Setembro Amarelo: prevenção ao suicídio e cuidado com a saúde mental

Cerca de 12 mil suicídios são registrados no Brasil, anualmente, e mais de um milhão no mundo. (Foto: divulgação)

Setembro Amarelo: prevenção ao suicídio e cuidado com a saúde mental

Brasil é o oitavo país em número absoluto de suicídios, sendo que os jovens são os mais afetados

Durante todo este mês, foram realizadas pelo país ações e projetos sobre a prevenção ao suicídio e, apesar do período oficial da campanha Setembro Amarelo estar chegando ao fim, nós, do Chico da Boleia, gostaríamos de levantar esta bandeira e continuar propagando a importância e os cuidados com a saúde mental.

De acordo com informações da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), cerca de 12 mil suicídios são registrados no Brasil, anualmente, e mais de um milhão no mundo. Infelizmente, os dados revelam uma realidade cruel que atinge cada vez mais os jovens. Ainda segundo a Associação, cerca de 96,8% dos casos de suicídio estavam relacionados a transtornos mentais. Sendo que em primeiro lugar está a depressão, depois o transtorno bipolar e, por último, o abuso de substância.

Mesmo sendo um tema delicado, é essencial debatermos sobre transtornos mentais e suicídio. O que é tratado, ainda hoje, como um tabu pela sociedade brasileira, deveria ser tema nas escolas, comunidades e diferentes grupos sociais, incluindo religiosos (visto que muitos acreditam que o ato é um “pecado”). O debate e a conscientização são primordiais para salvar vidas.

Segundo informações da cartilha “Suicídio: Informando para sobreviver”, da ABP, “diversos fatores podem impedir a detecção precoce e, consequentemente, a prevenção do suicídio. O estigma e o tabu relacionados ao assunto são aspectos importante”.

– O risco de suicídio é uma urgência médica devido ao que pode acarretar ao indivíduo, como desde lesões incapacitante, até sua morte. A avaliação sistemática do risco de suicídio deve fazer parte da prática clínica rotineira de qualquer médico. Uma tentativa de suicídio é um “pecado”, talvez o pior dele. Por esta razão, ainda temos medo e vergonha de falar abertamente sobre esse importante problema de saúde pública – revela o texto.

A cartilha ainda ressalta que “tal, tabu, assim como a dificuldade em buscar ajuda, a falta de conhecimento e de atenção sobre o assunto por parte dos profissionais de saúde e a ideia errônea de que o comportamento suicida não é um evento frequente condicionam barreira para a prevenção. Lutar contra esse tabu é fundamental para que a prevenção seja bem-vinda”.

Por meio de ajuda médica é possível prevenir o suicídio e amenizar os sintomas que levam a tal ato extremo. O apoio e compreensão da família também são fundamentais para que a pessoa se sinta acolhida e preparada para buscar ajuda. Preconceito e falta de informação apenas pioram a condição da pessoa e sua saúde mental.

Nada mais importante em momento de crise do que a família se fazer presente, estar aberta a ouvir, sem julgamentos e frases clichês como: “mas você é tão jovem, que motivos tem para estar sofrendo?, “Isso é falta de Deus!”, “Você é muito bonita para estar tão triste…”, dentre outras.

Nada disso irá ajudar, agravando a situação e fazendo com que a pessoa se sinta pior. É preciso entender que sofrer de tais transtornos mentais e ter pensamentos suicidas não é algo que se possa controlar com “pensamento positivo”. A ajuda médica é primordial para o tratamento e, principalmente, evitar que a pessoa venha a se ferir.

Além disso, caso presencie alguém em crise ou colocando a vida em risco, existe um canal de ajuda chamado Centro de Valorização da Vida que, ligando para o número 188, consegue-se suporte e orientação, seja em casos de tentativas de suicídio ou se houver necessidade de apoio emocional. Para saber mais acesse: www.cvv.org.br

O site oficial da campanha Setembro Amarelo também possui informações sobre como obter ajuda e canais de atendimento, confira: www.setembroamarelo.com

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