já que você é um dos diretores da transportadora da OSSOC, você percebeu alguma sensação por parte dos motorista com o advento da lei?

Emilio Dalçoquio: Naturalíssimo, é natural qualquer coisa que venha, é o tacógrafo, é o excesso de velocidade, é o pedágio, e agora a carta frete. Toda a vez que entra um item há reclamações, é impressionante, é normal, repito desde 1968, a gente passa por uma série de transformações. Na faculdade, se fala em logística que ninguém nem sabe o que é isso. Tudo termina num negócio chamado motorista de caminhão, logística você quer ser aplaudido? Fala logística e ninguém sabe o que é, todo mundo tem vergonha de perguntar. Tudo termina num negócio chamado caminhão e, lógico, o caminhoneiro. Então agora pro pais crescer tem que passar por um negocio chamado caminhão e o motorista, é natural que passemos por essa transformação e é natural que haja polêmicas de tudo, mas o interessante é que nós estamos passando a limpo esta questão do segmento de transportes.

 Chico da Boleia: Bom, já que você deu um gancho ai pra falar da carta frete, a carta frete depois de muita luta pelo setor dos motoristas autônomos, que a gente sabe da importância do fim dela e o advento do pagamento eletrônico. Como é que esta pra você? Você que tem o posto tem a transportadora, qual a sua leitura sobre isso?

 Emilio Dalçoquio: É mais um tema polêmico, tal qual tantos outros são. Eu digo e repito, quem não gosta de caminhão, venda! Quem não gosta de ser médico, vai fazer outra coisa! Médico, dentista, advogado, pessoas tristes fazendo aquilo que não gostam de fazer. Problema tem em todo o segmento, imagina no mundo da agricultura, o colono. Imagina um professor, imagina um médico ou, aliás, o policial, todas as profissões tem seu lado bom e o lado ruim. A diferença esta naquela pessoa que faz o que gosta, a carta frete é um problema, é mais precisava ser regulamentada, precisava ser esclarecida, precisava passar a limpo. Então passamos por um momento agora de que vai ter erros, o Brasil é muito grande temos mais de 7 Brasis dentro do nosso querido Brasil, são as cinco regiões mais São Paulo e o Rio. Todos nós falamos português, temos a mesma bandeira brasileira, cantamos o mesmo hino nacional, mas são costumes e hábitos diferentes. Até que tudo isso se integre, leva tempo mesmo. Haverá problema? Haverá! Tem gente que vai perder dinheiro? Vai! Isso sempre foi assim, vai ficar aquele que gosta do que faz, aquele que não gosta do que faz vai arrumar problema dentro da solução, a solução aparece ele arruma problema. Agora quem gosta arruma a solução dentro do problema. Todos nós sofreremos, mas faz parte. Vai mexer na zona de conforto do governo, o governo também será atingido, todos nós, na sociedade, como um todo, vai pelear no começo. É complicado? É muito complicado, mas é assim que se muda uma nação. Pra frente.

 Chico da Boleia: Bom, vamos falar agora do Cowboys do Asfalto. Explica pra gente aquele que não esta feito dia a dia, como é que surgiu o Cowboys do Asfalto e qual é a proposta do Cowboys do Asfalto.

 Emilio Dalçoquio: O meu ídolo se chama Ennio Morricone. Ennio Morricone é que fez trilas sonora dos filmes de faroeste, faroeste italiano. Lembra o Trinity, Ringo, Keoma, Django, Era uma vez no oeste, Dolar Furado, esses filmes. Lembra do Franco Nero, do Trinity, Terence Hill e Bud Spencer. Aliás, qualquer semelhança é mera coincidência aqui com o Chicão da Boleia – que parece o Bud Spencer, – o parceiro do Trinity, esses personagens eram Italianos, esses filmes, do faroeste espaguete ou bang bang italiano, eram feitos no sul da Espanha, acreditem. O dólar furado, era uma vez no oeste, (assovio..) que esse filme chama-se o bom, o mau e o feio – três homens em conflito, esse filmes eram feitos no sul da Espanha, acredite! E as cenas internas eram feitas em Roma, então há uma revolução no cinema do faroeste italiano porque aí, então, surgiram as fantásticas trilhas sonoras feitas pelo meu ídolo Ennio Morricone, por eu tocar trompete, toco pistão, tocava na fanfara do colégio São José, aprendi a separar e entender o que é barulho e música e nesse momento eu descobri o meu ídolo Ennio Morricone, o italiano que – em parceria com Sérgio Leone – descobria e trazia atores, convidou dos Estados Unidos, Clint Eastwood, Charles Bronson, Henry Fonda. Eram alguns dos atores convidados a filmar na região de Almeria no sul da Espanha, onde foi feito o Lorece da Arábia, aquele clássico filme dos anos 60. Então me apaixonei por essas músicas e, hora mais, pelo meu dia a dia que é o diesel, é o caminhão, e aí em 1990, Chitãozinho e Chororó fez a música Cowboy do Asfalto, porque antes já havia um filme chamado Cowboy do Asfalto feito por aquele ator que fez o Grease, que é o John Travolta, e somando tudo isso eu registrei e mostrei – estou trazendo pro Brasil um novo estilo – uma nova forma pra quem é apaixonado pelo caminhão e pela picape, então, em resumo o estilo de vida Harley Davidson está para moto como caubóis do asfalto está para picapes e caminhões. Nele, no nosso portal não existe pornografia, não existe religião, não existe futebol, não existe política e não existe frete, mas e aí, o que é que sobrou? Só coisa boa, só o lado bacana o lado criativo o lado legal da estrada, e quando você navega lá, você vai ver coisas impressionantes e não existe foto montagem, exatamente o lado lúdico mexendo com a cabeça daquele que gosta do caminhão e da picape, lá, você vai ver coisa do mundo inteiro, o mundo inteiro tá conectado com o Brasil e o Brasil tá conectado com o mundo. O link é exatamente Cowboys do Asfalto, você pode ter acesso a loja. Aqui, no posto Santa Rosa, a nossa carreta que é uma loja que anda pelo Brasil e também pode comprar via internet www.cowboysdoasfalto.com.br   e também vamos abrir franquias pelo Brasil afora, Cowboys do Asfalto essa é a marca de quem gosta de picape e caminhão.

 Chico da boleia: Bom pessoal, vocês observaram que o homem é uma enciclopédia, gosta do que fala, gosta do que faz então essa é só uma pirula da primeira conversa que a gente tem com ele. Teremos em outras oportunidades, mais tempo e traremos de novo o Emílio da OSOC pra conversa com você.

 Chico da Boleia – Orgulho de ser Caminhoneiro

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