A Saúde no Final do Arco Íris

Descomplicamos as principais campanhas nacionais de saúde e explicamos por quê é tão importante fazermos parte delas, confira!

Reza uma antiga lenda, cuja origem seria irlandesa, de que existe um pote de ouro no final do arco íris. Muitos dos companheiros já devem ter ouvido (e até mesmo imaginado) sobre ela e pensado como seria bom encontrar tal tesouro. A boa notícia é que nós encontramos e o dividiremos com vocês. Não se trata, necessariamente de um balde de cheio de moedas reluzentes, mas de algo tão valioso quanto: a conscientização e a oportunidade de cuidar mais de você através das cores do arco íris. Explica-se.

Outubro Rosa. Novembro Azul. Setembro Amarelo. Agosto Lilás. Janeiro Branco. Meses, cores e questões importante de saúde em pauta. Associar uma “cor” a um mês é uma importante ferramenta de marketing para disseminar informações e levar conhecimento adiante, na engenharia de qualidade chamamos isso de “gestão visual”. E a tendência não é exclusividade do Brasil, tanto que “o mês cor” mais famoso, o Outubro Rosa, fora criado nos Estados Unidos, por familiares de uma mulher que morreu de câncer de mama. Eles tiveram a ideia porque gostariam de conscientizar outras mulheres da importância da prevenção.

A campanha ganhou o mundo e inspirou outras. Há meses com até quatro cores diferentes, de acordo com sua temática. Adiante, destacamos alguns dos mais conhecidos no Brasil e damos breves explanações sobre suas particularidades e importâncias:

Janeiro Branco
Tema: Saúde mental.

Em um relatório, apresentado em 2017, a Organização Mundial da Saúde (OMS) revelou que a depressão afeta 322 milhões de pessoas no mundo, quase a população dos Estados Unidos. No Brasil, os números chegam a 11,5 milhões. Em 2030, ela será a doença mais comum, de acordo com o órgão. Já os transtornos de ansiedade acometem 264 milhões (18,6 milhões no Brasil).

Fevereiro Laranja
Tema: Alerta para casos de leucemia.

A leucemia é o câncer que acomete tecidos do sangue. Tais tecidos são responsáveis por efetuarem a defesa de nosso organismo contra agentes infecciosos ou danosos externos, como bactérias, por exemplo, assim, quem tem leucemia pode facilmente vir a falecer por uma simples gripe, por exemplo. Segundo o Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (Inca), a estimativa de novos casos para 2018 foi de 10.800.

Março Lilás
Tema: Câncer do colo do útero

O útero é um dos órgãos do sistema reprodutor feminino, é dentro dele que o óvulo fecundado se desenvolve e se transforma em vida. O câncer de colo de útero é a quarta maior causa de morte entre mulheres, no Brasil. Só para este ano, foram estimados cerca de 16 mil casos.

Abril Azul
Tema: Autismo

Talvez o nosso companheiro de rodagem desconheça, mas o Transtorno do Espectro Autista (TEA) é um transtorno neurológico caracterizado pela dificuldade de comunicação, de interações sociais, apresentando interesses obsessivos e comportamentos repetitivos. Trocando em miúdos, um indivíduo tido como autista muitas vezes fecha-se em seu mundo apresentando déficits de interação com os seus pares (criação de amizade ou vínculo amoroso, por exemplo) e reconhecimento de determinados estereótipos do cotidiano – uma mãe não é reconhecida como tal em todo seu contexto, mas simplesmente como um ser que cuida.

Na psicanálise e psiquiatria o transtorno ainda possui diagnóstico impreciso e divergente (de um modo geral não se sabe as causas específicas do autismo) e afeta cerca de 1% da população mundial, sendo até 4x mais frequente no sexo masculino.

Vale lembrar que autismo não é uma doença, tampouco é transmissível pelo ar ou contato. Os autistas são indivíduos fisiologicamente saudáveis que muitas vezes se desenvolvem além da capacidade tida como normal do ser humano – Leonel Messi, por exemplo, gênio do futebol e atleta do Barcelona F. C., é autista – e sofrem marginalização devido ao preconceito pela desinformação social. Existem diversos níveis de autismo, indo do brando/leve (comportamento sociável) ao muito severo (dissociação social). Portanto, o Abril Azul, basicamente, é uma campanha que faz referência à informação e inclusão dos autistas em nosso espaço público e privado.

Junho Vermelho
Tema: Incentivo à doação de sangue

Segundo análises, no inverno, os bancos de sangue sofrem redução de 30% nos estoques.

Agosto Lilás
Tema: violência contra a mulher

Realizada desde 2016 em comemoração aos 10 anos da Lei Maria da Penha, a campanha “Agosto Lilás” entrou no calendário de eventos de Mato Grosso do Sul como a maior campanha de enfrentamento à violência doméstica e familiar contra a mulher. No Brasil, segundo o Ministério Público registra, uma mulher é agredida a cada quatro minutos por um homem e sobrevive. Somente em 2018, foram registradas mais de 145 mil queixas de violência física, sexual, psicológica e de outros tipos. Além disso,o país registra 180 estupros por dia. Número é o maior desde 2009. Metade das vítimas (54%) tem menos de 13 anos e 75% (das vítimas) conhecem o agressor.

Setembro Amarelo
Tema: Combate ao suicídio

O Setembro Amarelo está entre as campanhas mais conhecidas no Brasil e no mundo. Diferentemente da tendência mundial, a taxa de suicídio aumentou 7% em nosso país, nos últimos seis anos.

Dados da OMS mostram que ocorre um suicídio a cada 40 segundos no mundo, um total de 1 milhão por ano; no Brasil, ocorre um suicídio a cada 45 minutos. Ainda de acordo com a OMS, a faixa etária mais afetada pelo problema é de 15 a 29 anos -o suicídio está entre as três principais causas de morte entre jovens.

Altamente correlacionado à baixa autoestima e depressão, se faz importante conversar com amigos e familiares sobre o tema, e sempre procurar auxílio caso não se sinta bem consigo ou perceba que alguém próximo anda apresentando os sintomas de reclusão, choro continuo, melancolia, etc. Várias cidades do Brasil tem uma programação especial para a data, justamente com a missão de dialogar sobre o tema.

Outubro Rosa
Tema: Câncer de mama

O segundo tipo mais frequente entre mulheres em todo o Brasil (exceto na região Norte). Só em 2018, foram estimados cerca de 59 mil novos casos.Atualmente vem apresentando aumento no número de casos, muitos deles atrelados à falta de conhecimento e cuidados próprios da mulher. A campanha é mundialmente famosa e necessária, pois o câncer de mama tem sua chance de cura ampliada com um diagnóstico simples e precoce, o famoso exame do toque mamário.

Vale ressaltar que o câncer de mama também afeta os homens, 1 a cada 100 desenvolvem a doença. Os possíveis sinais de câncer de mama em homens incluem: Protuberância ou inchaço, geralmente (mas nem sempre) indolor; pele ondulada ou enrugada; retração do mamilo; vermelhidão ou descamação da pele da mama ou do mamilo; inchaço nos linfonodos axilares.

A qualquer presença destes sinais, procure um médico prontamente. Cuide-se!

Novembro azul
Tema: Prevenção ao câncer de próstata

Assim como o Outubro Rosa, o Novembro Azul é um movimento global. Sua ação toca em reforçar a importância da prevenção e do diagnóstico precoce do câncer de próstata. A doença é o segundo tipo de câncer mais comum entre os homens brasileiros – de acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca), em 2018. E as maiores vítimas são homens a partir dos 50 anos, além de pessoas com presença da doença em parentes de primeiro grau, como pai, irmão ou filho.

Por fim, as campanhas tem seu valor ponderado sobre a prevenção das doenças. Evitar o surgimento de doenças e criar mecanismos de diagnóstico e tratamento para enfermidades em estágio inicial são dois dos focos de atuação da medicina preventiva, que encontra na lógica do “prevenir é melhor que remediar” sua maior contribuição para a gestão da saúde populacional.

Segundo dados divulgados pela Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), em 2018, cerca de 40% da população adulta brasileira tem pelo menos uma doença crônica não transmissível (DCNT). O levantamento aponta ainda que as DCNT são responsáveis por mais de 72% das causas de mortes no Brasil. A hipertensão arterial, o diabetes, a doença crônica de coluna, o colesterol (principal fator de risco para as cardiovasculares) e a depressão são as que apresentam maior prevalência no país.

De acordo com o British Medical Journal, 37 milhões de mortes prematuras, no mundo inteiro, poderiam ser evitadas até 2025, caso fossem tomadas medidas de promoção de saúde. Portanto, ao invés de somente achar o calendário arco íris e as propagandas de rodovias bonitinhas, cuide-se! Você não quer fazer parte da estatística, não é mesmo?

TEXTO: Adriana Giachini – Redação Chico da Boleia| FOTO: Divulgação Internet

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